Você adora um perigo?

Por Rafa*

Ai, a modernidade e seus problemas… Não sou daqueles saudosistas. Achava lindo poder eu mesmo revelar minhas fotos em preto-e-branco no estúdio de fotografia da faculdade. Mas eu era estudante universitário, ainda não trabalhava e tinha tempo de tentar ser artista. Fiz coisas bem bonitas, outra hora mostro pra vocês, meu phinos amados. Vocês merecem.

O problema é que as malditas máquinas fotográficas da atualidade permitem que se façam filminhos malditos, como o da bichinha acima, que resolveu dizer pro mundo que adora o perigo. Mais de 160 mil vezes foi exibida a performance de Grace Kelly, que, não satisfeita em repartir suas emoções somente com a amiga amapoa, decidiu espalhar, pra quem quiser ver e ouvir, que um belo dia foi ao CAC do Rangel. No local, que parece ser uma boate de alguma favela de João Pessoa, passou a noitada com os traficantes.

Outros tantos resolveram imitar a coitadinha e daí tu já viu no que deu. Uma série de vídeos retardados postados no YouTube. Que povinho, em vez de perder seu tempo lendo o em busca do phino…

Pior é que a maldita frase “atoron perigon” não sai da minha cabeça e me peguei esses dias declamando tamanho primor de poesia em uma festa cheia de pessoas phinas.

É disso que eu tenho muito, mas muito mesmo, medo. Ok, a tecnologia nos apresenta pérolas musicais, como, por exemplo, o mais novo fenômeno do axé católico, a Jake, com o seu já propagado hit Pó Pará com Pó. Que seria do Carnaval em Salvador de 2009 sem essa bela música e letra edificante?

Mas o perigo mora quando as pessoas esquecem de fazer o que tem que ser feito, como, por exemplo, curtir um show de música, para ficar filmando, fotografando e depois postar e postar e postar.

Francamente.

O problema só aumenta quando a gente não está num momento muito bom na vida e resolve ir pra casa dos amigos bebericar umas coisinhas pra ficar melhor e acaba fazendo coisas que não devia. No outro dia, além da ressaca, você é obrigado a agüentar suas poses ridículas. O registro está todo lá e sempre vai ter alguém sóbrio para pegar o seu pior ângulo da falta de phinesse. Ainda por cima vai ter que ficar implorando pra não passar as imagens adiante.

É por isso que fui super a favor das festas do Ronaldinho Gaúcho, realizadas nesses últimos dias na capital dos pampas, em que qualquer tipo de máquina fotográfica é proibido. Quem ousa registrar os momentos é phinamente retirado do ambiente.

Imagina se o povo resolve começar a fotografar, então, o que acontece quando começa a tocar uma tal de “sirene da bombância”, mania de uma festinha em Manaus. Quando o som ensurdecedor inicia, dizem que a pegação rola solta, os punks resolvem se chutar e tudo o mais acontece.

Se por acaso estas imagens já estiverem rolando pela web, por favor, me enviem. Achei o fenômeno “sirene da bombância” a única novidade relevante em termos de casas noturnas dos últimos tempos. Minha curiosidade me impede de manter a phinesse nesse caso e ver os registros dessa bizarrice se faz mais do que necessário.

É por isso, pelo meu bem e o de todos vocês, que faço um pedido antecipado para 2009. Vamos esquecer um pouquinhos as máquinas fotográficas e tentar aproveitar mais a vida. Que tal botar a cabecinha pra funcionar um pouco e deixar tudo registrado na memória.

Se for inevitável e o momento pedir um clique, não deixe as insanidades mentais cometidas vazarem mundo afora. Os blogs de fofoca agradecem, mas nós, como somos sofisticados, abrimos mão. Tudo por um 2009 mais digno.

E um feliz ano-novo pra vocês, phinos amados!

*Rafa espera que a sirene da bombância não toque tanto em 2009. Às segundas, estará aqui ensinando a construir um mundo melhor e com mais phinesse.

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6 Comentários

Arquivado em Rafa, tendência, teoria da dignidade, Uncategorized, vergonha alheia

6 Respostas para “Você adora um perigo?

  1. Maeli

    Eu sou a favor de que, ao final das noitadas de perigo, todos sejam colocados na frente daquela maquininha de apagar memória do Men in Black…máquina fotográfica, então, nem pensar 😉

    Feliz Ano Novo phino, querido

  2. Maeli

    Mas talvez o melhor conselho seja a minha sorte de hoje do Orkut:

    Se você não quer que ninguém saiba, não faça

    :)))

  3. “Que tal botar a cabecinha pra funcionar um pouco e deixar tudo registrado na memória.”
    Sou contra. A memória não registra, ela recria. Quando a gente faz força para memorizar alguma coisa, já está preenchendo as lacunas com a imaginação. A memória é uma lembrança fictícia.
    Já as fotos mostram fielmente o que se passou, os quilos que precisamos perder, a compustura que deveríamos ter mantido e nosso péssimo gosto para roupa (e/ou namorados) do passado.

  4. Carol Andreis

    Gosto de fotos, mas não em momentos íntimos e de perda de dignidade. Pessoas que falam ou mostram isso para o mundo deveriam ser levadas pra Bahia e amarradas nas caixas de um trio elétrico.

  5. Amarrar nas caixa de trio elétrico, amei. A melhor punição ever para os sem phineza!!!!!

  6. vivi

    hahaha, esse é muito bom também.

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