Ministério da Phinesse adverte: não tem calcinha na França

Se a gente mostra é porque tem orgulho

Se a gente mostra é porque tem orgulho

Por Dany Darko*

Quando eu comecei a preparar as malas para vir para a França, recebi esse conselho de várias meninas que haviam viajado pela ZOROPA: leve muitas calcinhas. Me advertiram que, aqui, eu não encontraria a principal especiaria brasileira, nos tamanhos e proporções utilizáveis para qualquer ser humano. Eu acreditei mais ou menos e trouxe uma quantidade normal, para que o serviço de imigração não suspeitasse que eu fizesse parte de algum tráfico de LANGERIS.

Logo que cheguei, passava pelas lojas e não notava nenhuma grande diferença entre as calcinhas francesas e as brasileiras. Na vitrine, elas parecem inofensivas, até porque dificilmente você vai ver a derrière delas exposta: bunda é coisa de brasileiro mesmo. E minha certeza e tranquilidade durou até o dia em que precisei comprar essa vestimenta íntima. Eu olhava para as vendedoras, segurando os dois únicos tipos de modelo que existem aqui, e perguntava: “mas vocês não vendem calcinhas normais na França?”. Ninguém entendia o meu drama.

Então resolvi conversar com as PEÇONHAS francesas sobre isso. Mas nenhuma delas desvendou o mistério da calcinha encantada. “Que tipo você usa, afinal?”, elas me perguntavam. “A brasileira, só a brasileira”, eu respondia. E, assim, eu dava margem a um milhão de idéias pornográficas sobre as nossas inocentes LANGERISSES (no plural).

Numa roda de conterrâneas, lancei o mesmo assunto e qual não foi minha surpresa ao ser tão compreendida! Toda a brasileira expatriada tem sua própria epopéia sobre suas vestimentas íntimas e a dificuldade de se adaptar ao sistema francês do underwear. E aí, confessei: “minha mãe manda as minhas pelo correio”. Expliquei que essa foi a única saída que eu encontrei para não andar mostrando as minhas vergonhas por aí.

De vez em quando, pego o telefone, ligo para o sul de Santa Catarina e peço: “Mãe, mande calcinhas!”. Descobri que outras brasileiras também apelam para o mesmo método, e tem até quem encomende roupas íntimas com os pais ou conhecidos dos conterrâneos que vêm passear por aqui.

E, em solidariedade a todas as descalçoladas brasileiras no exterior, desvendo os mistérios das underwears francesas, que, aqui, são denominadas de petites-culottes. Soa bonito mas a gente sua pra usar. Porque, basicamente, elas se dividem em dois tipos:

Calça de vó: Se a sua vó for moderninha, pode ser que nem mais ela utilize esses modelos. Talvez as vós das nossas vós utilizassem. Mas, aqui, isso ainda é uma opção (ou obrigação se você não sucumbir ao segundo tipo – calma, já digo qual é!). As calças de vó tapam toda a bunda, descem até a coxa, sobem quase até a cintura e ainda ficam largas na derrière, tipo neném de fralda. Nunca adquiri nenhum exemplar delas: ainda não cheguei na idade.

Vó, essa é você ou sou eu?

Vó, essa é você ou sou eu?

String: Preciso descrever? Toda a PEÇONHA que se preze tem um string guardado para vestimentas e/ou ocasiões especiais. Já vi homens franceses de string na praia. Tem até uma marca de lingeries francesa feminina que fabrica string para homens. Mas vamos estabelecer que esse underwear tem um limite de utilização: dói, né? o desconforto.

Tá difícil a concorrência!

Tá difícil a concorrência!

E podem procurar here, there and everywhere que não tem jeito de achar o meio-termo entre a vó e o string. Agora, imaginem quando a idade pega e a gente pode virar uma vó de string! Jesus Luz me livre. E mãe, continue mandando calcinhas!

Os biquínis europeus também seguem a mesma regra, com a exceção de que eles só existem na obrigação opção número vó. Lembram da foto da Carla Bruni de biquíni que publicamos há algumas semanas? Sextasessão chegou a propor até um wardrobe remix.

Wardrobe remix: porque não rolou entrar na água de biquíni branco

Wardrobe remix: porque não rolou entrar na água de biquíni branco

Não sei onde a primeira-dama compra os dela porque nunca vi daquele tamanho por aqui. Mas vocês perceberam o pequeno detalhe da falta de um forrinho básico, não? E então que, para aumentar o desespero das brasileiras descalçoladas, os biquínis aqui, além de feios, são transparentes. Mãe, mande biquínis também!

Então, amigos phinos, anotem no seu guia de viagens para nunca esquecer de levar calcinhas e biquínis para a Europa. A dica serve para todo mundo. Inclusive para meninos que vão visitar amigas no exterior (oi, Rafa!).

Uma brasileira expatriada sempre está no seu limite do estoque da petite-culotte e de seus maillots de bain. Essas vestimentas sempre vão ser bem-vindas como presente porque são necessidades básicas por aqui. Não permita a suas conterrâneas de andarem peladas e transparentes pela ZOROPA. Deixemos esse privilégio só para o nosso Carnaval.

*Dany Darko tem sambado, enlouquecido e se descabelado por conta de sua dissertação de master. Subindo ou descendo do salto, nunca esquece de colocar uma calcinha bem bonita. Reserva as de seda e renda para as quartas-feiras, e as rosas, de algodão, só mostra aqui, nos outros dias.

PS: Divagações sobre o mesmo tema aqui, por SextaSessão.

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14 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, fica aí a dica, moda versus phinesse, mulher (realmente) moderna

14 Respostas para “Ministério da Phinesse adverte: não tem calcinha na França

  1. Ai meu Deus! Eu já havia prometido uma La Perla pra SextaSessão. Pode ser uma mais baratinha pra ti?

    Bjs!

  2. Sad but true! A gente olha aquelas lojas fofas, cheias de coisas legais e acha que vai poder comprar à vontade roupas íntimas europeias! Grande engano!

    Na minha primeira vez (primeira compra, calma) a vendedora me veio com a string e eu perguntei se não tinha algo maior. Ela respondeu que aquela era a cuequinha (tem mais essa, calcinha aqui é cueca!) do modelo brasileiro! Eu tive que rir. Daí depois da string só tinha a de vó.

    Outra: coisa mais horrível é ver “cofrinho” com string! Blargh, coisa mais comum que tem (na academia então…). Ninguém merece ter que ver aquele “T” aparecendo no rego das moçoilas.

  3. taí uma coisa que eu nunca tinha imaginado. incrível como o que importa mesmo na vida, só empiricamente.

  4. bruzundanga

    Olha só, encontrei calcinhas “normais” no subsolo da Galerias Lafayette (perto da entrada que vai direto do metrô). Elas são vendidas como modelo brasileiro e tem o mesmo preço das de algodão. Te joga!

  5. Sou defensora do tipo string. São como sutiãs, umas são desconfortáveis, outras não. É uma questão de tamanho e material certos (renda não, pliiis).

    Agora, Dany, faltou dizer o tamanho da calcinha. Como vamos providenciar o estoque que o Rafa vai levar sem saber o teu número?

  6. Di

    Post engraçadíssimo!

    Muito bom Dany…

    Beijos

  7. Di

    penso que vender calcinhas brasileira na Europa vai dar dinheiro! Olha a muambaaaaaaaaaaaa! hahahaha

  8. Amiga comentou o post da Dany comigo pelo msn e achei uma pena ela não fazê-lo por aqui. Combinamos que eu o faria, sem identificá-la:

    ela diz:
    eu definitivamente preciso comprar novas.. tenho aos montes calcinha cor da pele.. e velha, pior.. outro dia fiquei com muita vergonha: dancei com um gato amigo do namorado da minha amiga e tava com uma dessas, tipo, aposto que dá perceber, ainda que o dançarino seja um gentleman..

    eu digo:
    bota tudo fora

    ela diz:
    aliás, tenho uma teoria na minha cabeça: não me ligou nunca mais por causa disso!

    eu digo:
    ele nao sentiu

    ela diz:
    sentiu sim.. a calcinha é gigante..
    fica alta na cintura, e eu tava usando um vestido, então se percebe..

    eu digo:
    ele não deixou de te ligar por causa disso, pelamordedeus

    ela diz:
    claro que não, né.. mas sabe as paranóias que surgem quando alguém ou não pede teu telefone ou pede e não liga..

    eu digo:
    deve ser porque nao gostou de ti mesmo

  9. Esse diálogo me cheira ao filme “Ele não está tão afim de você”, que não verei…

  10. Rafa, o filme é até divertido…

    Dany, post ótimo! Essas calcinhas francesas, além de desconfortáveis, significam falta completa de amor pelas partes íntimas! nada nada phino! hehehe

  11. estou imaginando homens + pelos + string. mesmo gostando de homens e de pelos a presença da string acabou com toda e qualquer fantasia…

  12. Denise

    Dany, na Austrália é absolutamente IGUAL!!! As calcinhas são gigantes e normalmente tem um desenhinho na frente (coraçãozinho, gatinho, à sua escolha!). Maaaas, toda cidade tem a suas “strings shops”: aqui, as menores e mais bonitas calcinhas são encontradas nos sexshops da Kings Cross, o bairro das drogas e da prostituição de Sydney!

  13. NOOOOOOOOOOOOOSSA SÃO LINDAS ADREI !

  14. Hannane

    E quanto aos sutiãs?

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