O dia em que meu castelo desmoronou

Residência senhorial dotada de fortificações

Residência senhorial dotada de fortificações

Por Donzela*

Eis que, depois de mais ou menos cinco anos, voltei a introduzir (ui) meu corpo em um apartamento do Motel Medieval, que fica em Porto Alegre, Zona Norte, fundos. O glamour da fachada continua intacto – adoro a vibe castelo, portão de ferro, tijolos, escadinha de caracol que leva pro quarto. Nada de neon, de motel com cara de garagem de condomínio de classe média.

Entrar lá me trouxe uma certa nostalgia. De um tempo em que eu era mais jovem, mais inocente e menos phina. Na época, 23 anos, eu era a amante. Do chefe. Casado e (bem) mais velho. Ou seja, praticamente uma reportagem da Marie Claire. Sim, admito. Nada mais over que ser amante. E do chefe! Eu deveria estar em posição de destaque n’O Grande Livro dos Clichês.

Para quem tinha 23 anos e ocupava a posição de amante, eu era uma menina muito dócil. Fazia tudo o que o meu mestre mandava. Não ligava, ele me procuraria. Não pedia, ele me daria (atenção, evidentemente, já que sempre fui muito metida – era uma amante pobrinha e que ainda pagava o motel de vez em quando). Fui até no aniversário dele, promovido pela mulher.Ou seja, fazia a donzela, linda e loura.

Isso era um bom arranjo e não era. Era porque eu era livre, ele não me fazia cobranças, assim como não fazia promessas. Por outro lado, homem casado é o fim, né? Nunca pode, nunca dá. E, dois anos depois do começo, de um jeito que nem eu sabia, isso começava a incomodar.

A bebida – ah, sempre ela – um dia me fez perder a phinesse. Depois de passar a tarde em um clima Vitor Fasano, bebericando cervejas de boa procedência em um deque de frente para a praça da Encol, meu amo e senhor telefonou e disse que ia me buscar onde eu estava. Aquiesci, naturalmente. E ele me buscou e levou para o castelinho. Lá, ainda bebemos mais uma espumante.

E aí, meus amigos, a coisa pegou fogo. Reclamei que ele havia andado desaparecido nos últimos dias. E ele só disse que andava ocupado. Choraminguei que ele não tinha mais tempo pra mim como no começo. E ele somente me olhou de forma oblíqua – sabem como é?

Então, fiz a amante clássica: disse que estava cansada de nunca tê-lo por perto. Que queria poder ligar pra ele, ao menos. Aos gritos. E ele me olhava e pedia calma. “Calma?! Calma?? Chega de calma”, gritou a bêbada descontrol. E – pasmem, joguei uma taça na parede, desci as escadas de caracol correndo e me escondi na portaria do motel, em prantos.

Atônita, a recepcionista nem disse nada. Pedi a ela que mentisse pro cara, que dissesse que eu havia pegado um táxi. E fiquei ali, sentadinha, abaixada, descabelada, enquanto ele pagava e saía, provavelmente horrorizado.

O foda foi a cara do taxista quando foi me levar de volta pra civilização.

Só passando cinco anos sem aparecer mesmo.

  • Donzela é uma jovem solteira, mas já teve muitas relações sexuais.

8 Comentários

Arquivado em contribuição phina, lugares com PH, sentimentos phinos, vergonha própria

8 Respostas para “O dia em que meu castelo desmoronou

  1. Engraçado. Fui a um motel (de qualidade) apenas uma vez na vida. Eu era jovem, era um sonho.

    No meio do Carnaval, moço de idade mais avançada (talvez a minha atual) me leva para conhecer um. No carro, avisa que não pode me levar pra sua casa, pois é casado.

    Pra vcs verem, era a minha primeira vez em um motel, era a primeira vez como amante. Dias depois, vou saber que o cara era marido de um conhecido bem próximo, que até hoje não me vê com bons olhos.

    Coisas da vida…

  2. vivi

    ir a motel e ser amante são duas coisas muito bregas, mas que todo mundo já viveu ou irá viver.

  3. Di

    Experiências de uma vida…

    Boa quinta-feira!

    Beijos

  4. ir a motel e ser amante são duas coisas muito bregas, mas que todo mundo já viveu ou irá viver [2]

    com muita falta de phinéssi, confesso que estou com saudades de um bom motel.

  5. Ms.Riverside

    olha… se o motel é “dos bão”, melhor esquecer a phinesse e aproveitar!

  6. ana maria rosa ferreira

    Amiga Donzela. O seu sofrimento durou 02 anos. O meu foram 10 anos! larguei tudo na minha vida para ser amante de um homem casado,mais velho e que tinha sido meu chefe. Ele não me cobrava, não demonstrava ciúmes. Ele tinha uma casa no interior(onde ficava só) e outra na capital(com a família)Nunca me prometeu nada. Quando cobrei ciúmes de outra mulher. ele me disse: Eu não sou fiel a minha esposa, não posso prometer fidelidade a vc.! Eu vivia na casa do interior às escondidas de segunda a sexta-feira.Tínhamos uma química sexual que nos fazia ficar na cama o tempo todo(nos horários de folga dele). Deixei de trabalhar, estudar. Foram 10 anos só de sexo. E foi ele que terminou tudo(já tentara antes e eu resistia). Depois, me casei,tive um filho e fiquei viúva. Saí materialmente e emocional arrasada dos dois relacionamentos.Estou com 40 anos,com um filho de 04 e vivo na maior dificuldade. Meu ex-amante me ajuda mensalmente. Eu ainda o amo. Sei que ele nunca me amou. Era tudo desejo. há quatro anos que não o vejo. Sua comunicação é por telefone e deposita minha mesada no banco e pronto! ainda assim, é o meu único amparo.Não tenho parentes. Estou há quatro anos sem ter uma relacionamento com homem nenhum e a masturbação é a minha saída. Ana Rosa

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