Agosto 21, 2009...12:18 pm

Paixão é uma chatice

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Ele não te quer. Entendeu ou preciso desenhar?

Ele não te quer. Entendeu ou preciso desenhar?

(ou: Como deixar de gostar de alguém)

Por SextaSessão*

Este mês vem sendo um pé no saco. Motivo: a quantidade de amigos aporrinhando por causa de paixões não correspondidas. Não suporto mais aquela autocomiseração, aquele “ai meu deus”, “me ajuda”, “o que eu faço?”, “ele não respondeu”, “eu não consigo esquecer”. Hello-ou, não avisaram que agosto é o mês do cachorro louco? De novo: cachorro louco. Ninguém falou em mês do burro descornado. Percebeu a diferença dos animais?

Rejeitadinho crônico fica em casa enrolado no edredom, pensando em quem não lhe quer, ao invés de sair para dar o coração ou melhor parte da anatomia. Com algumas áreas do corpo esfoladas de tanta atividade, duvido que sobre tempo pra sentir o cotovelo doendo. Vambora, phinos, mais tuf-tuf** e menos mimimi.

“Pensa que é fácil assim? Tu nunca foste rejeitada, SS?” É claro que fui. Das maneiras mais cruéis. Sou de Cafundó, lembra? Menino cafundoense não só te ignora. Ele passa por cima de ti e leva a tua dor como troféu.

Mas hoje noto que aqueles garotos me fizeram uma bondade. Não que eu queira falar mal do estilo de vida dos outros, não. Mas, sabecumé, se uma das minhas paixões tivesse correspondido e o desvario virasse amor, esta hora, eu estaria:
morando em Cafundó;
passando férias, quando muito, em Torres;
fritando bolinhos de chuva;
comendo carne de ovelha;
cheia de filhos;
com um marido que vai trabalhar de bombachas e botas de cano alto e desfila a cavalo na parada de 20 de setembro!!!!!

Com licença, vou ali gargalhar jogando a cabeça pra trás e já volto.

Uahahahahahahaha

Pronto. Continuando… “Ai, SS, mas eu não consigo deixar de gostar dele…” A tia te explica: paixão é doença. Pesquisa no Google, vai. Como regra, o quadro evolui para o óbito e, raras vezes, para o amor. Se o sujeito não te quer, adivinha qual é tua opção, phophura? Eutanásia, bingo!

O problema da paixão crônica é a dificuldade de o doente ver o quadro real. Ele crê em afeto quando o muso age com educação. Supõem carinho quando existe cordialidade. Vê ternura onde há constrangimento. Nega-se a ouvir o que o silêncio está gritando. E enxerga indecisão (portanto, esperança) quando o outro é apenas covarde demais para dizer “não”.

Se o apaixonado crônico é um míope emocional, então a cura é ver o alvo como ele de fato é. Eliminadas a ilusão e a esperança, o resto é como cálculo renal expelido pela urina. Dói pra (e no) caralho, mas vai embora.

Para ler sobre mulheres cafundoenses clica aqui.
Para saber a opinião do Rafa sobre amor x paixão, aqui.

**Onomatopeia-metafórica para ato sexual empregada por colega neologista.

sextasessao_avatar*SextaSessão fechou o consultório sentimental por tempo indeterminado. Escreve e rabisca aqui nas sextas e, nos outros dias, em seu blog.

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