Pelo fim da hipocrisia

Wish I could shut my playboy mouth

Wish I could shut my playboy mouth

Por Rafa*

No sábado, após terminar de ler as 1.773 páginas do primeiro volume de “Teatro Completo”, de William Shakespeare, com tradução da musa da crítica teatral brasileira, Barbara Heliodora, olhei no relógio e vi que dava tempo de ir até a academia. E foi o que fiz.

Feitas as minhas obrigações do dia (cultura + culto ao corpo), fui à internet checar e-mails. E não é que uma bibinha desaforadora perdeu o seu precioso tempo pra me insultar via correio eletrônico? Juro que fiquei pa-ssa-do por tamanha ousadia e petulância. Até parece que ela não lembra a qual religião eu pertenço (relembre aqui). Quanto desaforo!

Entre tantas barbaridades, a pobrezinha me acusava de fútil, ignorante e esnobe. Em relação à parte sobre o meu lado esnobe (“extremamente irritante”), eu concordei, fazer o quê, se Deus me deu essa cara blasé? Agora fútil e ignorante? Não aceito.

Vamos direto ao primeiro ponto: minha suposta futilidade. No e-mail, biba teceu teoria longa sobre o quanto eu devia parar de escrever sobre freqüentar a academia, considerando que meu “corpo não era lá grandes coisas”. Segundo a peçonha, eu deveria LER mais, antes de escrever tantas bobagens no em busca do phino.

Ah, faça-me o favor. Em primeiro lugar, freqüento academia, sim. Não porque eu ame de paixão, mas, gente, a menos que tu seja um homem do sexo masculino heterossexual com grana e possa garantir segurança pra tua gata, não há como ser feliz nessa vida com uma barriga saliente. As mulheres que me perdoem por falar a verdade, mas é assim mesmo. Se elas se matam malhando e comendo pouco e aceitam qualquer coisa só pra não ficarem sozinhas, que não venham reclamar nos meus pobres ouvidinhos.

Tanto esforço pra dormir na mesma cama de um qualquer coisa? Não-nã-ni-nã-não. Na real, a revolução feminina quem vai fazer são vocês, então olhem pro lado e reflitam: vale a pena?

Vou explicar o meu lado. E desculpem o meu egoísmo. Primeiro vou é me salvar. Se sobrar um tempinho, depois da assistir ao meu seriado, claro, prometo ajudar vocês. É assim: gays são homens, independente do grau de inteligência e bagagem cultural. E elas (bibas), assim como eles (héteros), vão querer um gatinho-gostoso pra chamar de seu, não concordam?

São justamente chamadas de gays porque tem um lado feminino, ou seja, querem alguma segurança. Não precisa exatamente ser alguém com grana, como a princípio parece ser o que a mulherada procura. Mas tem que ser um sujeito que possa prover algum tipo de satisfação material: jantares, carros, uma casa no campo ou na praia… Uma cerveja no boteco da esquina, que o seja. Tanto faz.

Não sou exatamente esse perfil. Valorizo a inteligência, e é por isso mesmo que leio muito. Mas também não me desespero, porque sigo sempre a teoria da dignidade (relembre aqui). Ou seja, os pontos que ganhei lendo Shakespeare me dão o direito de ler “Fazendo as Malas”, de Danuza Leão, principalmente às vésperas de minhas férias.

Então, mais uma vez, a lei da compensação. Tá com o QI alto? Dá pra dar uma relaxadinha na malhação. Tá gostoso. Ok, aceito a tua burrice, desde que venha acompanhada de muito chamego. A vida é assim. Estão aí as cantoras pop pra explicar como essa relação funciona. Ou você não entendeu a diferença entre Britney (na fase goxtosa, claro) e Amy, que até não era considerada das mais feias após se acabar nas dlogas?

Não entendeu ainda? É o seguinte: você aí, murcilha, não me venha com papinho de intelectual, que não tem pra ti. Não precisa ter corpinho perfeito que daí também representa alguma falha moral ou de caráter, mas nem tudo nessa vida é compensável. Mas não esqueça que massa mol me dá nojinho.

Voltemos aos insultos do e-mail. Falemos agora da acusação de ignorância, que já tá mais ou menos explicada. O texto que eu escrevo, e que você lê toda segunda, doa a quem doer, faz parte de toda uma “experiência de gente que viveu a vida”, adquirida ao longo dos meus quase trinta anos.

Tudo começou na biblioteca municipal de Cafundó, onde cheguei a ganhar prêmio de melhor leitor mirim. Hoje, claro, minhas leituras se aprofundaram e comecei a me preocupar com o que realmente importa (pros outros): revistas de moda e guias interessantes de viagem. Mas isso, definitivamente, não quer dizer que eu tenha abandonado os livros de história e de economia.

Ignorância seria se eu ficasse esfregando isso na tua cara toda semana, não? Ou tu já comeu ou deu gostoso pra alguém após ter contado que leu o Tao de Warren Buffett? Faça-me o favor!

*Rafa dá a cara pra bater aqui, todas as segundas. Nos outros dias, seja em São Paulo, seja no além-mar, dá, de graça, outras coisas, entre elas amor, carinho e bons conselhos.

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12 Comentários

Arquivado em lição de vida, malhação com PH, Rafa

12 Respostas para “Pelo fim da hipocrisia

  1. bom. quanto a qualquer acusação feita sobre outra pessoa, tô fora. não conhece? não comenta.
    e sobre o resto todo. cultura é bom e faz bem. corpo bonito e gostoso é bom e faz bem também.
    penso que inicialmente viver aquilo que se gosta é o ponto base pra ser feliz.
    sendo ignorante, tendo pancinha, sendo inteligente, ou meio culto: o importante é gostar de ser assim.

    melhor ainda é poder juntar tudo que se gosta num momento só. me vem a ideia de felicidade (plena?).
    fico com a minha pequena revolta (defesa) ao pessoal do EBDP que realmente tecem seus comentários numa busca simples e digna; a da phinésse.

    EBDP: quase ideologia.
    hahaha

  2. Rafa, quem é essa pessoa que não tem um pingo de brains, hein?
    Publica o email da maldita, ela tá merecendo!

  3. Ai, amado, o mundo lá fora é uma selva mesmo. Deixa que a bruaca vai acabar tendo que comprar teu livro pro curso da Daslusp que ela vai fazer com a bolsa-michê dela. Passa por cima.

  4. O mais interessante é, justamente, o interesse da biba em te ler todas as segundas e ainda “se gastar” em te mandar um e-mail desaforado. Faça-me o favor mesmo. Essa sim tá merecendo tomar uma boa tunda pra ver o que é bom pro lombo. E tenho dito.

  5. deixando a phinese de lado “arrasa ném”. rsrsrs
    nada como um bom fora com classe e conteúdo… tapa com luva de pelica dói…rsrsrsr

  6. Maeli

    que palhaça, essa pessoa
    te entendo, to pelas tampas com gente palhaça 😉
    beijos

  7. Phinos, amados,

    me tirou pra palhaça?

    Comecei o espetáculo.

    Beijos,
    Rafa

  8. Por que tem gente que acha que marombeiro=burro? Ah, já sei! Porque nunca entrou em uma academia.
    Dica para bibinha naja (ai, como eu queria saber quem é…): ombros, dorsal, abdômem e lombar malhados deixam a postura muito melhor e fica bem mais gostoso passar horas na poltrona lendo. Experimenta.

    • Querida SextaSessão,

      me permita discordar. Mas uma coisa é marombeiro, outra, pessoas que priorizam a beleza em detrimento da murcilha. Nos enquadramos na segunda categoria.

      Sem mais.

      Rafa

      • Querido Rafa,

        Só não sou marombeira por dois motivos: falta de tempo e medo de esteróide. Pretendo reformular a regra e remover o segundo item da exigência para enquadramento no conceito.

        Sem mais,

        SS

  9. Di

    Rafa,

    Com muitas tarefas profissionais, não consegui acessar a tua coluna na segunda, mas venho hoje aqui!

    Adorei o post! Isso mesmo moço, comece o espetáculo! hahahahaha

    O que tem a fazer? orar muito por essa pobre criatura e avisa ela que a inveja mata!

    =P

    Abração guri

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