Em busca da sensualidade

Por Rafa*

Levantei e fui (/SextaSessão). E, no meio do corre-corre da semana, quando finalmente consegui meditar, me dei conta de que sou deveras especial. E a tristeza, finalmente, foi-se embora. Fato: sou charmoso quando quero, divertido, inteligente, tenho bom gosto. De vez em quando, até me acho bonito. Tem dias que aceito de bom grado o adjetivo gostoso. E paramos por aqui.

Mas fazer a sensual não é comigo, definitivamente. E, às vezes, é o que deve ser feito pra resolver certos probleminhas. Exemplo: a conversa com aquele gatinho tá indo bem, etc, etc. Pra fisgar a presa, só falta aquele olhar matador. Ou aquele sorriso malicioso. Uma roçadinha de leve também pode servir.

Nada feito. Não consigo.

Sou desajeito, olho pra baixo. Ainda bem que esse meu jeito agrada a muitos (thank God).

Não sei se não ter adquirido o dom da sensualidade tem a ver com a minha turbulenta adolescência, cara cheia de espinhas, magreza absurda, membros inferiores e superiores desproporcionais.

Um belo dia tudo se ajeitou.

Os hormônios se aquietaram. A pele foi melhorando, os cabelos ganharam o devido corte, as roupas deixaram tudo melhor.

Sensualidade? Não passou nem perto de mim. Talvez na próxima encarnação.

sex appeal com zero esforço

sex appeal com zero esforço

Teve uma vez, na praia, que eu até achei que fosse ela, me supreendendo. Na balada, gatinho vem a mim. Diz que tinha decido ficar comigo depois de me ver dançando funk no palco do quiosque. Achei estranho, e pensei: “sensual, eu? oba!”. NOT. “Te achei com muita personalidade”, resumiu o moço.

(O Ministério da Phinesse adverte: dançar qualquer dança à beira-mar destrói qualquer dignidade.)

Não me queixo. São poucas as pessoas que sabem fumar um cigarro sem parecer vulgar, usar um batom vermelho ou um decote. Sensualidade é algo que a pessoa tem ou não. É para poucos, assim como a phinesse, e não se conquista com treinamento na frente do espelho. Não adianta ler revista feminina nem tentar curso com personal sex trainer. Nem vai ser no EBDP que você vai aprender também.

Bem sei.

É por isso que eu prefiro o amor à paixão. No amor, a gente fala a verdade, evita os joguinhos. Na paixão, vale mentir, esconder, fugir. No amor, tem que estar sempre presente, tudo tem que ser dito, falado, conversado, trabalhado. Na paixão, as ausências muitas vezes têm que ser propositais, a coisa tem que esquentar -se possível, até pegar fogo.

O amor até pode ser morninho. A paixão queima, etc, etc. O amor é charme. A paixão, sensualidade.

E dá-lhe clichê. Ad infinitum.

Então escolhi o amor. E, para não ter que me aventurar na noite com caras e bocas que não tenho, tentei a todo custo manter um namoro com todas as minhas forças. Não sei de onde tirei, deve ter sido da revista Nova. A palavra de ordem naqueles dias tristes era APIMENTAR a relação.

Sentiu o fracasso chegando?

Eis que um belo dia resolvo deixar o relacionamento mais caliente. Sex shop? Nada. Saio em busca da salvação nos brechós da João Pessoa (proibido!), na minha querida Porto Alegre. Era início da década. (Eu era jovem, por favor, me dêem um desconto.)

Em casa, tomo um banho demorado. Fico cheiroso. E me visto. A espera é tensa, dramática. Quase desisto da surpresa.

Namorado chega e me olha. Tento ficar sério. Faço cara de mau. Mas não dá. Derrota. Ele ri e pergunta: “o que é isso?”

Um forte constrangimento toma conta do meu corpo. E lá vou eu tirar minha roupa de militar e meus coturnos. Em silêncio. Para nunca mais usá-los.

*Rafa escreve aqui às segundas e não quer entrar em detalhes sobre o que aconteceu naquela noite.

13 Comentários

Arquivado em lição de vida, Rafa, teoria da dignidade, vergonha própria

13 Respostas para “Em busca da sensualidade

  1. colega maluca 1

    Rafa, não consigo te ver nos brechós da João Pessoa.. Olha, se é para compra coturnos, melhor ir la lojinha do Exército, na Bento Martins, onde soldados (de verdade) jovens te atendem, vai por mim

  2. Sabe o que é pior que comprar um artigo de vestuário para deixar o namorado “apimentado” e só conseguir fazê-lo rir?

    Comprar o artigo, chegar em casa, vestir antes do encontro, olhar no espelho e tu mesmo cair na risada.

  3. Confesso que fiquei curiosa com relação ao restante da noite militar…

    Rafa, tu me diverte muito!

  4. Eu fico cansada só de ouvir falar em “jogo da sedução”.

  5. Di

    Também acho que na vida a gente deve optar pelo amor… Ele é muito mais difícil que a paixão, mas com certeza muito mais compensador!

    Bom te ver melhor Rafa!

    Abraços e boa semana…

  6. Julia

    sei bem como é, eu tento, mas até assim é desastre rsrssrss mas eu não desisto nunca!

  7. L'Andreis

    Como tu sabe, único dom que a natureza me deu é saber usar decote, tá, e também “um certo ar cruel de quem sabe o que quer”, mas todos meus namorados gostavam mesmo era de me ver de tip top assistindo TV no inverno.
    Doces lembranças. =)

  8. L'Andreis

    Ai, nem tinha visto! Agora temos RSS! RS Sexy. =)

  9. Carla_Bal

    Tu nunca teve ccoturnos….
    Usou o meu, é?!!?!
    Hahahhahahahahahahha

    Que dia tu vem?

  10. E eu achando que as tuas andanças pelos brechós, naquela época, era puro charme vanguardista…
    E era, também.

  11. Ms.Riverside

    Também prefiro o morninho… sou muito faca na bota prá fazer esse jogo de sedução.

  12. Pingback: Paixão é uma chatisse « Em busca do phino

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