So close, so far away

There are angels on the streets of Berlin

There are angels on the streets of Berlin

Por Dany Darko*

Sair da ensolarada e romântica França e chegar a uma Alemanha chuvosa e gelada é choque, desde o começo. Impressionante como dois países tão pequenos e tão próximos podem ser assim, opostos.

No que Paris encanta, Berlim assusta. A primeira é composta pelas ruelas coloridas, a arquitetura romântica, os cantinhos seculares, a luminosidade que a apelida. Berlim é cimento, asfalto, cinza, imensidão, as disparidades dos prédios novos reconstruídos em cima do que sobrou, o peso da dura arquitetura pós-guerra.

E o que dizer da diferença entre os habitantes das duas capitais? Da Paris multiétnica, bela, mágica, dos confrontos de culturas, dos parisienses descendentes de árabes, africanos e orientais que desprezam a nacionalidade francesa; dos parisienses franceses, típicos, antipáticos, cerimoniosos e impacientes. Os olhares que se evitam, dificilmente se cruzam. “Ville de merde, Paris de merde”, reclamava uma parisiense pelas ruas em uma das vezes que estive por lá. Contraditoriamente, a Cidade Luz continua sendo a capital européia mais visitada. Ninguém contesta.

Em Berlim, todos são berlinenses; é difícil diferenciar turistas ou estrangeiros dos habitantes. Eles são reservados, mas de sorriso fácil. Serenos, discretos, mas de fácil comunicação. Se eu não fosse brasileira, arriscaria até classificá-los como simpáticos. Mas eles são… berlinenses. De comportamento educado e doces atitudes que aliviam o clima da cidade, dos olhos claros que procuram refúgio nos nossos olhos, dos punks que nos interpelam sorrindo, da necessidade de superar as feridas ainda não cicatrizadas, de olhar por cima das ruínas que não os deixam esquecer do passado.

De todas as diferenças e possíveis perspectivas, eu dividiria Paris em celebração, e Berlim em consciência. Paris inspira: a arte clássica e onipresente, os museus imensos, os jardins frondosos, a história vitoriosa – a beleza permanente. Berlim, expira: a arte crua dos restos da guerra, os museus e monumentos aos judeus, a história interrompida e inacabada – uma cidade ainda em construção.

Há semelhança entre as duas? Divisões étnicas ou geográficas, elas ainda se repartem, na tentativa do equilíbrio de duas (ou várias) bambas dimensões. Que o digam os desacordos culturais e confrontos incessáveis dos banlieues da capital francesa. Que o digam as marcas do muro que retalham toda a cidade e uma nação.

* Dany Darko foi visitar Rafa em Berlim e descobriu que, independente da distância, eles continuam so close. Ela voltou para a França com as malas cheias de boas lembranças e de grandes momentos na capital alemã. Ele continua sendo jovem em Berlim. Em duas semanas, eles repetem a dose, em Parrí.

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8 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, lugares com PH

8 Respostas para “So close, so far away

  1. Thielli

    Dany, texto maravilhoso!! parabéns!

  2. E se Paris não é uma festa, Berlim o é. Na companhia de Dany Darko, então…

  3. Belíssimo texto, amiga. Lamento não ter estado convosco. =)

    Um abraço!

  4. texto encantador assim como o encontro deve ter sido…

  5. Di

    Dany, como sempre, ótimo!

    Que bom que aquele trabalho terminou…
    hehehehehe

    Dias mais phinos estão de volta!

    Beijão e bom restinho de semana pra ti querida…

  6. Delícia de texto.
    Ai Parriiiiiiiiiii
    j’aime Paris
    abs

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