Fuego Lento

live us alone com nossa dor e nosso champagne

live us alone com nossa dor e nosso champagne

Por Lady Glam*

a sutileza, a nonchalance, o desdém e o aplomb são ingredientes fundamentais para montar um phino. classe sempre, salto sempre, pele impecável sempre, fios de cabelo irretocáveis sempre. nossa musa de gelo é greta garbo. live us alone com nossa dor e nosso champagne.

o caso é que nós, brazucas, enfrentamos um problema aparentemente incontornável. como ser de gelo no lado de baixo do equador? a cerveja sobe, a maquiagem derrete, o suor vem e a gente suada mostra o seu valor.

fazer a phina quando o seu namorado chicano está dançando fuego lento num bate-coxa arretado com uma moça é um teste de auto-controle extremo, o qual devo confessar que vivi e rodei, tanto no teste quanto a baiana, e a dança acabou em bofetadas (nele), gritos (meus) e choro (nosso) no meio de uma festa. não me orgulho, mas em minha defesa posso dizer que eu era jovem, e o namorado, um bon-vivant.

é muito complicado ser blasé no calor. nós, chicas, especialmente as do Sul, temos lá nossas raízes europeias. mas, na hora do vamos ver, sai a greta e baixa a gabriela, a teresa batista, ou uma outra jorge amadiana, e aí, meu amigo, cadê a phinesse? deixamos na outra bolsa.

o bom é que nossos pares chicanos parecem acostumados. depois das bofetadas, já em casa, ele se abraçou nas minhas pernas e pediu pra ficar. quase um tango.

(sobe crédito da televisa.)

*Lady Glam é Clarissa, é eventual, é loira e é Brasil. E nunca mais bateu em ninguém, nem pedindo.

7 Comentários

Arquivado em contribuição phina, Lady Glam, passado phino, relaçã? sã?

7 Respostas para “Fuego Lento

  1. Gata, quando se faz a phina, paga-se um preço muito alto. É como diz uma amiga minha, tem dia que a gente beija, e outros que a gente não beija. Neste domingo, fiz a phina. Depois eu conto, já que meu post vem apenas na terça, phinos amados.

    Fiz a phina e não beijei. Se ele se abraçou nas tuas pernas e pediu pra ficar, quem há de ousar pedir phinesse num momento desses? Isso é o puro must-have da estação. Contribuição mais do que bem vinda nestes tempos de São Paulo Fashion Week, quando ser blasé pede uma boa tunda.

  2. Tudo culpa do “bon-vivant”…nada phino ser bon-vivant em tempos de crise…
    Ser blasé? Não é típico de Clarissas… desde Érico Clarissas não são blasé. Ainda bem.

  3. Lembrou-me uma passagem do único livro que li da Fernanda Yung, Vergonha dos Pés, em que ela dá uma tunda na gringa que a protagonista flagrou prestando uma sustentação oral no seu namorado/marido/idiota.
    Uma vez achei que ia ter que embolachar uma amiga (famosa por, quando bêbada, dar em cima dos namorados das amigas) em uma festa em Cafundó. Administrativo estava especialmente aprumado naquele dia e, assim que ela o viu, pulou para dar dois beijinhos lânguidos, naquela região perigosa entre bochecha e boca (e antes de cuprimentar a mim!). Eu pensei: “pqp, vou ter que bater nessa gringa”. E sussurei para ele: vou esbofetear ela na cara e pelo menos três outras vão pular para me ajudar a bater.
    Ele passou a festa evitando olhar para o lado da sala onde a gringa estava e fez questão de ir embora cedo, à francesa.

  4. Caroline Andreis

    Por um momento pensei que era eu a dançarina de Fuego Lento. Mas ufa! Eu não apanhei! Santa misericórdia!

    Mas voltando a realidade phina, sem sobressaltos, IDOLATREI o tema do texto da magra Clarissa. Perfeito para nós que mantemos a phinesse e não escondemos nossa cultura que está com o rating lá em cima em Betty, a que não tem o número do meu cabelereiro.

    Em tempo: hoje sonhei com a Madonna. Eu e ela duelávamos. Interpretei como uma luta entre meu eu atual e o antigo disputando espaço no cotidiano. Levei uma tunda. 2009 promete.

  5. Colega maluca 1

    Ladyglam…que bom.. eu só gosto de fazer a ressalva que, na maioria dos casos, o indicado é bater neles…

  6. sim, quem apanhou foi ele. em mulher, não se bate nem com outra mulher.

  7. Não conhecia, L’Andreis mostrou, e como é bom ler isto aqui ! Não faço a menor idéia de quem são as demoiselles e madames, mas imagino todas lindas tão bom o humor !

    Este texto foi especialmente interessante para mim. Sou estranha. Tenho vergonha por isto. Mas fazer o que, é o que sou.

    Por exemplo, se vejo o namorado (meu, claro) ‘dançando fuego lento num bate-coxa arretado com uma moça’, ai que vergonha, eu não deveria nem assinar isto aqui, mas além de estranha, sou franca, voilà:

    1. Penso em liberdade do uso do corpo. Bom, eu sinto – sério mesmo – que todo ser humano tem todo direito ao seu corpo e os seus desejos. E liberdade vale mais que intenção. E eu não sou, nem quero ser, o centro/dona da liberdade nem do desejo de outro. Eu pensaria também que o desejo do outro é pequeno, restrito, se sou o centro. Não interromperia nenhum tipo de liberdade, ainda mais do corpo;

    2. Que ela morra. Agora. Sofrendo. Morra para sempre, que ela sofra e morra todos os dias … ele eu respeito, mas ela deve morrer;

    3. Daí eu começaria sentir emoções físicas pela atmosfera de liberdade. O que me faria fazer algum absurdo, espontâneo. Já saí caminhando do de um canto a outro da cidade, à pé, de madrugada e os meus amigos atrás apavorados. Já fui dançar com outro rapaz e estava bom; Teve a vez que disse sim a um garoto, desejo antigo, que eu recusava e foi um novo período de novo amor, muito bonitinho. E também já mudei a minha vida. Esta foi a melhor, já me permiti ser eu até o fundo, até o estouro, até transbordar de tanta sensação de ‘à vontade’, de não sentir mais medo, sei lá, acho que a ligação é mesmo a atmosfera de liberdade. Foi bom também porque foi como se o namorado e eu estivéssemos num primeiro encontro, nos conhecendo de novo. Nos apaixonamos de novo, mas pela primeira vez.

    Donc, o caso é que tudo é questão de saber o quanto teu coração é forte para sentir e permitir e se entregar à mais desafiadora liberdade do mundo: A liberdade daquele que tu ama.

    Ai, ai … homens … nos dão um trabalho não?
    Existencial.
    E sempre sinto delícia de vida.

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