Sobre cortesias, brindes e échantillons

Galeries Lafayette pode

Galeries Lafayette pode

por Dany Darko*

No ato da compra de um perfume nas Galeries Lafayette, em Paris, a vendedora me lançou a pergunta:

Você gostaria de receber échantillons da Burberry?

E eu, já duvidando da qualidade da oferta e inclinada a não aceitar, perguntei para o petit-ami o que eram os tais échantillons. – É uma cortesia, provavelmente amostras de perfume da marca. Mas se tu já tens um perfume inteiro, pra quê tu vais querer mais? Blá blá blá blá… (se em dez segundos os argumentos não são suficientemente convincentes, me concentro em outras reflexões).

Flashback: Secretária de um antigo trabalho no Brasil me presenteia com um « brinde » de uma « colônia » dessas marcas que vendem produtos em revistinha. Chego em casa e repasso o vidrinho fedorento para Bernadete, a faxineira. Como eu, ela recebeu, agradeceu e guardou na bolsa. Mas nunca ousei perguntar sobre o destino daquele perfume que foi denominado Unforgetable por um motivo bem justo. Fim do flashback.

Mas eu ia lá recusar um presente da Burberry?!

Enquanto petit-ami acumulava argumentos para irmos embora logo, a vendedora me indicou a localização do estande da grife inglesa, para onde eu segui saltitando de emoçã e onde eu recebi três outras miniaturas de diferentes perfumes da Burberry, de vários mililitros, imitando os frascos originais, em embalagens lindas: verdadeiros mimos!

Imaginei a phinesse que seria viver em um mundo onde receberíamos échantillons de tudo o que há de melhor: a vida se transformaria em puro brilho se tivéssemos um cotidiano de cortesias (que nada tem a ver com os famosos « tocos » que os jornalistas recebem de algumas fontes – nunca fui agraciada com nada decente). E meu sonho pareceu virar realidade quando, em um curto período de tempo, recebi outros échantillons: uma rodada de shooters oferecida para todo o nosso grupo de amigos na saída de um pub; bombons de Amaretto em um restaurante italiano; chocolatines de uma boulangerie. Puro glamour.

E então que, durante uma aula do mestrado, uma professora discursava sobre comunicação política e cultural e se propôs a nos oferecer échantillons sobre o conteúdo. Meus olhinhos brilharam. Échantillons? Eu quero, eu quero! E foi então que recebi uma bibliografia de bem uns cinqüenta livros obrigatórios para a compreensão do tema. Pena que, como a Bernadete ficou no Brasil, eu já não posso repassar as ofertas dispensáveis.

* Dany Darko mora na França, é jornalista e espera ansiosamente por mais freelas, pois os casacos de inverno das vitrines francesas clamam desesperadamente pelo seu corpo. Mostra o que há de phino em seu novo país por aqui nas quartas. Entrega o ouro também aqui.

7 Comentários

Arquivado em Dany Darko, muito phino

7 Respostas para “Sobre cortesias, brindes e échantillons

  1. Dany, falando em toco, ou jabá, como dizem aqui em Sampa, eu sempre ganho os piores lá na redação… É só sacolinha de pano pra poupar a natureza, xícara… Meus colegas ganham até vodca boa. Não evoluiu muito em relação ao primeiro toco que ganhei, no Correio do Povo, uma caneca das rainhas da festa do morango, ou da festa da uva, ou sei lá que fruta de algum evento da serra gaúcha. Nossa, isso deve tá lá em casa, em Porto, preciso recuperar. Pior que isso foi ter que “entrevistar” as rainhas… Pior que é sério.

  2. sextasessao

    Acho o cúmulo da falta de phinesa se jactar, mas me descontrolo quando o tema é toco para imprensa. Preciso contar. Em 2000 ganhei um sorteio para jornalistas quando a decolar.com entrou no Brasil: uma viagem de 14 dias para o Havaí, incluía três ilhas, hospedagem boa, carro alugado e acompanhante.
    Nem preciso dizer que toda a sorte que tinha reservada pra minha vida foi gasta naquela ocasião e, desde então, não me dão nem échantillon do perfume “Amor Gaúcho”.

  3. sextasessao

    OBS: o acompanhante eu tive que levar de casa. Eles não ofereciam esse serviço com exemplares nativos.

  4. ai, que delícia esses brindes. amei.

  5. l´andreis

    Amei demais horrores o texto. Dany, os ares europeus estão fazendo bem pra tua literatura. Carinhos!

  6. Pingback: Voltei de Londres… e tava sooo last week « Em busca do phino

  7. Pingback: Resolvido mistério da ligação entre beleza e riqueza « Em busca do phino

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