Darwin & Andy na bananeira 2.0

*Por Vini

Começo com o óbvio e de conhecimento geral. Andy Warhol já disse que no futuro todos teriam seus quinze minutos de fama. Confesso que não sou profundo conhecedor de sua obra. Conheço apenas as referências clássicas, que os pseudo-cults citam por aí. Não sei em que contexto ele fez tal declaração, mas acredito no tic-tac dessa profecia do século XX.

Eu ganhei meu primeiro celular aos 17 anos. Criei perfil no orkut aos 19. Fotolog aos 20. Last.fm aos 23. Twitter aos 24. Batizaram essa parafernalha toda de Web 2.0. Muita gente critica esta nomenclatura. O pessoal da área diz que é uma jogada de marketing. Talvez seja, talvez não.

Só sei que as crianças nascem jogando videogame, falando no celular, navegando na internet. E eu não trocaria a minha infância com Lego ao som de LPs em vinil por nada nesse mundo. E não me venham com aquele papo de avó que o bom era brincar na rua. De vez em quando, um pique-esconde, um pique-bandeira. No geral, confesso a vocês: era feliz com meus Legos, Comandos em Ação e afins, criando enredos e histórias só para mim. Começava um dia, continuava no seguinte. Meu pequeno mundo, plausível e coerente, porque sempre fui racional. O fantasioso precisa ser verossímil, afinal, a esperança é de que a ilusão se concretize um dia, certo?

“Ai, Vini, que que tem a ver Twitter com Comandos em Ação e pseudo-filosofia-de-bêbado-de-madrugada?” Calma, leitor(a) amigo(a), tudo se encaixará como um quebra-cabeça.

Outro dia mesmo vi um trailer de Comandos em Ação (G.I Joe – Rise of Cobra). Simples assim: joguei o nome no YouTube e pronto. O trailer é detestável: pura pirotecnia. E os personagens? E a história? Zero, ao menos no trailer. Fiquei um pouco desiludido e triste, afinal, não lembrava nada daquilo que eu gostava na infância.

De certo modo é compreensível. Com tanto “conteúdo” online, apenas os mais aptos sobrevivem. Darwin puro e aplicado. Um filme para ser sucesso de bilheteria deve ser atrativo. Deve chamar atenção para se perpetuar. Que estúdio de Hollywood não quer uma continuação?

E o mesmo acontece com as pessoas. Tantas redes sociais, tantos perfis, comunidades, fóruns. Pessoas postam e escrevem alucinadamente. Coletam amigos como chaveiros. Colocam fotos em poses sensuais. Algumas pessoas praticamente gritam, imploram para serem notadas. Sem contar aquela “lei” básica: siga-me que te sigo; “mi add” que te adicionarei também; comente-me e serás comentado.

Coisas da Web 2.0. E essas pessoas me lembram G.I. Joe – Rise of Cobra: muito paft! boom! zuuuuum! para nada. E o enredo dessas pessoas? Será que elas não têm clímax?

Todo o paft! boom! zuuuuum! para chamar atenção das outras espécimes. Na selva de bytes e bits, claro. Novamente Darwin. Puro e aplicado. O desafio phino, no meio dessa macacada toda, é achar a(s) banana(s) que prestam. Os mais “fortes” e “aptos” sobreviverão. Por quinze minutos, ao menos.

*Vini ama a internet e não consegue viver sem ela. Ainda sente saudades dos bonequinhos de Comandos em Ação. Perfeccionista e exigente como um general, apenas gostaria que a média geral fosse um pouco mais elevada.

1 comentário

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Uma resposta para “Darwin & Andy na bananeira 2.0

  1. Será que entre tantos seguidores e “amigos” de sites de relacionamento há lugar para os amigos de verdade? Para as pessoas de carne e osso?

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