Eu bebo anti-socialmente (e viro a Hebe)

Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer com que as coisas não pareçam o que são

Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer com que as coisas não pareçam o que são

Por Lady Glam*

Tenho pavor de fazer amigos. Prefiro me virar com os meus de sempre, que já me conhecem há dez ou mais anos, já sabem que sou assim mesmo e me aceitam na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, etc. Não sou nenhuma monstra, longe disso. É que, ao contrário do que pareço, sou timidíssima.

Mesmo assim, vivo conhecendo pessoas, é um processo inevitável para quem vive em sociedade. E é preciso ser phina com elas. É o que se espera de alguém minimamente civilizado, afinal de contas.

Há pouco tempo, conheci pessoas. Duas pessoas, para ser mais exata. Dois homens, para ser ainda mais precisa. Cheguei a um boteco para encontrar um casal de amigos, e eis que um semidesconhecido estava lá.

Sem problemas, odeio novas pessoas, mas ainda estava 2 x 1 para os amigos. Aí, fiz o que toda pessoa que odeia novas pessoas faz: enchi a cara. Assim, me torno agradável, gentil, sexy e, claro, phina.

De modo que, quando o segundo estranho chegou, eu já estava bem melhor. Mas não pronta para o que estava por vir. Minha amiga precisou ir embora e me deixou com seu namorado e os dois estranhos. O que eu deveria ter feito? Ido com ela. O que eu fiz? Enchi a cara ainda mais.

Quando o namorado dela também se retirou, eu já estava fazendo a íntima, pecado mortal, ao ponto de BE-LIS-CAR OS MA-MI-LOS de um dos rapazes, a fim de checar os piercings que ele dizia ter e insistia para que eu visse em outro local longe dali.

O fato é que quando dei por mim estávamos todos em um churrasco no apartamento novo de um dos meus novos melhores amigos, cortando uma rede que havia na janela, no melhor estilo família Nardoni.

E no dia seguinte acordei com dor de cabeça.

Por isso odeio conhecer pessoas. Meus amigos queridos me impedem de descer do salto.

*Lady Glam não quer ser sua amiga. Mas pode te deixar um pouquinho envergonhado, somente aqui, às terças.

9 Comentários

Arquivado em Lady Glam, teoria da dignidade, vergonha alheia

9 Respostas para “Eu bebo anti-socialmente (e viro a Hebe)

  1. bom, aplicando a “teoria da dignidade” no descrito acima… não, deixa pra lá, melhor não. te desejo uma boa recuperação. e uma semana de muito glamour, tu vai precisar. mas dividir experiências num espaço tão nobre como o nosso vale uns pontinhos. poderia ser pior. e obrigado pelo momento feliz do dia, hahaha.

  2. terça é o melhor dia da semana neste blog!

  3. Fã da Lady Glam

    Minha ídala! Vamos tomar uma vodka juntas pra virar amigas, vai :)))

  4. L´andreis

    Fiz isso uma fez na faculdade. Estava de cara com o ficante e fui levada para um triplex na Bela Vista onde uma piscina e um freezer cheio de Absinto On Ice me esperava.

    Bom, pra encurtar: fui pra lá sozinha e saí com o cara que estava ficando com uma outra guria. Ele se apaixonou por mim porque discuti pós-modernismo.

    Não foi tão feio porque depois ele chegou a me pedir em casamento. Mas ele era um relés professor de inglês e eu achei melhor passar.

  5. sextasessao

    Estou me sentindo excluída. Nunca fiquei com ninguém alcoolizada. Ou não lembro.
    Ou melhor, acho que fiquei sim.
    Deve ter sido uma vez que acordei às 7h de um domingo, vestida num longo de tafetá, tirando um cochilo na entrada da casa dos meus pais lá em Alegrete, na manhã seguinte a um baile de debutantes.
    Tem um jardim grande e um muro alto na frente, de forma que os passantes não me flagraram. Só os habitantes do edifício em frente, que têm uma linda visão do jardim.

  6. lady glam

    lon-go de tafetá.
    por favor, antero, meu prozac.

  7. Meu nível de anti-socialidade também é amenizado de acordo com a quantidade alcoólica. O problema são as open bar que, confesso, me deixam tão meiga quanto o Roberto Carlos, com vontade de ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar. Medo.

  8. sextasessao

    Era longo, era de tafetá e era verde!!! Com um conjunto brinco-anel de esmeralda falsa.
    Sim, o passado me condena.

  9. Pingback: Na passarela da phinesse « Em busca do phino

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