Dia dos namorados: quem se importa?

Auto-retrato do casal

Auto-retrato do casal

Por SextaSessão*

Foi o Rafa que me lembrou que 12/6 é dia dos namorados. Ignoro a data, mas concordei com o tema. Nenhum dos outros phinos entende mais de namoro do que eu. A casa trabalha com clientela pequena, mas temos longa, longuíssima, experiência de mercado.

Rafa pergunta: depois de tantos anos, o que o dia dos namorados significa pra vocês? Nada. Não foram poucas as vezes que esquecemos a efeméride e, em alguns anos, até o aniversário de namoro passou em branco. Tirando aniversários de nascimento, não somos bons para lembrar datas.

Acho bonito quem segue rituais e separa um dia do ano para festejar índio, árvore, crianças, mães, pais, professoras… Mas o meu estilo é outro. Sou mais “todo dia, era dia de índio”, como ensinou Baby Consuelo.

Outro auto-retrato

Outro auto-retrato

Minha irmã completou um ano de casada em fevereiro, feliz com o estado civil. À minha questão sobre o que ela tinha a dizer daqueles 12 meses, respondeu: o que eu sei é que não tenho nada para ensinar.

A mana tem razão. Folheei um livro do Zygmunt Bauman** que ela deixou lá em casa quando se mudou (o início da vida de casada dela significou o início da minha vida morando sozinha). O autor diz que ninguém está preparado para o amor. Não existe experiência afetiva acumulada. Todo o amor é sempre o primeiro.

Tenho uma tia-avó que comprou um Fusca quando jovem. O veículo durou uns 30 anos. O carro aposentou-se por invalidez, depois de o modelo deixar de ser fabricado. Minha irmã sugeriu que ela comprasse outro. “Mas eu só sei dirigir Fusca”, replicou a tia. “Só aquele Fusca.”

Essa é a lógica, Rafa. Lamento, não tenho como ensinar o que é um namoro phino (embora eu aceite o elogio). A quilometragem alta no setor me habilita, apenas, a dizer o que não é um namoro phino.

– Namoro não é GPS. Nem apêndice. A outra pessoa não está grudada, conectada, anexada.

– Namoro não é emprego. Não precisa hora marcada, dia de expediente, tarefas obrigatórias.

– Namoro não é terapia nem remédio. Não existe para solucionar os problemas existenciais, mas para tornar a existência mais divertida.

– Namoro não é telepatia. É preciso falar o que incomoda à medida em que as coisas acontecem e não despejar de uma vez. DR, jamais.

– Namoro não é perfeição. Ninguém é perfeito. Nenhuma relação o é.

– Namoro não é ter serviço de encanador, eletricista, segurança ou motorista de graça. Ser mulher não significa ser mulherzinha.

– Namoro não é seita. Não deve ter um profeta e um seguidor.

– Namoro não é paternidade ou maternidade (leia-se, amor incondicional, não importa a cagada que o ser amado faça).

– Namoro não é previdência privada.

– Namoro não é posse.

– Namoro não é certeza.

E, finalmente:

– Namoro não é casamento.

**”Amores Líquidos”. Pra quem quiser se arriscar, aviso, o autor é chato, mas é bom.

*SextaSessão namora há muito tempo e continua se divertindo (hoje, especificamente, diverte-se em Kho Phi Phi). Mesmo de férias, aparece por aqui, nas sextas, e em seu blog, nos outros dias.

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11 Comentários

Arquivado em lição de vida, mulher (realmente) moderna, sentimentos phinos, SextaSessão

11 Respostas para “Dia dos namorados: quem se importa?

  1. Pingback: É dia dos namorados. E eu com isso? « Sextasessao’s Weblog

  2. como sempre, ahazando no texto! adoro!

  3. ana

    adorei… continuas bem, mesmo em férias!!! beijo.

  4. Que bonito!!!

    Meu Dia dos Namorados sera com o Morrissey, em Berlim, ao lado de Dany Darko. Invejem!!!

    Ai, quanta tristeza boa. Se eu nunca mais voltar do show, por favor, nao miliga!!!!

    Beijos

  5. Di

    ai, posso chorar?
    Mas é de emoção…

    LINDO, LINDÍSSIMO, LINDAÇO!

    A-DO-REI e passo a ver o termo ”namoro” de outra forma.

    Vou recomendar o texto lá no meu…
    😉

    Beijos e bom final de semana!

    • SS

      Incrivel, Alice e Di! Quando eu acho que escrevi sobre um tema encomendado pelo editor (entenda-se: pouca boa vontade), o texto agrada. Tah certo, o Rafa ganha uma fortuna sendo editor do EBDP para isso, afinal de contas…
      bjao

  6. Bonito isso “O autor diz que ninguém está preparado para o amor. Não existe experiência afetiva acumulada. Todo o amor é sempre o primeiro.”

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