Eu adoro casamento. O dos outros

Ooooi. Vim cantar no teu casório, beibê

Ooooi. Vim cantar no teu casório, beibê

Por SextaSessão*

Podem me chamar de maria-vai-com as outras. É que, sendo as outras quem são, fica difícil resistir. Estava com a coluna pronta (“Cicatrizes e tristezas não somem. Mudam”, leia na semana que vem), revisada pelo editor. Já preparava o desenho quando li ontem que L’Andreis seguiu o clima casamenteiro da Dany.

Minha contribuição sobre o tema, não se ofendam, é um copiar/colar de email que mandei ao administrativo dia 20/06/04, 09:37 am, horário londrino. E as ilustrações, um fotoxópi rápido.

Aquele ano, por incentivo do Rafa, passei além-mar, polindo o English. E ganhei uns tostões como garçonete de banquete, antes de ir para o breakfast do Waldorf Hilton – pra servir, babies, não pra comer. Uma das festas mais divertidas foi um casamento. Ei-lo:

“Ontem fui ao mundo do bizarro trabalhar num casamento. O manager, já na reunião prévia com a peonada, disse que as pessoas eram weird. A noiva, linda, de 16 anos, tinha um vestido de princesa vitoriana. A mãe dela comandava tudo e impunha uma estranha hierarquia no trato aos convivas. A senhôura usava vestido justérrimo branco e um chapelão com penas brancas, carnavalescamente alegórico, destacando-se mais que a filha.

As convidadas, muito rudes e maquiadas, usavam vestidos do mesmo alvitre. Enfeitados com lantejoulas e adereços brilhantes e coloridos, pareciam feitos na mesma costureira. Tinha modelitos pink, azul claro, rosa, branco (usado por uma gordacha felliniana) e até um em dégradé de laranja . Todos decotados e apertados. Peitos espirrando pra fora. Pneus espichando botões.

Homem era artigo raro, e boa parte ficou no bar do hotel assistindo ao jogo da Inglaterra pela Eurocopa.

O bolo tinha uma fonte d’água jogada por três cupidinhos. Segundo o chef oficial do hotel, um francês que faz zoinho pra Larissa**, não havia dúvida que a turma tinha muito dinheiro e mau gosto.

O almoço/janta começou só após o jogo terminar, lá pelas 17h. Porcos famintos, srrrrlup na sopa. Clamavam por mais pão e não esperavam que servíssemos no side plate – arrancavam de dentro das nossas cestinhas.

Dada por finda a comilança, aparecem mais convidados! Enquanto uns lambiam o prato de sobremesa, outros ainda sopeavam.

Miga, olha o modelito que comprei pra tua festinha!

Miga, saca a roupitcha que comprei pra festa!

A única pessoa educada era a mãe da noiva, pretensamente fina e visivelmente bêbada, me pediu pra cumprimentar o chef pela sopa. A sopa!

Simpática à peonada, ela contou ao Arthur, meu colega, que trabalhou quando jovem fazendo silver service (isso que a gente faz) em hotel cinco estrelas.

Depois do café, também bebido pelas toalhas das mesas, Larissa adentra à cozinha quase em lágrimas: “Vocês não acreditam no que vai acontecer agora. Venham já”. Foi toda a garçonzada para o salão assistir ao Elvis Presley (o manager e seu comparsa tinham desaparecido com duas garrafas de champanhe no início da festa).

Elvis era indiano e estava naquele traje branco cintilante, estilo final de carreira em Las Vegas. Cantava e muy mal rebolava os quadris, a noiva e as aias dançavam, os convivas olhavam entediados. E a peonada, hey, ho, ria.

Pelas 21h, vieram o DJ e mais convidados – não para comer, só pra “bôite”.

Os meninos tinham no máximo 20, que suponho que era idade do noivo. As garotas, a partir dos 11, 12 anos, estavam maquiadíssimas. Cabelões revoltos até a cintura.

Mostraê! Inglesa também rebola goxtoso

Mostraê! Inglesa também rebola goxtoso

As mais velhinhas, dos 17 aos 22, vestiam-se com gosto alarmante e revelador. Sandálias altíssimas ou botas de cano alto, brancas, prateadas, douradas ou pink. Shortinhos (sim, shortinhos), minissaias ou minivestidos colados. Como as titias mais velhas, deixavam os excedentes de carne saltar pelas fendas das roupas.

Algumas usavam alegorias: bonezinhos, boininhas coloridas e até viseiras. A menina da bota pink usava chapéus de vaqueiro da mesma cor. Um grupo fazia Britney Spears: micro shorts, barriguinha de fora e miniblusa, mas sempre de salto, para não perder o “estilo”.

A dança era uma maravilha. Não tenho palavras para descrever tanto gingado, tanto ziriguidum, tanta classe. Como disse a Larissa: “Tem nível. Muito baixo nível.”

Não estou exagerando, juro. Não era uma ou duas chinas, uma ou duas de mau gosto. Eram todas!

Ah, a mãe da noiva – dona da grana e dos convidados – tinha marido e outras três filhas. Nosso veredicto: aquela mulher era a única pessoa agradável da festa e, definitivamente, ganha a vida como empresária da indústria do entretenimento sexual.”

**Roommate russo-brasileira, amiga do administrativo.

*SextaSessão gosta de festa de casamento, desde que não seja o dela e que tenha boa e farta bebida. Emborca o cálice aqui nas sextas-feiras e se mantém abstêmia em seu blog nos outros dias.

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15 Comentários

Arquivado em festas phinas, moda versus phinesse, SextaSessão, vergonha alheia

15 Respostas para “Eu adoro casamento. O dos outros

  1. Sério que isso existiu? Tu conseguiu trabalhar no meio disso tudo? Eu ia ficar num cantinho, chorando de tanto rir. Na real, gostaria de ter fotografado esse casamento. Fotos para divertir os amigos pra vida toda.

    Fiquei com medo do bolo. Dava para comer?
    “O bolo tinha uma fonte d’água jogada por três cupidinhos.”

    • Pior, Helena, não só é verdade como devo ter esquecido algum detalhe. Foi divertidíssimo e todos nós lamentamos não ter levado câmeras – naquela época, nos idos de 2004, quando até as digitais não eram grande coisa, não existia celular com câmera.
      O bolo era de comer sim, bastava tirar os cupidinhos, o caninho d’água, o motorzinho da fonte…

  2. Perco quantos pontos na escala da dignidade se confessar que a-do-ra-ri-a ser convidado pra esse casamento? Perco a phinesse mas não perco um bate-coxa goxtoso!!! Alguém mais me acompanha?

  3. Colega maluca 1

    Honestamente, e sei que uma futura madrinha não deveria falar isso, a phinesse desse casamento não é tão diferente da maioria dos outros, só os outros são mais chatos

    • É verdade o que diz a colega maluca 1. O que são aquelas máscaras, colares de plumas, pulseiras de neon etc que os noivos distribuem nas festas para “animar” os convidados?

      • E eu usei em dois!!! Tenho perucas, colares, coroas de princesa, anés de neon.
        O que é um peito para quem está cagado? (ops, me escapou a phineza)

  4. Di

    foi no mínimo engraçado e triste ao mesmo tempo!
    hehehehehe

    ótimo post!

    Beijos

  5. já que não vai ser phino, que seja divertido (nem que seja pra ‘peonada’)

    e sobre o bate-coxa: estamos ai Rafa! hahaha

  6. KKKKK! Eu teria derrubado várias bandejas. As cenas que você narrou são hilárias. Agora imagino só como deve ter sido o primeiro aniversário do filho do casal… rsrsrsrs

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