o tempo passa e o povo casa

me ajuda?

me ajuda?

Por Rafa*

Tenho 28 anos. As perguntas sobre as namoradas cessaram já faz tempo. Nenhuma esperança. Pobre pai, pobre mãe. Mas casamento, ajuntamento ou mesmo namoro, coisas bem possíveis para qualquer pessoa humana, têm passado bem longe da minha vida, digamos, há mais de cinco anos.

Minto. Fui padrinho de um casamento no ano passado. Deve ser o maior envolvimento que terei com o matrimônio na minha existência. Não me queixo. Disso não, mas…

Pela primeira vez na minha vida depois que adentrei os corredores das redações Brasil a fora, vou ter 12 dias de folga para curtir Natal e ano-novo. Se você não é jornalista, talvez não entenda o que isso significa, toda essa minha felicidade. É muito, é bastante e é bom. O que fazer então?

Nessa hora, bate aquela vontade de ser jovem, quando saía pelas praias de Santa Catarina acampando com a galera ou alugando muquifos. Bons tempos aqueles. A phinesse ficava em segundo plano, e, por isso mesmo, eu era muito phino. Mesmo dentro de uma barraca. Que L’Andreis não leia isso. E lá se vão seis anos desde a última vez.

Bom, o que fazer então? Ou os amigos não terão 12 dias de folga como eu, os que tem alguma folga não tem dinheiro e os que tem folga e dinheiro estão casados.

Sim, todos estão casados ou, no mínimo, bem engajados com o parceiro ou parceira. A melhor opção seria Floripa, que saudades de lá. Praia, balada, agitação, calmaria se quiser… Mas os dois casais de amigos que vão pra capital catarinense já reservaram suas suítes numa pousada. O que eu faço, reservo uma pra mim e fico esperando um príncipe encantado chegar? Ou alugo uma cabaninha para um possível sexo grupal? Não, não sou chegado nessas coisas. E nemn tenho tanta grana assim pra ficar esbanjando cama vazia.

Desisto de Floripa. Pra quem não sabe, eu já moro com um casal na minha casa. Divido o apartamento com quem divide a vida. Sou uma eterna vela no meu lar. Preciso dar um tempo nisso, ao menos na virada. Nada contra casais. Mas nunca se é o sincero o bastante quando se está acompanhado do marido ou da esposa. Há coisas que não podem ser ditas. Melhor evitar nesses dias de descanso.

Ligo para os amigos daquela época que já não são tão amigos hoje. É uma esperança. Neste caso, vale fazer a íntima. Me informam que vão ficar pelas praias gaúchas, tão sem grana. Primeiro, que chega a ser uma heresia chamar de praia qualquer coisa no litoral do Rio Grande do Sul. E, segundo, eu não mereço. Não fui a favor.

Passar ano-novo em São Paulo, depois de conseguir essa folga, nem pensar. Corro a São Silvestre e depois me mato no Tietê. Ao menos, entraria pra história.

Claro, tem o Rio de Janeiro, onde passei as duas últimas viradas. Não tão bom assim. Lembro que as minhas amigas que moram lá são todas casadas. Os amigos gays delas também. Mas tem o mar… Copacabana, os fogos. De repente não é tão ruim assim. Parece ser a melhor opção. Vamos ver.

Mas eu precisava ficar um pouco com uma galera solteira, uma jogaçãozinha, pouca que seja, se faz necessário. Ah, sim tem uma amiga solteira, que mora em Porto Alegre. Só vai ter folga no Natal, mas tudo bem, ela é não casada, podemos ir pra Garopaba, mon amour, alugar uma pousadinha delícia. Ficar quatro dias por lá.

Tudo combinado. Semana passada, ela liga pra contar do novo gatinho, fico feliz. Ela emenda: “Rafa, tu vai adorar conhecer ele. Ele vai te adorar. Vou providenciar tudo pra Garopaba, vamos nós três”. Fico triste.

Dany Darko me convida pra passar o ano-novo com ela e petit-ami em Londres. A minha desculpa pra não ir é o dólar alto… Tentador é… mas ser vela em Londres? Não dá. Não dá mesmo.

Pra piorar tudo, me apaixonei por um cara casado que não vai se descasar por minha causa. E todo acham que meu melhor amigo e parceiro de baladas é meu namorado. Assim fica difícil.

Já tô quase desistindo.

E você, solteiro, não quer passar o ano-novo comigo? Ou casar comigo? Tem horas que é necessário esquecer a phinesse e apelar.

*Rafa é jornalista, solteiro, tem 1,80, 77 kg, olhos cor de mel e cabelo castanho claro, meio loiro, meio ruivo, natural. Procura rapazes com idades entre 25 e 35 anos, não-fumantes e que gostem de coisas bem normais, como cinema, teatro, balada de vez em quando e parque. Beleza sempre é bem-vinda, mas inteligência é fundamental. Pode ser encontrado aqui às segundas. Para pessoas interessantes, está quase sempre disponível. Como diria um grande amigo, sobre essa coisa que chamamos de tempo, dá-se um jeito.

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5 Comentários

Arquivado em homem phino, Rafa, relaçã? sã?

5 Respostas para “o tempo passa e o povo casa

  1. L´Andreis

    Rafa, estarei até o natal em um cruzeiro pela América do Sul. Não que eu não conheça, mas é a melhor maneira de evitar sul americanos. Depois, ainda não tenho paradeiro e vou mandar o marido pro rio. Poderíamos nos jogar, néam?

  2. sextasessao

    “Solteiro, tem 1,80, 77 kg, olhos cor de mel e cabelo castanho claro, meio loiro, meio ruivo, natural”….. Se eu trocar de sexo, tu namora comigo?

  3. Lisi

    Prezo pela sanidade do solteiro natural cor de mel. Serei só tua no Natal, e do mundo que nos espera. Pq o romance pode esperar.

  4. Pingback: Morrissey saved my life « Em busca do phino

  5. Igor

    Tanta beleza melancólica! De que seria a estética sem a alegria da criação verbal!
    😉

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