I’m throwing my arms around Paris

In the absence of your smiling face

In the absence of your smiling face

Por Dany Darko*

“Eu não quero continuar por muito tempo. Acho que isso sugere falta de imaginação e uma certa falta de dignidade também. Existe um ponto em que você vê que já fez o bastante.”

Que Barack Obama, que nada. Morrissey é quem deveria ser eleito o novo líder desse planeta de mèrde. Ele não precisou colocar banca de pobrinho para ganhar simpatia do povo e nem é adorado por multidões, mas o ex-vocalista dos Smiths sabe das coisas, da vida. Canta as nossas dores há tanto tempo sem precisar pintar os olhos de lápis preto e dá banho de phinesse, tanto nos colegas com quem dividia o espaço no passado, quanto nos do presente. Porque antes do grunge e do indie, do electro e do trash, do emo e do new rave, já existia Morrissey. E ele nunca saiu de moda exatamente porque ele nunca foi moda.

Para quem conhece o não-ídolo british só pelos Smiths, saiba que, apesar dos grandes sucessos da banda, seu vocalista resolveu abandoná-la no auge da fama para seguir solo por este mundo – sábia decisão de um líder sensato e inteligente. E partilho da mesma opinião que ele: quando a gente desiste de algo, é preciso estar no pódio, no máximo, no estrelato. Essa é a grande prova de resignação de um verdadeiro artista. É preciso evoluir, mudar, transgredir, encontrar outras saídas que não seja insistir no óbvio.

Existe coisa mais out-phinesse que U2? Que Rolling Stones? Deixa que eu respondo: NOT. Vergonha alheia pelo Sting velho gagá fazendo turnê mundial com o The Police. Tunda de laço no Billy Corgan que resolveu desenterrar os Smashing Pumpkins. E pensar que um dia tudo isso já foi sinônimo de qualidade e autenticidade porque, reconhecer é sábio, existia contexto. E a gente até perdoa aquela sua tia moderninha se ela ouvia isso a long time ago, mas hoje não passa de lixo radioativo.

E eis a missão de Morrissey na Terra. Desde 1988, o músico inglês canta all by himself por esse mundo, sem holofotes, plumas ou paetês. Porque embora se insista em uma fajuta tese sobre sua homossexualidade, ele é, na verdade, celibatário, para decepção de todas as bibinhas que precisam de um ídolo cool para viver. E é assim que, sem padrão ou estilo definido, low profile, mas digno de aos 50 anos aparecer nu na capa de seu novo single, “I’m Throwing My Arms Around Paris”, Morissey continua sua recôndita carreira pelo transitório e improvável, talhando letras e melodias a um nível onde nossa phinesse jamais alcançará.

Depois de um ano onde Madonna deu o ar da (des)graça por todo o canto do mundo e Cindy Lauper ressurgiu HOR-REN-DA das trevas, 2009 abre phino com um novo cd e turnês de Morrissey. E eu sei que é pobrinho baixar música na internet, mas a gente não perde pontos na escala da dignidade quando está com os ingressos à mão para o show do cantor: invejem-me. Mas baixa bem escondidinho “Years of Refusal”, que já está disponível na web. Eu faço de conta que não vi. Acredite, vai fazer um bem enorme para a sua phinesse musical. E, désolée, gostosos, Morrissey não passa pelo Brasil.

*Dany Darko vai jogar seus braços sobre Morrissey em junho, num show em Berlim que não contará com a participação de você, leitor phino. Às quartas, escreve aqui, direto do além-mar, e você morre de inveja dela.

6 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, fica aí a dica, homem phino

6 Respostas para “I’m throwing my arms around Paris

  1. Acabo de cancelar meu pedido de demissão do EBDP. Esqueci que os 1.000 pontos que perderei no sambódromo serão facilmente recuperados em junho, na cidade de Berlim, com Morrissey e Dany Darko. A vida é simples: muita teoria da dignidade no lombo e Morrissey na veia. Se é pra sofrer, que seja com classe. Dor e champanhe!

  2. L´Andreis

    Vou avisar minha terapeuta que bom mesmo para descobrir meu eu é ir morar na França. Dany está soltando as garras e está ma-ra-vi-lho-sa.

    Em tempo: não vou acompanhá-los em Berlim porque é um ano de muito trabalho por aqui. Mas estarei com os braços em volta de vocês.

  3. Ms.Riverside

    Não comentei quando o Rafa falou do carnaval, mas pensei.
    Então aproveito a Danny prá comentar tudo de uma vez só…
    O ministério do bom gosto adverte: Carnaval não é phino. Nunca.
    “O ministério do bom gosto também adverte: Sobre U2, Rolling Stones e tal – não é phino achar horrível aquilo que já te pareceu belo.
    Queridos phino…vejam que tenho discordado muito do phino, mas não me furto a ler nem elogiar os textos, ao contrário da mocinha aquela que odeia ler o phino e não mostra a cara [ou o texto]!
    À propósito de Morrissey: phinissimo, melancolia é phino!

  4. Ms.Riverside,

    que bom que você apareceu. Já estava preocupado. O EBDP não é o mesmo sem teus comentários phinos.

    Sobre o Carnaval, você está certa… Mas fazer o quê? Por isso mesmo o “em busca” no nome do wiki.

    E discordar do phino com classe é o must-have da estação. Fique a vontade!!!

  5. O outro lado

    Morrissey não vai fazer tour com os Smiths? Ouvi algo assim.

  6. igor

    ihh acho que acabamos de perder um ídolo!

    Ou será que precisamos colocar todos no mesmo balaio de gatos e nas ‘caixinhas’ estruturantes da vida?

    Ômmm…

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