Gala

Não essa gala, intelectual de boutique...

Não essa gala, intelectual de boutique...

Essa gala

Essa gala

Por L’Andreis*

Acabei de deixar mais um episódio de Gossip Girl. Depois que a Serena conheceu o Aaron (John Patrick Amedori), eu só consigo olhar pra ele e dizer: te aposenta, Johnny Deep. Mas, no final, quando apareceu as cenas do próximo episódio, eu só tinha olhos para os vestidos de gala que as meninas irão usar na semana que vem.

Nunca fale com uma mulher equilibrada e de bom gosto se imagens de vestidos de festa estiverem por perto. Você será ignorado, vai acabar tristonho e indo comer leite condensado de colher. Isso, igualzinho, elas fazem quando você está deixando ela de lado pela Portuguesa contra o Fluminense ou qualquer outro jogo que não interessa a ninguém. Talvez ao Jô Soares, mas ninguém se importa com gordo.

Momento da confissão: fui criada em um salão de beleza. Não vá gritar JÁ SABIA GALVÃO, porque não sabia nada. Segredo para poucos. É que, depois disso, eu fui rebelde, comunista e acho que até punk. Não, punk não, exagero. Mas agora posso falar que foi entre coques, tranças, laquê e sombra asa de borboleta que eu aprendi a amar e odiar o tal BAILE DE GALA.

Vestido que serviu de inspiração para meu primeiro

Vestido que serviu de inspiração para meu primeiro

Minhas tias-avós gerenciavam o salão mais hype do Upper East Side de Little Italy, o que me obrigava a ver sempre Rainhas da Festa da Uva, de clubes, modelos ou apenas mulheres do empresariado tornando-se deslumbrantes sempre que eu queria ganhar um presente de tia.

Eram nos BAILES que a movimentação aumentava. As moças da fila de espera para maquiagem se apertavam nos sofás, e todos os secadores tinham uma cabeça de socialite dentro. Eu ainda não tinha feito quinze anos, e todos perguntavam quando eu iria debutar. No começo eu respondia “ainda falta muito”, “daqui três anos”, até que chegou a véspera e abri o jogo: “vou viajar”. As matriarcas da alta sociedade abriram a boca e olharam para as tias, que ficaram tentando sorrir, encabuladas com tanta ousadia numa garotinha de 14 anos.

É claro que eu já curtia um tapete vermelho do Oscar nessa época, apesar de não haver internet para copiar todos os modelitos. Os mais obscuros, das coadjuvantes, ficavam de fora da seleção da Caras. E foi por isso mesmo que eu escolhi um desses como inspiração para meu primeiro vestido de gala.

Sim, porque mesmo sem ser oficialmente apresentada à sociedade, eu iria escolher o vestido e mandar fazer na costureira das Rainhas, princesas e etc. As tias estavam gostando da idéia, achando que servia um comparecimento na festa, e acho que teriam ficado contentes se eu não tivesse escolhido como pano para dar forma no decote a cor VERMELHA e ainda tinha FENDA e, assim, uma FENDA L’Andreis.

Nunca me decepcionei tanto com uma festa. Alguns vestidos eram bonitos, sim, outros muito bordados (o-de-io bordado de FLOR sem circunflexo) e terminava logo. Aquela arrumação toda no salão, as horas de espera, os meses escolhendo e experimentando o vestido. Para quê? Para chegar lá e ver os gatinhos bêbados com as primeiras doses de uísque da vida vomitando na roupinha de pingüim? Aiê.

Podem vocês pensar que eu comecei a odiar as festas de gala. Errou de novo, coração. Com a experiência, descobri que toda festa é assim, mulheres deslumbrantes e otários vestidos pela mãe. Então, atualmente, eu encaro toda festa como um baile de gala. Mal pensei em sair, já estou escolhendo o vestido, o sapato, a bolsa, a maquiagem e de que jeito vai estar o cabelo. Só não fico indo na costureira em qualquer ocasião, compro pronto. Porque eles até podem estar comprando as próprias roupas, mas nunca vão ficar tão deslumbrantes quanto nós.

Te aposenta, Johnny Deep

Te aposenta, Johnny Deep

Bom, talvez esse John Patrick Amedori possa ficar, mas só ele aparecendo aqui na Bela Vista para confirmar. (Siiiim, John Patrick Amedori, isso foi um convite, miliga).

* L’Andreis teve uma semana difícil, que só melhorou quando Aaron aceitou Serena como namorada exclusiva. A vida na Serra ensinou L’Andreis a estar sempre com o cabelo hidratado e escovado. Nunca vai aprender a passar delineador sem borrar, mas nem por isso deixa de estar aqui toda quinta, nem que seja com o risco feito a lápis.

5 Comentários

Arquivado em festas phinas, L’Andreis, moda versus phinesse, passado phino

5 Respostas para “Gala

  1. Dói não saber quem é John Patrick Amedori. Não procurarei no google. Esperarei pelos DVDs…

    Pobre Dan, não quero nem saber o que acontece com ele. Só ele me salvaria depois dessa noite.

    Um baile, por favor!!!!

  2. Caroline Andreis

    *** CUIDADO, CONTÉM SPOILER*****

    *

    *
    Rafa, o Dan está bem. E saiba que li ontem que o gatinho ali de cima vai sair da série porque o público não aprovou o relacionamento com a Serena. O que é diferente do livro, onde o Aaron fica para sempre sendo meio-irmão da Blair. E olha essa, Rafa: no livro, o Dan é bi.

    *

  3. Adorava vestidos de gala, embora odiasse os bailes e os saltos altíssimos que massacravam os pés. Fui a muito convescote e dancei com muito bofe descordenado só para poder me achar linda nos longos.

    Já Gala Dalí (que o editor difamou na legenda), junto com Françoise Gilot e Maria Codama, são minhas musas, minhas ídolas, meus maiores alvos de inveja.

  4. Carol Andreis

    não te preocupa, Liana, gostamos da Gala Dalí, porém é sempre bom lembrar que aqui não é o Noblat. =)

  5. Gala era inteligente, perversa, manipuladora e interesseira.
    Quer coisa mais phina?

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