(Not so) easy-riders: brasileiros no exterior

brasileiros em toda parte

brasileiros em toda parte

por Dany Darko*

Brasileiro vive falando mal do Brasil, vive fazendo planos para ir embora para o exterior e contando os centavos para ir para Londres. Porque – é regra – todo brasileiro acha que viver em Londres ainda é hype, embora esta idéia tenha virado démodé há algumas décadas…

E quando o brasileiro consegue realizar o sonho da expatriação: adivinhem qual é a primeira coisa que faz quando chega em um país estrangeiro? Ele rastreia outros brasileiros. Isso quando ele já não procura, antes mesmo de sair do Brasil, os conterrâneos em seu destino. E aí vai dividir moradia com outros brasileiros, vai encontrar um lugar onde toca música brasileira, onde ele pode se embebedar com capirinha e onde, no momento alto da noite, ele dança « bate forte o tambor que eu quero tique-tique-tá » abraçado aos conterrâneos.

Vai bater foto no Big Ben, na Torre Eiffel, no Coliseu, na Sagrada Família, enrolado na bandeira do Brasil. Vai montar uma banda de pagode. Um time brasileiro de futebol. Vai reunir o grupo de 87 brasileiros da sua rua para ir ver Tropa de Elite no cinema.

Não vai aprender a falar a língua do país, afinal, ele continua falando português, comendo feijão com arroz, vendo o Jornal Nacional na internet, escutando Ivete Sangalo e fazendo planos para voltar a tempo para o Carnaval. Afinal, there’s no place like home. E ele precisa gastar 30 mil euros, estar matriculado em um decadente curso de línguas, e trabalhar no Burger King para aprender isso.

Como se isso ainda não fosse out-phinesse suficiente, ele vai desenvolver o senso de pobreza. Brasileiro, no exterior, sempre tem a necessidade de dizer que ele é pobrinho, que 1 euro são três reais, de explicar porque ele precisa fazer baby-sitting, se alimentar de kebab, comprar roupa de frio nos brechós beneficentes e, durante as viagens, dormir nos aeroportos para não pagar 10 euros nos albergues da juventude (imaginem, uma fortuna! 10 euros são 30 reais!). E ele vai economizar muito. E vai gastar tudo comprando câmera digitais, laptops, ipods e os últimos lançamentos de telefones celulares, porque brasileiro bom é aquele que sempre segue as novas tendências tecnológicas.

E quando a gente vê aquelas criaturas portando camisa da seleção brasileira pelas ruas, o conselho é: evite. Porque, se você se identificar ou for identificado como brasileiro, corre o risco de passar muita vergonha.

Seu interlocutor patriota pode começar a cantar « Aquarela do Brasil » ou gritar « Brasil-il-il-il! » à la Galvão Bueno – experiência própria. É por isso que, ao constatar um brasileiro em um raio de qualquer distância, eu me transformo em française. Não é só mais seguro como c’est chic. Ou, melhor: c’est phino.

* Dany Darko mora na França e acha Zidane um gato. Conta suas experiências de ódio aos brasileiros no exterior também no Ma vie en rose. Mas o mais phino do seu ser estará sempre aqui nas quartas-feiras (cinzas?).

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4 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, vergonha alheia

4 Respostas para “(Not so) easy-riders: brasileiros no exterior

  1. Quando eu fui pra Londres, em 2000, já era assim… Não pude entrar numa festa brasileira no Carnaval porque não tava de sapato. E, sim, confesso, comi feijoada em Londres… (com outros brasileiros.) Evoluir é debochar disso no em busca do phino.

  2. tudo que eu queria falar mas não tinha coragem!
    ótimo e muito phino!

    Sucesso no novo espaço!

  3. monim

    A nossa comunidade é muito unida por aqui. Promovemos feijoada, pagode e nos reunimos para ver os jogos do Brasileirão. Nas festinhas, ficamos atualizados sobre as novidades das danças brasileiras, como «Dança do Quadrado» e «Do créu». Também nos reunimos para ficar falando mal do povo local.

    Brincadeirinha. O que acontece na maioria das vezes é que os nativos não nos recebem muito bem (por que será, né?) e daí acabamos nos fechando na «comunidade», nada phina, mas nossa. Mas, como eu sempre digo, quer andar só com brasileiro, fica no Brasil, ora pois!

    Bah, Dany… o rodízio na churrascaria também não é nada phino, né?

  4. Pingback: Brasileiros, atenção! : As cidades de Priscilla

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