Lavou, admirou e tá novo

“Tanto usou que abusou de mim / Se aproveitou de tudo que pôde / Quis até o que eu não tinha”

“Tanto usou que abusou de mim / Se aproveitou de tudo que pôde / Quis até o que eu não tinha”

Por O Outro Lado*
(Em Busca do Feno)

Uma acusação muito comum de se ouvir é um magoadíssimo “você me usou”. Especialmente utilizado em finais de relação, quer dizer que você se aproveitou de alguém sem a devida vênia ou sem a compen$ação adequada. Chupou a carne e cuspiu o caroço. Coisa bem baixa mesmo. Ora, é uma coisa meio ingênua que se diz. Senão, uma amizade verdadeira não seria a mais saudável forma de troca de interesses. E é uma troca de interesses. Pelo menos eu creio que sim. Há, no entanto, um fator que discerne uma coisa da outra.

Em uma amizade ou uma relação maior, você tem uma espécie de habeas corpus para se aproveitar do outro com um sentimento chamado admiração. A amizade e qualquer relação afetiva transcende a simples conveniência por esta coisa de olhar para o outro e achar sua aparência agradável, ou reconhecer suas realizações, ou, principalmente, simpatizar até com os defeitos. A paixão verdadeira é isso, gostar do outro justamente pelo que os outros criticam. Depois que você é capaz de se enternecer com uma louça esquecida em cima da pia, tem todo o direito de transferir o salário do seu homem para sua conta.

O dia-a-dia é um grande assassino da admiração. E o pior é que não a mata de uma vez, tornando fácil e preciso o instante em que acaba a mágica de encarar os desvios como charme. Pouco a pouco vai irritando cada copo sujo esquecido ao pé da cama, o fio dental no ralo da pia, o hálito que fica pior a cada despertar. Precisamos de novidades mas é a mulher que acaba pressionando por elas quando sente falta da emoção. Há algo no estrogênio que torna legítimo à mulher que seja ela a fazer suas cobranças. Este ponto os antigos costumavam chamar de fim da picada.

Todo mundo usa, usou ou usará alguém, e não há nada de errado nisso. O problema consiste em despertar o encanto e a admiração do ser usado por você. Desta forma, nem ele nem você sentirão o desgaste do uso. Lavou, admirou e tá novo. Namoro, casamento, amizade e até aquela relação de vagos conhecidos. Estimule a admiração dos outros por você e seja feliz.

*O Outro Lado viveu hoje seu dia de Martha Medeiros. Repórter e dândi, tenta estar sempre em dia com seu charme há mais de 28 anos. Seu texto é usado por aqui às terças.

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4 Comentários

Arquivado em Em Busca do Feno, homem phino, lar phino lar, O Outro Lado, relaçã? sã?, sentimentos phinos

4 Respostas para “Lavou, admirou e tá novo

  1. Que coisa lúcida e verdadeira e bonita. Os homens do EBDP estão numa semana inspirada.

    “Em uma amizade ou uma relação maior, você tem uma espécie de habeas corpus para se aproveitar do outro com um sentimento chamado admiração. ”

    Passo a me considerar detentora do habeas.

  2. “Estimule a admiração dos outros por você e seja feliz”

    Coisa mais maravilhosa do mundo!

  3. Di

    Certamente seguirei os conselhos phinos!

    Ótimo post!

    Boa semana

  4. Pingback: Todo mundo usa, usou ou usará alguém « Sextasessao’s Weblog

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