Desculpas de phina

Se meu peito caiu, que o médico aprenda a levantar...

Se meu peito caiu, que o médico aprenda a levantar...

Por L’Andreis*

Prezado editor,

Não poderei enviar minha coluna para nosso wikiphino nesta quinta-feira. Motivo: acho que engordei.

Acabei de colocar um vestido tailandês que minha tia trouxe para mim há muitos e muitos anos. Sempre ficou bem. Pela primeira vez temo que ele tenha ficado justo. No quadril. E meu medo só se agrava: o afegão comum vai achar que estou num clima Caminho das Índias.

Essa minha preocupação não começou hoje, nesta quinta ensolarada. Semana passada, quando fui visitar minha cã em Little Italy, a famigerada Bjork, me peguei assistindo um dos últimos capítulos de Maysa, a minissérie catarse do filho da cantora. Em uma cena, a atriz Larissa Maciel, aqui da terrinha, que interpretava Maysa, responde ao apelo da mãe que implora para que ela não tome tantos remédios: “Esses remédios me deixam magra! Magra! É isto que eu preciso ser: MAGRA!”.

Imediatamente respondi na maior espontaneidade: eu a entendo. Vou explicar direito. Apesar dessa minha escrita phina, não sou magra como deveria. Assim, não sou gorda, mas tenho um problema que aflige o país de Lula: peito e quadril excessivos.

Mesmo nos tempos (e houve, durou pouco, mas houve) em que eu comia um kiwi por dia e corria três horas, nunca deixei de ser chamada de “gostosa”. Não perco aquele osso debaixo da cintura que faz a proporção entre ela e o quadril ficar igual à de Marilyn e Kate Moss. Porque, caso você não saiba, é a proporção que te deixa desejável (Discovery Channel), e as magras e as gordas podem ter ela ajustada. Proporção, querida, proporção.

Fora essa desculpa que faz com que eu consiga sair de casa sem me achar um boto, eu sigo a risca outras normas. Calça justa, jeans skinny e BATA (por favor!) que me tire a cinturinha e mostre todo o poder funkeiro do traseiro não estão no closet. Além da proporção, a noção tem que estar incluída na lista de uma phina amaldiçoada pelo exu da mulatice. Mais phino do que ser fina é saber usar o corpinho de forma a não ferir o olhar do outro e manter a postura sem lordose.

Bom, querido editor, devido a este problema, ficarei aqui trocando de espelho até que um deles me mostre como eu sou de verdade (ou seja, sem aquele 0,5 cm de quadril que apareceu hoje). Peça desculpas às leitoras e, caso publique este desabafo, lembre a elas que “sim, nós podemos ser phinas” mesmo tendo nascido debaixo da linha do equador.

Lembre a elas que para casar com um europeu rico é melhor ter a brazilian butt e que tentar ficar magérrima quando você não nasceu pra isso pode custar sua sanidade e pontos de Q.I. . Comer direitinho (não exagera, gata) faz a phina funcionar, ir aos compromissos sociais, sorrir bem linda e não esquecer de mandar a coluna pro editor.

*L’Andreis estudou geometria, não porque goste de matemática. Sempre deixou claro que prefere a beleza. Acredita que proporção é uma equação simples: comer bem, malhar direito e médicos de valor. Dá aulas aqui, somente às quintas, pro dia nascer (mais) feliz.

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2 Comentários

Arquivado em L’Andreis, moda versus phinesse, teoria da dignidade

2 Respostas para “Desculpas de phina

  1. Concordo. Por isso que, na academia, só me olho de frente naquelas espelhos que te deixam maiores e mais musculosos.

    De perfil, nem pensar. A barriga diminui aos poucos, meus phinos amados, mas ainda nem pensar em me olhar de lado na frente daquele monstro. Suicídio na certa, e vocês não querem isso, né?

  2. Caroline Andreis

    Aviso aos interessados: minha empregada tinha colocado o vestido na máquina. Tecido fino, gente! Encolheu. Resolvi o problema comprando um novo.

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