Casamento gay: quem aguenta?

Por Rafa*

“Por que as mulheres também não podem ter a sua sauna gay?”, questionou a musa Marina Lima. O ano era 2005, phinos, e até hoje, quatro anos depois, nada de vapores calientes só para elas. Se existe, não me contaram. Se você souber onde fica, por favor, me avisa, pra eu passar bem longe.

Nada contra mulheres que transam com mulheres. Elas só não fazem o meu tipo. E nada contra saunas. Na verdade, sou super a favor. Não pensem bobagens. Nunca fui, não conheço. Mas morro de curiosidade e de inveja dos meus amigos que fazem estripulias por lá. É fácil, é rápido. Enfim: resolve.

Fui criado numa escola católica, em meio à muita culpa cristã. Então não consigo, é mais forte que eu. Não me orgulho e detesto aquele discursinho de bicha fazida: “Nunca precisei!” (Bocejos pra você.)

A questão é a seguinte: por que as beeshas não vão às ruas lutar pelo barateamento do preço das saunas? Me contaram que tá carésima a entrada! Ou então pedir sauna pública de graça e de qualidade? E quem sabe gritar pelo direito de ir e vir pra sua sauna preferida sem ser alvo de chacota?

NOT. As engajadas (mais bocejos) preferem lutar pelo casamento gay. E dá-lhe preguiça. Não me entendam mal. O parceiro tem que fazer parte do plano de saúde da empresa, deve ter direito à herança, etc, etc. Mas a festeeenha, nos moldes héteros, quem aguenta?

Pensa comigo, foram anos de luta pra poder se beijar na rua, andar de mão dada, etc, etc. Não precisa imitar o padrão. O bacana dessa coisa de homem com homem e mulher com mulher não era o diferente?

Daí o cara que é gay quer parecer hétero. Não pode dar pinta. E pra onde vamos? Raciocina com o Rafa aqui, se até os seres do sexo heterossexual masculino estão imitando as barbies, pra que retroceder? Não aceito.

Então que duas bibas resolveram inventar no ano passado que fariam o primeiro casamento gay do Brasil. Naonde que foi o primeiro? Alguém explica pro jornalista Felipeh Campos e pro produtor de moda Rafael Scapucim que essa coisa de união civil já existe há tempos. Acho que até começou em Porto Alegre, mas cago pra essa coisa de primeira vez, não me interessa.

Vieram as justificativas: “É sim o primeiro casamento gay, pois é o primeiro que segue o figurino, com tudo protocolado: da lista de casamento ao bem-casado. Além disso, vamos ter uma cerimônia religiosa, no candomblé”, afirmou Felipeh. (MORRO DE VERGONHA ALHEIA.) “Para mim, o casamento só está oficializado após uma grande festa”, completou.

Então rolou a festa.

se meu pai visse isso, dava uma tunda de laço!

se meu pai visse isso, dava uma tunda de laço!

Os noivos, adeptos do candomblé, chegaram no mesmo carro, às 21h30, em um belo dia do ano passado, com UMA HORA DE ATRASO em relação ao horário marcado no convite. Vestidos de roupas brancas, eles tinham na cabeça uma COROA DE LOURO, com uma pena vermelha de EKODIDÉ na ponta, usada nos rituais do candomblé. Nas mãos, carregavam terço de PIMENTA.

Cada noivo foi conduzido pela respectiva mãe até o altar, ao som de ATABAQUES e cânticos entoados por baianas. Cerca de 400 convidados acompanharam a cerimônia que durou meia hora e foi realizada pelo babalorixá Cido de Oxum.

Padrinhos, fotógrafos e cinegrafistas se ACOTOVELARAM para ter a melhor visão dos noivos no altar IMPROVISADO. Na saída, punhados de arroz colorido de ROSA foram jogados nos noivos, que foram na entrada do espaço soltar uma POMBA DA PAZ.

Durante a festa, após cortar o bolo que trazia DOIS BONEQUINHOS, um loiro e outro moreno, os noivos mostraram seus dotes artísticos. Felipeh CANTOU “É Preciso Saber Viver”. Depois foi a vez de Rafael convidar o marido e os convidados para dançar a música “Mas Que Nada”.

Após esse show de horror, eu te pergunto: os gays não eram o sinônimo do bom gosto e do bem vestir? Não teriam que fazer o mais maravilhoso dos eventos? Pra tu ver, mimosa.

Daí vem duas moças, da classe das sapatas, grupo famoso pelo mau gosto musical, pelo desinteresse pela moda e pelos modos, digamos, que não caberiam citar neste espaço do glamour e da sofisticação. E nos surpreendem.

Ellen Degeneres e Portia de Rossi oficializaram a união na casa em que moram, na Califórnia. Vestindo trajes da grife Zac Posen -Ellen usava calça, camisa e colete, enquanto Portia optou por um longo frente-única de saia rodada- elas trocaram alianças na frente de 19 convidados.

APENAS 19 PESSOAS, ENTENDEU? Sem a presença de ex-BBBs e afins e sem cobertura da imprensa. É o que se costuma chamar CERIMÔNIA DE POMPA E CIRCUNSTÂNCIA.

chora com meu corpo!

chora com meu corpo!

Claro que elas não são perfeitas. A apresentadora e a atriz, que estão juntas desde 2004, em entrevista à “People”, contaram que têm conversado sobre a possibilidade de terem filhos.

Então gente, vamos à luta. Mas pelas coisas certas. Não gosta de sauna? Batalha por um preço melhor na academia. “Que daí a bi fica gostosa e pega na boate mesmo, não precisa ir pra sauna depois”, explica meu único amigo barbie, em uma bela aula de economia gay. Ele já decidiu que vai cuidar da sua velhice e, por isso, tem lutado por um novo benefício previdenciário: o auxílio-michê. “Pra bicha velha que tem 35 anos de contribuição ao INPS e não pega mais ninguém nem na sauna.”

Então tá. Eu e você seguimos por aqui, em busca do phino.

*Rafa faltou ontem ao protesto no Ibirapuera do “movimento dos sem-namorado” porque tem muita preguiça de passeata. A última a que compareceu foi no ano de 1998, em ato a favor da universidade pública e de qualidade. Quando o pessoal resolveu acampar na faculdade em ato simbólico, decidiu que era hora de ir pra casa. Escreve aqui às segundas. Nos outros dias, sai pelas ruas de São Paulo em busca de um marido pra chamar de seu.

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18 Comentários

Arquivado em festas phinas, Rafa, vergonha alheia

18 Respostas para “Casamento gay: quem aguenta?

  1. Um dos teus melhores posts. Amei, concordo e te mando muito gliter!
    Beijos

  2. vini

    eu particularmente gosto/acho lésbicas mto interessantes, mas conheço nenhuma. mto phino o figurino de ellen e sua amiga.
    acho que em tempos de multidiversidade, todos devem se respeitar. cada um na sua, faz o que quer e ninguém precisa saber e julgar.
    só acho que mau gosto não tem vez, mesmo. se quer tornar público, que se faça de um modo phino, como ellen.
    ótimo texto, rafa. como sempre. ellen adoraria se soubesse ler em português.

  3. “os gays não eram o sinônimo do bom gosto e do bem vestir?”
    apesar de conhecer váááários gays que me dão dor no coração por saber que jamais poderei chamar de meus, pq nao faço o tipo deles, preciso comentar tenho visto umas ‘bixinhas bem uó’ por ai(como diriam uns amigos).
    passeata dos sem-namorado? hahaha e nem me avisam. humpf =/
    pra variar, ótimo post Rafa!

  4. Não acho que a questão seja a diferença de casais gays homens x mulheres. É entre casal choldra x casal classudo.
    Os brasileiros supracitados são pobres (não sei a remuneração dos pombinhos, mas vcs entenderam de que pobreza falo). Quem gosta de “ser o primeiro”, de causar, de escândalo e holofotes é quem tem alma pobre.
    Phinos, como a Ellen e a Portia, gostam de boas roupas, boa bebida, boa comida, boas festas e de compartilhar sua felicidade apenas com os bons e verdadeiros amigos.

    OBS: morri com o vestido da Portia

  5. “Show de horror”: ótima definição para o casamento beesha. Como se já não no bastasse o excesso de glacês e laquês dos casamento héteros.

    Tô com a Sextasessao. O problema não está na opção sexual, mas na pobreza de espírito. Phinesse não se compra, todos sabemos.

    Mas o vestido da Portia… esse, sim, compraria!

    Mó-rri de inveja.

  6. Colega maluca 1

    Adorei, maldade na medida certa e justa. Vou casar só para usar vestido igual ao da Portia.. “Nos outros dias, sai pelas ruas de São Paulo em busca de um marido pra chamar de seu.”- gostei mais ainda!

  7. amigo barbie

    caro rafa,

    lisonjeira citação, enrubesci.

    e, sabe, acho que o pobrema das colegas brasileiras casadoiras em questão é que elas pularam direto das brincadeiras escondidas com a barbie face e com o guarda-roupas da barbie da irmã à vida adulta, sem uma formação mais, digamos, eficiente do superego…

    e quanto a nós, vem buscar o phino lá em casa, que tu tá cada vez melhor!

    saudades mil

  8. Di

    exatamente o post que imaginei que eu ia ler em uma segunda-feira, depois que o assunto casamento entrou em busca do phino!

    A-DO-REI!

    Rafa, como sempre, DEMAIS!

    p.s.: não preciso nem dizer que ela arrasou com o vestido, né?

  9. vivi

    Cada noivo foi conduzido pela respectiva mãe até o altar, ao som de ATABAQUES e cânticos entoados por baianas.

    nada contra casamento gay, tudo contra cadomblé. PREGUIÇA DE CANDOMBLÉ.

  10. vivi

    rafa,

    duas amigas minhas muy queridas casaram em londres vestida de homem e mulher, e foi das cerimônias mais bonitas que já vi.

    “o problema não está na opção sexual, mas na pobreza de espírito” (DARKO, Dani). assinei embaixo.

  11. As sapatas estão imitando igualzinho um casal hétero. Até fantasia com coletinho a Ellen colocou. Não era este o ponto inicial da argumentação? Então mandar ver no candomblé e na purpurina não pode, mas mandar as fotos pra People pode. Qual dos casórios gerou mais cobertura da imprensa mundial? Ah, tá.

  12. Ms.Riverside

    Mania de brasileiro de ser superlativo…

  13. Pingback: Semana de noivos « Sextasessao’s Weblog

  14. Luísa

    Não sei qual dos sentimentos que seu “artigo” ( se é que se pode chamar de artigo essa demonstração de preconceito, ignorância e conhecimentos superficiais) despertou em mim com maior intensidade.
    Não sei se foi revolta, por seu julgamento superficial, seus comentários declaradamente parciais e preconceiuosos, e acima de tudo pela ESTERIOTIPAÇÃO que faz durante todo o texto. Ridícula a imagem que você contrói do homossexual, seja ele homem ou mulher, porque está longe de condizer com a verdade.
    Não sei se foi pena, por você ter esses conceitos e declara-los naturalmente, o que demonstra que talvez pior do que ter essa ignorância a respeito dos homossexuais, é ser mais ignorante ainda por não detectar esse comportamento em si mesma.
    Bom, talvez tenha sido espanto, por encontrar pessoas que ainda possuem esse pensamento retrógrado e imaturo, que desconsideram a sociedade atual e como a aceitação das diferenças é um dever, não uma opção, já que a discriminação é CRIME.
    Em algum momento pensou em considerar que suas declarações estão em um meio público de informação e que suas declarações são ofensivas e ferem liberdades e direitos humanos dos homossexuais?
    Em algum momento pensou em como as pessoas estão se sentindo lesadas com suas opiniões aqui abertamente declaradas?
    Espero que você abra sua mente, leia mais, e procure crescer no que se refere a respeitar e conhecer os direitos de grupos que vc não pertence antes de discorrer sobre eles.

    • Luísa,

      pra começar, se tu não percebeu, eu sou homossexual. Aliás, a condição gay em nenhum momento é discutida no texto. O que faço é apenas uma comparação entre as duas cerimônias, acho que tu não percebeu…

      O que quis dizer é que não curto a ideia da cerimonia padrão, aos moldes da dos casais heterossexuais, do panfleto “primeiro casamento gay do Brasil”. Se bem que, como a Tonha escreveu acima, o casal de homens foi bem mais original que as mulheres. E quer saber, tá valendo também sim. Acho que me divertiria horrores na festa, mas não recebi convite. : (

      Agora, tu vai ter que concodar que a Ellen e a esposa estão MUITO mais bonitas e que a cerimônia é de muito bom gosto!!!

      Mas o que ficam são as fotos… E as comparações, por mais bobas que possam parecer. Dá uma acompanhada no blog. É tudo uma grande brincadeira. Uma pena você ter se ofendido. E tenta não ser tão dura assim com a vida, ok?

      Beijos,
      Rafa

  15. sandra

    Provavelmente , ambos envolvidos no relacionamento.as pessoas tem direito a liberdade de escolha. a opçao sexual das mesmas nao define caráter nem tampocuco as singulariza . as pessoas optam ou não por escolhas e cabe somente a elas a responsabilidade das mesmas.ser feliz é o que importa.

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