Pessoas phinas não procriam

dai pensei nas estrias e desencanei

daí pensei nas estrias e desencanei

Por O Outro Lado*
(Em Busca do Feno)

Desde que umas tribos que habitavam aquela zona seca da Terra decidiram que eram melhores que os outros e que deveriam cagar a pau todo o resto do mundo, a ordem é “Crescei e multiplicai-vos”.

Naquela época se justificava. Além de úteis na lavoura, ter muitos filhos era estratégico do ponto de vista militar. A guerra era coisa de homem. Homem a homem. As baixas eram pesadíssimas no lado ganhador. Os vencidos eram simplesmente exterminados, seus genes varridos para sempre da existência. O ser humano seguia a cruel lei da natureza sem frescura, passava o cajado e a pica no geral. A realeza perpetuava sua raça, a plebe obtinha força de trabalho. Fazia todo o sentido no passado.

Os tempos hoje são outros, e os seres humanos, com exceção dos palestinos, já não veem nas guerras controle populacional. Ter muitos filhos hoje em dia não pode mais ser visto como vontade de Deus. Ter muitos filhos é um atentado à saúde pública e à financeira em geral.

Filhos deveriam hoje ser vistos como mal necessário apenas para manutenção do universo humano, e o critério deveria ser o crescimento populacional zero.

Seres humanos de classe média fazem filhos com a mesma nonchalance de quem adota um animalzinho de estimação. O homo medium class acha bonitinho, mal pensa na responsabilidade. Do favelado, os pirralhos brotam com a mesma falta de cerimônia ou planejamento das necessidades fisiológicas. Depois se vê. Qual a utilidade prática de um filho?

Para a classe média, é o fator que determina o princípio definitivo dos endividamentos, da impossibilidade, o fim do sono e das reflexões. O pai e a mãe não pensam. O pobre jamais pensou, pra isso é pobre. Sempre esteve ocupado em sobreviver ou os filhos vieram tão cedo que simplesmente não há o conceito “antes dos filhos”. Mas vamos ao atentado à phinesse que crianças representam.

Veja um restaurante. Local de reflexão e intimidade entre você e a comida que lhe manterá vivo. Você está no chega mais com um pedaço de filé, e um bebê na mesa ao lado emite um guincho. Seu almoço vira história. Um ônibus. Você precisa estar no veículo para cumprir com seu deslocamento. Uma criança inicia um canto agudíssimo que apenas ela entende. Sua mãe acredita mimosamente que se trata da música mais bela que qualquer presente no coletivo poderia querer ouvir. Embevecida, não apenas deixa de reprimir sua cria, como a incentiva.

Vê bem, leitor phino. Ninguém precisa ser molestado pela falta de bom senso de seu semelhante. Ele que quis destruir sua vida e colocar um inimigo em casa, que mantenha a peste em casa. Ou pague uma creche.

Faça seu compromisso com o bom senso e insulte toda vez que ver uma pessoa com seu filho no colo perturbando um ambiente. Adote como palavra de ordem o “tivesse dado o cu não tinha saído esta merda” contra mães de
crianças ruidosas. Phinesse apenas com quem é phino também. Forneça a retaguarda, fele um pinto e, vá lá, use sua vagina para deleitar um macho, mas por favor, seja phina e não procrie. A humanidade precisa que você feche o útero.

E você, macho phino, use a capa, prefira ejacular fora ou contrarie ainda mais o papa e dê uma viradinha. O frufru é o must da phinesse e não povoa o mundo.

*O Outro Lado teve problemas na infância. Gosta das crianças e até leva jeito com elas, desde que sejam dos outros e façam apenas sons bonitos e gostosos. Escreve aqui quando dá na telha e segue em busca do feno.

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7 Comentários

Arquivado em contribuição phina, Em Busca do Feno, O Outro Lado

7 Respostas para “Pessoas phinas não procriam

  1. O must é criança bonita, limpinha e educada. Conheço algumas. Bora dar phinesse pras crianças do Brasil, gente!

  2. Caroline Andreis

    Exato!
    E criança simpática. Pode até ser gorda. Odeio criança muito magrinha.
    Vou contar um fato que marcou minha personalidade frente ao mundo.
    Eu + amigos da chefe do ex no finalzinho da festa de aniversário do pequeno dela (6 anos ou algo assim). Chega uma vizinha para parabenizar. Leva a filha da mesma idade junto. Ambas furonas. Pra quê estão ali? Para ganhar um pedaço do bolo! Affe.
    A criança é bonitinha. Usa um vestidinho suave. Eu, alegre e desinibida: “Que linda”. Dois segundos depois vejo um sheepdog (a raça da Priscila da TV Colosso, desfavorecidos) e digo ainda mais alegre: “Mas atrás tem uma coisa mais bonita” e saio correndo abraçar o cachorro.
    Quem me conhece comprova.

  3. Homem não querer procriar é ok.
    Agora imagina, meu querido Em busca do feno, ser mulher, assumir que nem cogita a hispótese de ter filho e que não gosta nem das crianças dos outros?
    Para quem, depois de ler o post acima, ainda tem dúvida dos malefícios da maternidade, tem um livro fantástico:
    “Sem filhos – 40 razões para não ter”
    .

  4. clarissa

    atrás tem uma coisa mais bonita, hahahahahaha
    morry

  5. clarissa

    ah, no quesito dicas, também dá pra ler “precisamos falar sobre o kevin”, no qual uma mãe tenta entender onde errou ao parir um serial killer.
    extremamente recomendável, exceto para mulheres grávidas.

  6. Compartilho da(s) mesma(s) opinião(ões) e sublinho que também faço parte do movimento pela extinção humana. Já tem gente demais nesse mundo pra eu ter que dividir meu chocolate. Não procriarei.

  7. Então tá vamos aos Mandamentos:

    Primeiro: não te apaixonarás
    Quinto: não procriarás

    Coisa louca essa… eu também adoro filho dos outros, mas só por algumas horas!
    E será que aquelas mães no supermercado falando bem baixinho “pssiu, pára fulaninho” não se dão conta que só deixando a criança em casa se resolve esse assunto? É, insisto em dizer que os filhos são reflexos das mães, sejam crianças ou adultos.

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