Sem dignidade e sem meu bem

Não sou eu, não, é Belucci, mas serve pra ilustrar

Não sou eu, não, é Belucci, mas serve pra ilustrar

Por L’Andreis*

Ontem, quando resolvi passar no mercado de volta pra casa, eu não tinha ninguém para agradar com doces e iguarias. Quando me dei conta disso, corri para o corredor da perda total de dignidade: A BOMBONIÉRE.

Sempre gostei do nome. Na minha casa de infância, os doces ficavam no bar, junto com as bebidas alcoólicas, dividindo o glamour e a censura. Comer aqueles bombons não era para o dia-a-dia, e eu ainda não tinha a desculpa da TPM para devorar qualquer coisa de açúcar que encontrasse.

Quando eu peguei o pote de Pringles, lembrei do Rafa e da pontuação de dignidade e quase devolvi na prateleira. Ainda por cima, não tinha a de Páprica. Mas foi, mesmo assim, para a cestinha ficar do lado da maior perda de dignidade que o Zaffari pode vender: Torta de Sorvete, A Autêntica.

Meu marido viajou e levou toda a phinesse da casa. É lingerie confortável pra cá, camiseta velha da cama pro sofá. A louça se arruma depois, o cabelo é só prender. Quando que eu iria imaginar que casamento trazia dignidade para o dia-a-dia ao invés de pasmaceira?

Os gatos entraram na mesma onda e quase deixaram de ser felinos. Não param de pedir carinho. Obviamente, quando estou trabalhando, não posso usá-los para tapar a carência. Se eles, talvez os bichos mais dignos e phinos da natureza ficaram assim, não posso me culpar tanto. Humanos perdem pontos de dignidade com muito mais facilidade.

É interessante que, quando morava sozinha, Rafa e Dany sabem, era muito bagunceira. Minha organização se dava da porta pra fora. Casar aumentou minha pontuação. Sei usar a vassoura, a hora do lixo. Roupa sempre limpa e passada (ok, isso Lorena, nossa faxineira, providencia).

Naquela época, eu fazia da minha casa uma BOMBONIÉRE e só comia o que me dava vontade. Além de pele ruim e quadril, a calculadora ficava no negativo. Foi casar, e sempre tem que ter salada na mesa.

Dados os fatos apresentados, faço um pedido público ao marido: volta logo e traz contigo frutas, verduras, organização e alguns pontinhos, senão vou acabar tendo que acordar cedo todo o final de semana para correr na Encol.

*L’Andreis só abre o coração assim uma vez a cada ano bissexto -ou todo mês, quando a TPM bate. Escreve aqui todas às quintas. Excepcionalmente hoje, mal vestida e mal penteada.

9 Comentários

Arquivado em lar phino lar, L’Andreis, sentimentos phinos, teoria da dignidade

9 Respostas para “Sem dignidade e sem meu bem

  1. É isso que chamo de “public displays of affection”. Mas não fui muito a favor, não, L’Andreis. Estamos à prova da phinesse também na solidão e no aconchego do nosso lar, mesmo “home alone”.

    Mas se é pelo teu bem e em nome da phinesse, quem sou eu para não torcer para que maridão volte?

    VOLTAAAAAA!!!!

    Momento confesso: achei bonito e sincero. Estou tocado. Agora perder a phinesse, jamais, gatinha. Bora colocar fora essa Pringles!

  2. L´Andreis

    Sim, amigooooo! Terrível a pessoa comer sem phinesse.

    Preciso de disciplina. =)

  3. Di

    Tem dias que acordamos com esses pensamentos… mas lembre-se que a saudades apenas é a prova de quanto gostamos das pessoas!

    Com marido em casa ou não, deixa a Pringles na prateleira do Zaffari!

    😉

    Ótimo post querida!

    Beijo

  4. Acredito que tu seja bem mais forte que a latinha de Pringles!

    Força! Muita força! hehehehe =]

  5. ontem conheci LFV (sim, luis fernando verissimo) e andré dahmer (malvados) e nem assim algo me impede de voltar. ficar conhecendo gente assim todo dia não me impediria de voltar.

    agora se tivesse vasco x flamengo todo fim de semana….

    brincadeira.

    guarda uma pringles para mim.

  6. L´Andreis

    Obrigada, queridos.
    =)

  7. L´Andreis

    Coitadinho, acha que sobrou Pringles.

    =)

  8. Volta, Alexandre.
    Volta, Em busca do feno.
    Volta, Tici.
    Até aquele chefe que está de férias, volta.

  9. Rougée

    L’Andreis, concordo com o povo phino e digno: deixa a Pringles na prateleira. Se a tentação foi maior, na próxima vez que for ao Zaffari, não se atreva a subir na balança (até pq a balança do Zaffari é eternamente desregulada).

    Ah, e se for correr na Encol (corra, L’Andreis, corra) sugiro um post sobre roupas de ginástica.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s