Phinesse virtual: porque nem só de wikiphino vive a rede

Babushkas em leilão virtual: www.babushka.com.br

Babushkas em leilão virtual: http://www.babushka.com.br

Por L’Andreis*

Em 1999 eu instalei o ICQ em minha vida. Você, jovem, não sabe o que perdeu. A sensação de desbravar o mundo das conversas instantâneas foi ó-te-ma. Eram dezenas de florzinhas verdes enviando mensagens piscantes , distribuindo alegria no coração da menina do interior que tinha ido morar na cidade grande sozinha.

Foram bons meses. Logo depois, uma mania feia e chata tomou conta do ICQ: o invisible. Todos tinham taaaaaantos amigos que ficavam invisíveis para vários deles em nome de privacidade ou fazeção mesmo, já que naquela época ninguém tinha compromisso com nada e poderia falar com muita gente por muito tempo sem prejuízo algum.

A ida para o MSN foi dura. Por algum tempo tivemos que nos revezar entre as flores e os bonequinhos da Microsoft. Depois de adaptados a mais uma novidade, os blogs surgiram como rede de fofocas e chororô. Era um “ele colocou uma letra de Vinícius no blog dele, deve estar apaixonado” pra cá, um “ela colocou uma letra da Hole no blog dela, tá puta” pra lá. Ser phino nesta época era fazer parte de um coletivo com audiência. Para entrar em um destes, era preciso qualidade e originalidade.Tive meu momento country club da internet com a Fraude e o Insanus. Se era para ser de um clubinho, que fosse um de vanguarda, pensava.

Esta semana, o Interney, um moço com um nome nada phino, Edney, que virou fenômeno na internet por falar a linguagem que o pessoal que consome blogues quer ouvir, no caso, a de tecnologia, publicou um texto sobre como ser popular também no Twitter, uma ferramenta de publicação online que preza pelo instantâneo. No Twitter você pode seguir vários perfis e ver na sua home as atualizações de todos eles. O Em Busca do Phino tem um, claro, mas, ao contrário do Interney, não temos interesse em milhares de seguidores.

Phino mesmo é beneficência online

Phino mesmo é beneficência online

Se houve uma coisa que meus olhinhos míopes aprenderam na internet nestes quase dez anos de consumo hard foi que primeiro, se usa muito inglês pra ficar entendido na rede, e também que popularidade faz mal à phinesse. Não que eu não comemore quando o EBDP recebe 400 visitas em um dia, mas é que o legal da internet é a troca. E dar atenção para tanta gente não rola.

Tem coisa mais querida que responder cada comentário do blog? E ler os twetees de todos os seus amigos? Mais simpático e phino ainda: não precisar bloquear nenhum dos seus contatos no MSN, porque você não teve um surto de rock star e só tem ali pessoas com quem você tem prazer de falar e dividir “uma mensagem pessoal”.

Por isto, nesta nova onda de Twitter e tudo que dele vai se originar, vou continuar tendo mais seguidores do que seguidos em nome da phinesse. Vou tomar o partido da Cris Dias que foi phina ao afirmar que “Se você segue 10 mil pessoas no Twitter você está enganando 10 mil pessoas”.

Esta outra vida, a virtual, toma um baita tempo e por isso mesmo é bom esbanjar dignidade, ok? Nada de buscar ser o mais acessado, de falar com gente que escreve axim , com pessoas (sim, são pessoas, caso alguém se esqueça) que têm gostos e referências que você abomina. Se você não sai por aí falando com as pessoas na parada de ônibus, não adiciona qualquer um no Twitter. Pelo menos vá naqueles com quem você dividiria o brandy no petit-comite. Mantenha a phinesse. Fica a dica.

* L´Andreis ainda vai montar um curso sobre etiqueta online. Não suporta gente que não entende a internet e e-mails em CAPS LOCK. Na vida real também odeia gritos. Fala baixinho toda a quinta aqui.

10 Comentários

Arquivado em fica aí a dica, L’Andreis, lição de vida

10 Respostas para “Phinesse virtual: porque nem só de wikiphino vive a rede

  1. Di

    Isso sim que é phinéssi virtual!

    Concordo com cada palavra!
    😉

  2. Mas não é, Di?
    =)
    Um beijo!

  3. Também detesto quem escreve em caps lock e desconhecidos que me seguem no twitter. Falta de educação é mesmo uma merda. Não interessa o meio.

  4. O curso será, sem dúvida, um mega sucesso!

  5. Caroline Andreis

    Pois então, SS, tem gente que acha que só porque não está mostrando o corpinho pode ser grosso. Péssimo.

    Gracias, Alice. =)

  6. Não me importo muito com o cortiço virtual na web. A inclusão digital tem disso… a web é apenas espelho da estupidez humana. O que me irrita são os trolls … Deveriam haver cursos, campanhas publicitárias anti-trolleiros e multa por FUD na web.

  7. Fabiana, não sabia o que eram trolls até ver teu comentário. Decidi que também os detesto.
    Pra quem também não sabe o que isso é, olha aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Troll_(internet)

    (aliás, tá na etiqueta comentar o comentário ao texto de outra pessoa?)

  8. Caroline Andreis

    Outro link sobre o assunto: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/04/15/como-ser-um-popstar-no-twitter/

    SS: acho que comentar não tem problema, não.

    Agora, trolls é algo do mal mesmo. Na época do mirc eles pipocavam horrores. Interessante que os trolls de ontem são donos de empresas ligadas à internet e tecnologia de hoje.

  9. Aaaaaaaaaaiii, que saudades do ICQ!!

    Lembra daquele alerta simpático: “o-ou”? hehehe

    By the way, demais o texto!!

    Beijão

  10. Alexandre Rodrigues

    Obrigada, Nina.

    Bem lembrado o som.
    =)
    bjs

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