Do jeitinho brasileiro ou bate forte o tambor

Torcedora promete agarrar Ronaldinho em campo

Torcedora promete agarrar Ronaldinho em campo

Por Dany Darko*

Petit-ami zapeava na televisão e me mostrou que no canal de esportes estava passando uma competição de esqui em uma estação perto de casa. Mais fascinada pelo comportamento da torcida, que assistia quietinha na pista aos saltos dos atletas, do que pelo esporte em si, comentei com ele a ausência de torcida fiasquenta, o Olodum dando show na arquibancada ou invasões da GERAU. Isso não existe por aqui -para o orgulho dos europeus.

Há alguns meses, fui a um jogo de rugby entre Inglaterra e França aqui mesmo onde moro, no pé dos Alpes. Inglaterra e França no rugby é o equivalente a Brasil versus Argentina no futebol. Para a minha surpresa, os torcedores dos dois países entravam juntos no estádio e não havia divisão entre as torcidas. Quase morri quando presenciei os franceses aplaudindo as melhores jogadas dos ingleses. E a Inglaterra ganhou o jogo, recebeu salva de palmas de todo o estádio, e todo mundo foi embora feliz, sem nenhum barulho ou aquele quebra-pau de final de partida: espetáculo de phinesse.

E então comentei com petit-ami que, no Brasil, os estádios, além de ter alambrado, contar com todo o contigente policial de uma cidade, ainda tem um fosso entre a torcida e o campo –onde frequentemente torcedores esborracham suas latas. Ele ficou horrorizado: « Mas isso é para animais! ». Ô, se é.

Bateu vergonhinha, mas expliquei para ele que o brasileiro é um povo de sangue quente, motivado pelo calor do momento e o clima tropical. Ele não entendeu. « É mais ou menos como o personagem principal do Estrangeiro, de Camus ». E, assim, ele captou que não é na ausência dos alambrados nos estádios que está a diferença, mas nos comportamentos (coletivos ou não) de cada povo.

Porque, antes que vocês me linchem, me digam se isso não é bem coisa de brasileiro:

Torcedora quer abraçar Ronaldinho em amistoso

Esquece que eu vou continuar defendendo minha raça aqui ou tentar achar explicações sociológicas, econômicas ou psíquicas pra isso: lavei minhas mãos. A próxima vez que um estrangeiro me vier com o papinho futebol-carnaval-praia-Floresta Amazônica, vou cantar « Bate forte o tambor » e caprichar na parte do tique-tique-tique-tá.

*Dany Darko até tentou, mas foi reprovada pela comissão técnica da escola e não conseguiu sair como rainha da bateria na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, no Brasil. Faltou malemolência, espírito de comunidade e, pasmem, decorar a letra do samba enredo. Amargurada, fugiu para a França, onde passa despercebida seus dias bebendo crémant. Não fala sobre esse trauma ao vivo, mas promete, um dia, comentar sobre isso aqui, numa quarta-feira fria europeia qualquer.

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6 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, vergonha alheia

6 Respostas para “Do jeitinho brasileiro ou bate forte o tambor

  1. Caroline Andreis

    torcedora Venusa Bailão, a Vani.

    Me creme, por favor!

  2. Rougée

    Dany, influenciada pelas praias nudistas europeias, só volta para o Brésil se for para ser a próxima Globeleza. Ambiciosa, quer sempre mais!

  3. dani, sorry, mas dessa vez discordo gostoso. os torcedores de futebol ingleses são os mais violentos do mundo. se chamam hooligans – http://pt.wikipedia.org/wiki/Hooliganismo

    beijos brazucas

  4. Dany, futebol e Carnaval são duas coisas que é melhor não discutir. Estão no sangue brasileiro.

    Sobre os hooligans, existem similares na França? Tenho muito medo desse povo.

    Agora rugby… hum, não tirou fotos para ilustrarmos o post?

    Bjs

  5. Clarissa, confesso gostoso: também sou uma hooligan. A “sweet and tender hooligan” 😉

    Rafa, não existem hooligans na França, não. Os franceses têm coisas melhores a fazer.

    Ai, geintem, não tirei fotos, mas deveria. Os jogadores ingleses eram uns phophos!

  6. Ms.Riverside

    “Isso não existe por aqui -para o orgulho dos europeus. ”
    Pena que europeus ou “conchinchinos” chegam no Brasil e querem ver o tal “fudunço” que na Europa ou na “Conchinchina” parece medonho… e nós é que somos os silvícolas…

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