Slumdog Millionaire e a tendência universal à favela

Favela: até nisso resta ao Bananão o campeonato moral

Favela: até nisso resta ao Bananão o campeonato moral

Por O Outro Lado*
(Em Busca do Feno)

A tendência à favelização da nação brasileira é um assunto inesgotável. Poderia discorrer por 30 tomos sobre como todos os vetores, do povo ao clima, nos empurram para o comportamento sem vergonha que erige casebres sobre encostas de morros periclitantes e nos mantém sempre próximos da barbárie e dos desmoronamentos, dos valores morais às construções.

Não vou nem começar a falar sobre o caso da brasileira que se cortou com estilete na Suíça porque teria que dissertar sobre o histrionismo feminino, além do caráter brazuca e especialmente de nossa inconfundível conduta em países estrangeiros, da Disney à Champs Élysées.

A verdade indiscutível é que esta aspiração à favela já não se limita mais às nossas fronteiras. O aquecimento global democratiza os trópicos para todos os povos, todos suam e, portanto, requebram cada vez com mais ginga. Barack Obama subiu ao trono dançando um twist com a mulher e levou o recado ao mundo: agora é esquecer a pouca retidão de caráter que ainda cultivávamos e instalar o “não dá nada” como nova ordem mundial.

Com o calendário determinando o clima de telecoteco, os Oscares deste ano consagraram inexoravelmente a favela. Slumdog Millionaire (SM), com o hipócrita título brasileiro “Quem quer ser Milionário” (o mais coerente seria O Favelado Milionário), é a estréia da favela como tendência estética universal.

Não a bem humorada e francamente criminosa favela de Cidade de Deus, que esta serviu apenas para lançar a tendência e fazer o gringo olhar e dizer “que legal, é isso que é verdadeiro”. SM é a favela que gera garotos muçulmanos espertos, que dançam a dancinha do terceiro mundo e encantam a gringalhada. Todas as tias de olhos azuis babaram pelos olhos castanhos de Salim e Jamal. Os marmanjos flácidos amaram os traços perfeitos de Latika.

A academia e o mundo abraçou a favela de Mumbai retratada de forma apetecível por Danny Boyle. O Oscar tem este poder. Colocou o idiotismo como ordem mundial ao premiar Forest Gump e assim foi e está sendo.

O que SM nos mostra? Praticamente nada além de Cidade de Deus, exceto que todos os países do chamado terceiro mundo são exatamente iguais. Supostamente catalizada pela pobreza, a criminalidade emulsiona os dramas.

Roubamos, mendigamos, exploramos e nos maltratamos porque somos pobres. Mentira, tá no DNA do ser humano. O natural não é a phinesse, não é o caráter. Natural é usar chinelo de dedo. O mundo finalmente está vendo isso com alguns graus a mais e geleiras a menos.

Os países que dominarão o século 21 são os Brics, e o Bananão está entre eles. Mas, naturalmente, como a fraqueza de nosso caráter determina, não será a posição de liderança que o bananeiro patriota almeja. Estaremos lá pelo terceiro ou quarto lugar, atrás de China, Rússia e, é claro, da tão em moda Índia.

Favela de verdade é na Ásia, nem nisso nos destacamos. Resta ver novela das oito.

*O Outro Lado freqüenta favelas há 28 anos e sabe que faz parte delas. Saiu de um luto de duas semanas e já requebra ao som de nossa mistura homogênea de ritmos, raças e caráteres.

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8 Comentários

Arquivado em Em Busca do Feno, fica aí a dica, O Outro Lado, tendência

8 Respostas para “Slumdog Millionaire e a tendência universal à favela

  1. Entendi agora o que faz aquele trecho em castelhano na música tema do filme! O compositor indiano, como o resto do mundo, acha que a república do bananão fala espanhol e fez uma homenagem suingada à favela brasileira.
    Pra quem não ouviu a musiquinha-chiclé que ganhou o Oscar, taqui no 6ª SSS

  2. Ms.Riverside

    Slumming tá na moda… acabou a phinesse tradicional… que pena.

  3. Pingback: Favela é coisa phina « Sextasessao’s Weblog

  4. E, pasmem, tem gente saindo da Zoropa e do Zéua pra fazer estágio na Rocinha. Não porque a consciência exige, mas porque está na moda. Virou ponto turístico…

  5. arran. tão chamando por aí de “turismo exótico”. http://www.favelatourismworkshop.com

  6. Ainda continuo pensando no filme, na coluna do Feno e na Índia. Lembrei que há uns dois anos apareceu o pedido de “amizade” no orkut de neurocirurgião de lá. Cara educadinho e com inglês bom.
    Daí os amigos dele, menos educadinhos e com inglês pior, começaram a me adicionar. Eles criaram até uma comunidade Brasil-Índia. Detalhe: só homens indianos e mulheres brasileiras… sacou, né?

  7. Ms.Riverside

    E o slumming English no site http://www.favelatourismworkshop.com , deve ser prá combinar com o slumming tour… podiam ter contratado um(a) tradutor(a) ou um(a) revisor(a)

  8. cassio

    agreed

    (good to have you back)

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