A humanidade merece ser afogada no catarro porcino

Protejam-se de vocês mesmos!

Protejam-se de vocês mesmos!

Por O Outro Lado*
(Em Busca do Feno)

De tudo de mais bizarro que já cobrimos na cidade que nunca pára mas vive engarrafada e onde lagos somem, túneis de metrô desabam e um avião aterrissou num prédio, nunca pensei que cobriria epidemia internacional. Até tivemos sorte, diga-se.

Ao receber o chamado de SextaSessão nesta manhã, que nos mandou atrás dos passageiros oriundos do olho do furacão da gripe Porcina, não sentimos abertura para qualquer suspiro (SextaSessão estava no modo atarantada), mas ao desligar o telefone foi inevitável considerar. Este é o tipo de ordem que parte daquele intelecto de redação impavidamente sentado na cadeirinha e refrescado pelo asséptico ar-condicionado. Não troco meus sapatos pelos deles (os intelectos), até porque não serviriam. Mas, como dissemos antes, tivemos sorte, mesmo enviados ao local de maior risco em solo bananeiro.

Tivemos o cuidado de ligar para a Infraero e perguntar se algum piloto tinha anunciado passageiro com sintomas. Infraero, como sempre, não sabia nem tinha responsabilidade de nada. Mas fomos com fé na sorte que costuma nos acompanhar.

As entrevistas, roubadas, arrancadas das pessoinhas com suas máscaras eram naquele misto de “precisamos de informação” e “vamos nos manter a uma distância segura”. Uma tia mexicana tinha a melhor história do dia, mas alguma coisa em sua máscara cirúrgica, mesmo sabido que sem sintomas, fazia com que o repórter se afastasse com aquele instinto de sobrevivência pouco comum nos peões da informação. Findas as perguntas e respostas, piadinhas. Alguém aí vai passar sua lua-de-mel em Cancun? Um colega ia. “Lembre-se sempre, amigo, casamento é na saúde e na doença.”

Faz algum tempo que defendo: a vida humana não é um valor absoluto. O ser humano é bom individualmente, mas bem que poderia ter uma boa baixa no seu efetivo terreno. É uma suprema ironia que justo uma das mais banais formas de doença que existem volta e meia assombre. A última grande gripe foi antes da II Grande Guerra, lá em 1918.

Neste ano perdi meu pai, na primeira pessoa. Com crise herdada do ano anterior, 2009 já começou meio obscuro. Se isso representasse uma baixa em pelo menos uns bons dois sextos da humanidade, não me importaria, também na primeira pessoa, de estar na estatística desta peste universal que parece estar por vir. A humanidade merece ser afogada no catarro porcino. Pelo menos uma boa parte dela.

*O Outro Lado enfia o pé nas cinzas das coberturas externas desde 2005. Explica aqui suas posições contra o ser humano, via de regra, às terças.

10 Comentários

Arquivado em Em Busca do Feno, O Outro Lado, sentimentos phinos, vergonha alheia

10 Respostas para “A humanidade merece ser afogada no catarro porcino

  1. Em primeiro lugar, guri, força. Há muita verdade em muito do que tu escreveu, mas não vamos desanimar.

    Há sempre novas coleções de inverno (/l’andreis) surgindo todo o ano ou ____________ (preencha aqui com o belo da vida, na tua avaliação).

    Mas sem essa de querer ir junto com a gripe porcina… Precisamos de ti por aqui.

    Abraços

  2. O outro lado

    Isso é para ser lido como humor. Ou pelo menos para que se tente ler como humor.

  3. Por via das dúvidas , em caso de febre , corre pro médico… Por que essas doenças ao nunca são de animais bonitinhos ?Frango, porco … A próxima virá de qual animal feioso?Será a gripe da llama ?

    • Jouviã

      pelo menos as llamas têm carisma e “atitude” de longe são bonitinhas, de perto cospem. Um primor de bicho.

      E ao post, também acho irônico essas gripes que volta e meia matam um bocado de gente.

    • llamas nem são tão feias! nessa lista, os ornitorrincos estão bem antes delas! hahaha

  4. Alguém aí me defenda! Eu nunca fico atarantada. Sou a calma e a frieza em pessoa.

    • A propósito do texto, concordo com o colega. Está na hora de diminuir pelo menos um sexto do efetivo humano na terra. Mas não me ofereço, em primeira pessoa, pra fazer parte do contigente dispensado.

  5. gripe de bicho fofo? deusolivre. imagina a gripe do poodle, esvazia o moinhos de vento!

  6. Colega maluca 1

    Concordo totalmente que estamos “full” e precisamos aliviar a lotação, mas sou uma egoísta de primeira e sairei correndo de qualquer chance de contaminação suína

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