Qualquer dia eu morro… de phinesse

Pelas fotos decentes nos obituários

Pelas fotos decentes nos obituários

Por Dany Darko*

Dizem por aí que eu desdenho tragédias e sou de um ceticismo exagerado. Imagina, eu, exagerada. A verdade é que todo mundo, um dia, morre. Ou, como dizem os franceses, desaparece. Precisamos morrer (ou desaparecer) de alguma coisa, seja de velhice, de doença, por escolha própria ou acidente, whatever, não vou ficar enumerando. Contenção populacional agradece, obrigada.

A morte é, ao mesmo tempo, triste e ridícula. Se você não é parente ou amigo do defunto, raramente vai ser comover. Que o diga a criatura de um cartão de crédito que ligou 53 vezes para a minha casa porque acreditava que minha mãe queria despistá-la quando dizia que era impossível falar com o meu pai porque ele tinha morrido. E o farmacêutico que chega em casa com uma caixa, uma semana depois do falecimento: “chegou a encomenda do teu pai”, me diz. Mas já? Sedex lá pro céu, meu amigo, que agilidade não é o forte de vocês. Triste e ridículo.

E então que a sequência de mortes e tragédias aéreas das últimas semanas começou a realmente me interessar. Porque digamos que o número de falecimentos é proporcional à quantidade de gente conhecida casando em todo o canto do mundo + festivais de rock + visita aos amigos e família. E com o aumento das chances de partir, digo (haha), viajar, é impossível não pensar em uma súbita explosão ou queda de um avião quando se passeia pelo menos duas vezes no mês – quatro, no mês de maio.

Ok, vocês vão me dizer que tem gente que viaja mais. Tipo comissários de bordo, pilotos, business men e pombos-correio, né? Mas não possuo nenhuma dessas profissões, vocês sabem. Sou só uma jornalista mestranda expatriada que tem tanto horror quanto convite a casamentos, fixação por festivais de rock, amigos e família here, there and everywhere.

Ano passado, quando eu voltava de Dublin, jurei que ia desaparecer junto com aquele bando de gente alaranjada e sardenta dentro de um low-cost irlandês. No avião espancado pela turbulência, não entrei na histeria coletiva dos gritos e choro. Tinha acabado de comprar uma máscara ótima da Clinique no free shop e não queria borrar a maquiagem.

Há algumas semanas, bombeiros batem na minha porta. Meu prédio corria risco de explosão devido a um vazamento de gás. Eu, com os meus superfones de ouvido de estampa de bolinhas, não tinha escutado a evacuação minutos antes. De pijama e descalça, na porta do apartamento, faço um pedido aos mascarados: “posso colocar um calçado?”. E sou escoltada por uma tropa, de pijama e Melissa Anglomania Vivienne Westood até o abrigo improvisado onde pessonhas aguardavam com caras de desespero e fazendo comentários de “quel horreur”, “c’est terrible”, blá blá blá (confira detalhes do episódio aqui).

Uma jovem demoiselle se aproxima. “Não me adicione ao bate-papo”, penso. Mas ela era das minhas. Queria saber onde eu comprei meu sapato e se decepciona quando eu digo que maman me enviou do Brésil. Exclusividade, amigos phinos, ofusca qualquer tragédia.

Ué, morrer pode acontecer a qualquer hora, não? Ser precavido, tudo bem, desde que não passe do limite da neurose: não dá pra prever tudo nessa vida. Mas, pelo menos, o figurino tem que estar garantido.

E, por favor, em caso de falecimento, escolham uma foto decente minha porque não tive tempo de organizar isso antes da próxima viagem. Tem coisa mais out-phinesse do que fotos de óbitos? Pro-í-bam minha mãe de publicar qualquer foto da festa dos meus 15 anos!

* Dany Darko vive sob explosões (de emoções), tem uma longa linha da vida na mão direita e um santo muito forte. Viaja amanhã para mais um casamento, em Tóquio, e volta ao EBDP em duas semanas.

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9 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, lição de vida, mulher (realmente) moderna

9 Respostas para “Qualquer dia eu morro… de phinesse

  1. Quase morro de felicidade com tamanha phinesse de coluna. Não há jeito mesmo de nos enviar coluna “direto de Tóquio”. Pelamor, a GERAU agradeceria muuuuuuuuuuuito.

    Beijos,
    Rafa

  2. Ontem, tive longa conversa com uma colega da Arte sobre a Anglomania Three Straps. Agora, leio este post. Deixei de comprar esse modelo na cor cobre para ficar com uma Aranha 79 + Neon preta. E sonho, sonho muito, com a Ultragirl + J. Maskrey e a Zaha Hadid. Melissa é que nem phinesse, nunca é demais.

    (Ei, Melissa, patrocina a gente! Aceitamos o cachê em produtos)

  3. boa viagem Dany!

    concordo com o Rafa que um “postzinho” direto de tóquio seria ó-te-mo!

    e sim, melissas jamais serão excesso!

    • Brigada, Alice querida!
      Vamos ver se rola de escrever um post de lá, então. Senão, na outra semana já estou de volta, cheia de Hello Kittys e yakisobas pra vocês.

      E Melissas para todas nós! Merecemos! Beijos!

  4. Caroline Andreis

    E depois dizem que o EBDP não tem profundidade. Chuuuupa Noblat!

  5. Di

    Phina como sempre!

    ADOREI o post Dany…

    Boa viagem e um phino casamento pra ti moça.

    Beijão

  6. Julia

    Por favor, faça sua mãe assinar um termo proibindo a veiculação da sua festa de 15 anos, principalmete as que eu apareço, vestida de senhora e passando mal kkkk

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