Na passarela da phinesse

Oskar Metsavaht te despreza...

Oskar Metsavaht te despreza...


...horrores

...horrores

Por Rafa*

Na São Paulo Fashion Week, a coisa funciona assim: não adianta ter uma credencial para o evento. Para poder desfrutar dos desfiles, tem que ter o convite da marca na mão.

Eis que, domingo passado, a firma me manda para o mundinho fashionista paulistano. Chego para o desfile da Oskley, empresa phina cuja coleção inverno 2009 gostaria de conferir. Sem convite na mão, o que me resta é circular.

De repente, aquele mocinho que te deu O FORA de 2008 passa por ti, te cumprimenta por educação e atravessa o batalhão de jornalistas e fashionistas que tentam entrar no desfile.

Rafa pensa: “isso não pode estar acontecendo”.

Humillhado e prestes a ficar de fora do único desfile a que gostaria de assistir, Rafa perde toda a phinesse que encharca seu corpo; no lugar, entra espírito brega de fashionista.

Rafa, então, faz cara de blasé e nojo e se dirige até a mulher que controla a entrada dos desesperados por moda.

– Por favor, eu trabalho na Revista tal, com a fulana de tal, que não chegou a tempo para me passar o convite. Você poderia me colocar pra dentro pra eu poder fazer minha cobertura, por favor.

Diante de tamanha segurança da minha parte, ela treme e pergunta, ainda com uma pequena dúvida da veracidade da minha fala:

– Mas você vai fazer a cobertua no lugar de sua editora?

Respondo, cara de nojo ao cubo:

– Sim, mais alguma dúvida?

Ela, para os seguranças:

– Pode deixar O jornalista passar.

Sinto raios do mal dos fashionistas nas minhas costas.

Já na área do desfile, exijo o MEU lugar. Me colocam na primeira fila, em local de destaque, ao lado do editor da Vogue. Na mesma hora, amigo manda sms: “Poderoso, hein? Primeira fila…” Ele está na segunda. Olho um pouco mais pra cima. Mais. Ex está na sexta. Disfarço e presto atenção em cada detalhe das roupas e sapatos, fazendo a blasé.

Na saída do desfile, reencontro ex, mas viro a cara, a la egípcia.

Tá feita a merda, amigos phinos. Quando o espírito fashionista baixa em ti, a ladeira é um caminho sem volta. Pra baixo, não pra cima, que fique bem claro.

No próximo desfile, você estará levando embora sacola que a marca deixou na sua cadeira. Dentro dela você encontrará pérolas como o tecido abaixo:

ah, entendi, é roupa pra piquenique...

ah, entendi, é roupa pra piquenique...

Ou o pingente que segue:

jóia rara de fashionista

jóia rara de fashionista

Phino de verdade nem encosta na sacola.

No terceiro desfile, ex, que teria direito a um lugar péssimo, senta ao teu lado, já que algum phino achou melhor ficar em casa vendo tudo pela televisão. Você se concentra, com pigente e tecido bem guardados na sua bolsa. Se faz de super interessado nas roupas e no conceito do estilista. Arrasa nos comentários (um ou dois, no máximo).

Desfile acaba, e ex diz para você passar lá no lounge em que está trabalhando. (Você pensa, mas não diz: “será que tem brinde?”) Ele pergunta se você ainda tem o maldito telefone dele. Rafa diz que sim e dá tchau. Ex tem que ficar por ali, vendo se não pega uma frase de algum famoso.

Aliás, fazer a cobertura de celebridades é a coisa mais brega que pode existir num evento de moda. Desculpa amigo e colega phino que ganha a vida fazendo isso, mas não é legal. E se trabalhar com isso é teu sonho, por favor, você não está no lugar certo lendo essa coluna. Pare agora mesmo.

Bichinho fashionista, então, bate mais forte. Uma coisa louca invade seu corpo, e você se vê no direito de costumizar a sua própia havaiana. Resultado de uma sola vermelha, tiras transparentes e detalhes brasileiros você pode conferir abaixo:

é o Brasil na moda, minha gente!

No detalhe, caipirinha (à esquerda) e caju: é o Brasil na moda, minha gente!

Antes de conferir o último desfile, com Gisele Bündchen, você acredita que pode comer um pedaço de pizza no lounge do jornal concorrente. A sua sorte é que, chegando lá, todas as mesas estão ocupadas. Ufa…

Você vê Gisele e se assusta com a gritaria. Começa a retomar a classe interior e decide que é hora de ir embora, sem ligar nem dar passadinha no lounge do ex.

Seu corpo sente os sinais da fome. Você liga para amigo e pergunta se ele não tem uma comida em casa para oferecer. Ele diz que sim, tem uma massa que a mãe tinha feito para o almoço. Chegando lá, além da comida quentinha, muitos vinhos e espumantes ao seu bel prazer, sem nenhuma regra de harmonização a seguir. A sensação é de liberdade. Você está de volta à phinesse costumeira ao lado de seus pares. E, como já havia nos alertado uma vez Lady Glam, nada mais phino do que nossos amigos para não nos deixar descer do salto.

*Rafa não abre mão do vestir-se bem. Já comprou muito em brechó, mas hoje prefere roupas novinhas e cheirosas. Escreve neste espaço às segundas. Atrasa só por motivos muito especiais, como uma prosinha com sua amiga gaúcha Gi Bündchen.

10 Comentários

Arquivado em moda versus phinesse, Rafa, tendência

10 Respostas para “Na passarela da phinesse

  1. vivi

    Olho um pouco mais pra cima. Mais. Ex está na sexta.

    ex ce len te

  2. vivi

    tu sentou do lado do piriguete da madonna?

    dizque o guri chamou mais a atenção que a gi.

  3. como diriram por aqui: Mazaaaaaaaah
    Olha achei que realmente foste um penetra phinissimo! O ex que parece meio deslumbrado né… nada phino ficar comentando se tu estás na primeira fila… phino mesmo cumprimenta, se deslumbra “só por dentro” e age com naturalidade!

    Customizei Havaianas…ficaram iguaizinhas às que custam 60 ou 70 reais na Calçada da Fama. Levei 5 minutos prá customizar, o Banderas, levou 1 segundo prá destroçar tudo! Ainda bem que custou só “dois real” de pedrinha!

  4. Não tenho nada para declarar sobre esse teu post porque não me sinto capaz de escrever nenhum comentário à altura.
    Só suspiro, só suspiro.

  5. Caroline Andreis

    Oskar Osklen é também de Little Italy. Phino.

    Nada menos do que a primeira fila pra nós, Rafa. E a teu pingente-brinde ajudou com a tua sorte: PIZZA no concorrente? Não pode.

  6. Maeli

    Arrasa

    Eu que-ro o vestido de moletom da Osklen, arranja pra mim? :)))

  7. Rougée

    Demorei para entender que aquele trocinho verde em cima do chinelo era uma caipirinha. Obrigada pela legenda, Rafa!

    Ah, lembrei de vocês, phinos: me convidaram para passar o carnaval em PUNTA. Vim correndo, li novamente o post, e recusei.

  8. O cerimonial do Obama devia ter lido este post antes da posse hoje. Vocês já tinham visto uma coleção de gente tão mal vestida?
    Os únicos que se salvam são os agente do serviço secreto.
    Quando Mulder e Scully usavam Armani, diziam que era ficção. Agora tenho certeza que o FBI tem disciplina stilist na academia.

  9. Vivi, sentei bem pertinho do piriguite da Madonna. Mas não achei grandes coisas. Preferi um loiro, lindo, que pegou no meu ombro e me chamou de “Rafa”. Se colocou a minha disposição (para entrevistas, é claro). Mo-rri.

    Ms.Riverisde, quem falou sobre a primeira fila foi amigo fashionista… O ex é muito phino, não tenho como negar. Simples, bem vestido, educado. O problema é que não me quer…

    L’Andreis, pizza, por si só, já não pode, ainda mais no concorrente. Assimilada a lição.

    E, gente, coleção cinza de inverno da Oskley tá uma delícia. Recomendação muito phina!!!

    bjs

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