Jesus, Marx e estilo

Intelectual e fashion: engole essa Heloísa Helena

Intelectual e fashion: engole essa Heloísa Helena

Por L’Andreis*

Como conta ali na parte que explica quem são os colunistas do EBDP, sou jornalista por formação. Não me olhem assim e não me imaginem em uma redação tendo que receber ordens de chefe de Gravataí ou do pessoal da liquidação da Von Von, mas, a verdade é que eu estive lá.

Desde a faculdade, a falta de estilo dos jornalistas berrava. Lembro que já, no finalzinho, eu, querendo escapar da temática dura, fiz um trabalho sobre revistas de moda, e todos ficaram boquiabertos com tanta ousadia. Moda? Na faculdade de jornalismo? Esta coisa fútil?

Uma das piores conseqüências da ditadura é exatamente este comunismo latente de todos que gostavam de história no colégio. Preocupar-se com o look parece blasfêmia. Você imediatamente vira uma mulher de militar da ditadura, uma rica sem coração, uma direitista.

Só entre nós, na überjuventude, li Marx e seus amigos. Da parte que eu entendi, não havia nada contra estilo. Superficiais estes comunas que acham que a igualdade deve começar pela roupa. Não são vocês mesmos que gritam que o que está por fora não importa?

Em um dos últimos capítulos da segunda temporada de Gossip Girl, nossa ídala e senhora de todo o sempre, Blair Waldorf, acorda a inimiga Georgina Sparks, que se rendeu a Jesus para largar as drogas e acredita que ele a ama como ela é com a frase: “Jesus vai amá-la ainda mais se você tiver um pouco de estilo”. O mesmo conselho vale para o pessoal da esquerda. Trocando Jesus por Marx, Fidel, Che, ou seja lá quem for o MUST da hora.

Nossa senhora do bom gosto, olhai por nós

Nossa senhora do bom gosto, olhai por nós

Imagine se Michelle Obama, ao invés de estilistas e gosto único, começasse a usar camisa branca e calça jeans como uma ex-parlamentar brasileira. Sempre. As mesmas. Ela não seria mais democrata por isso e ainda corria o risco de perder aquele pão, como diria vovó –na verdade, vovó não diria porque é racista, mas enfim –, para a Naomi.

Não que eu aprove as mechas da deputada Manuela. Não basta se arrumar, tem que saber como. Luzes, bronzeamento artificial, bota pata de elefante, enfim, marcas das patricinhas 00´, não são sinônimos de bom gosto, o que prova que estar bem-vestido não é questão de dinheiro, e sim de noção.

Aproveite o seu conteúdo da faculdade de história para isso. Acredite, é muito mais uma questão de inteligência do que grana e beleza: proporção, textura, radiação das cores. Constanza Pacolato, Ana Wintour e o EBDP votam no partido de Michelle: politização não é desculpa para se vestir mal.

*L´Andreis tem muitos defeitos. Mau gosto não é um deles. Sabe o nome de 90% dos ministros e 90% dos estilistas. Aparece aqui todas as quintas. Hoje, na correria, porque amanhã termina seu leilão.

6 Comentários

Arquivado em fica aí a dica, L’Andreis, moda versus phinesse, mulher (realmente) moderna

6 Respostas para “Jesus, Marx e estilo

  1. É brabo… Nossos colegas que se vestiam mal e não se preocupavam com a massa extra de murcilha estão cada vez piores (nunca ouvi da boca deles a palavra academia, como pode?). Soube de coisas horríveis de alguns, tipo pressionar jornalista e amiga phina para entrar mais uma vez em fila de distribuição de bolo, já que sua cota de doce havia acabado.

    Mas há o efeito contrário. Os que acham que só porque estão em uma redação tem direito de descuidar da saúde e não fazer exercícios. Compensam a barriga de cerveja com um óculos colorido de armadura gigante. Não aceito.

  2. amei o texto!

    ps: li “chefe de Gravataí”? ê terrinha…rs

  3. Não me entendam mal, jornalistas são 60% dos meus contatos, conheço algins ótimos e até tenho um amigo tuuudo que mora em Gravataí.

    Agora tá lá: só olhar em volta. A Renner e a C&A explorando criancinhas chinesas por um bom corte de roupa e eles com a mesma calça de 97. OMG.

  4. Di

    é véro!

    Adorei o post!

    Beijos

  5. Roupa é uma forma de expressão… Pseudo politizados falarem que moda é fútil, é a mesma coisa que dizer que arte também é. Afinal, na maioria das vezes, não há sentido partidário ( digo partidário, porque considero que tudo neste mundinho tem algo de político,no bom sentido) nas obras artística. Bjs

  6. Nada como phinos que entendem o sentido da moda. =) Bjs.

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