O primeiro a gente nunca esquece

Do sutiãzinho, a phopha lembra

Do sutiãzinho, a phopha lembra

Por SextaSessão*

Há um punhado de semanas (ou seriam meses?), os posts dos colegas de phinesa sobre ex-namorados me levaram a pensar num remotíssimo pretérito. Considerando o tempo afastada do livre mercado, pensar em ex é tirar da prateleira histórias do século passado. Requer um certo esforço mental.

Tenho por princípio evitar memórias de coisas ruins. Como os meus ex foram, nesta ordem, infiel, idiota, patologicamente ciumento e carentinho-infiel**, as recordações sobre eles foram despejadas no fundo de um baú que poucas vezes remexi. Esquecer e desprezar são os piores castigos.

Pois bem, na época dos posts dos companheiros phinos, fiz um exercício de regressão às origens do firmamento e descobri, phophas, que fui longe demais. Esqueci nada menos do que minha estréia no mundo da devassidão e do prazer carnal. Tudo bem, não foi tão devasso nem tão prazeroso, mas eu devia lembrar a pergunta mais importante do lead: como?

Recordo quem, onde, quando, o motivo e a repercussão (“ruim, mas bem administrado pode vir a funcionar”).

Sei que rebentou uma alça do sutiã, mas não sei se porque era velhinho ou o rapaz era desastrado. Lembro em pinceladas gerais de como o jovem era – coisas básicas como altura aproximada, cor de olhos e cabelos. Nenhum detalhe dessas características físicas e comportamentais que a gente costuma se ater: a quantidade de pêlos no corpo, o formato da área glútea, se as pernas eram finas, se o lábios eram macios, se beijava bem, se falava ou olhava nos olhos durante o feito…

E nada, acreditem, nada específico a respeito do órgão desbravador. Sei que estava lá. E que fez seu serviço.

O enlace se deu quando o namoro já estava em declínio e tive a sorte de não repetir a experiência com o indivíduo. Logo terminamos e, mais sorte ainda, nunca mais o vi nem faço idéia do que dele foi feito.

Mas admito que fiquei surpresa e embaraçada ao descobrir a falta de lembrança. Convenhamos que não foi a capa do primeiro caderno ou o nome da primeira professora que esqueci. Levei o tema à minha psiquiatra. Ela me fez desvendar em uma sessão a razão da amnésia (a qual não pretendo compartilhar) e, bondosamente, não me ofereceu memoriol.

Agora, para provar que segue intacta a minha capacidade de lembrar coisas importantes e que o Washington Olivetto acertou quando disse que “o primeiro a gente nunca esquece”, recordo com detalhes meu primeiro sutiã. Era rosa, inclusive os elásticos, com bojo de um tecido fininho e transparente. Tinha o desenho de um soldadinho de perfil, marchando para a direita, no meio de cada bojo.

O soldadinho (que tema bizarro para ilustrar um sutiã de menina-moça!) tinha calças verdes, blusa branca, cabelos amarelos e botas e boné pretos. Usei pouco, porque logo ficou apertado. Não sei qual destino ele teve. Mas, se fechar os olhos agora, consigo visualizá-lo com exatidão.

**Pensando bem, todo ex é um idiota, ou não seria ex.

*SextaSessão tem mais apreço por desenhos de soldadinhos do que por ex-namorados. É incrivelmente hábil para dar conselhos sentimentais, mas, salvo uma exceção, foi sempre um colossal fracasso na condução da própria vida afetiva. Escreve e desenha aqui nas sextas e no seu blog nos outros dias.

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9 Comentários

Arquivado em passado phino, relaçã? sã?, SextaSessão

9 Respostas para “O primeiro a gente nunca esquece

  1. Lembro bem do meu primeiro beijo em um gatinho. Havia sido cantado de todas as formas possíveis em Londres por caras de todos os tipos. Não é convencimento, é a mais pura verdade. Afinal, tinha 20 aninhos. Mas, ingênuo, não peguei ninguém no Velho Mundo.

    Cheguei em Porto Alegre e adivinhem qual a primeira coisa que fiz? Ataquei o ser do sexo masculino mais feio da cidade. Queria tanto esquecer aquele momento…

  2. Caroline Andreis

    Sabe que eu gostei do sutiã de soldadinho? Tem foto, hein? =)

  3. L.

    So vc pra fazer meu pensamento ir tao longe, em terras de ex íntimo (sutiã, beijo, namorado, caderno…) !

    Meu primeiro beijo foi num gordinho estranho, de óculos e cara de bobo, branquelo e de ombros arqueados…. e eu fui a parte que tomou a atitude.

    😦

  4. Daniel Gonçalves

    Uma delícia de texto… e não macularei este espaço citando minha primeira vez… nem que rasguei o sutiã da jovem na ansiedade por consumar o feito…

  5. L’Andreis, mamãe leu o post e está lá em casa botando as gavetas abaixo atrás do sutiãzinho…

  6. Jeff

    A primeira vez não se esquece, aliás não deveria se esquecer.
    Mas da primeira vez já dá pra aprender outra máxima: sexo mesmo quando ruim é bom.
    Agora, rasgar o sutiã não é considerado erotismo pelas mulheres???

  7. clarissa

    dependendo da idade, é considerado falta de prática mesmo, jeff, não tem jeito.

  8. Caroline Andreis

    Ah, por favor, aguardo notícias na peça.
    =)

  9. Pingback: Esquecimentos e lembranças « Sextasessao’s Weblog

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