Fazenda EBDP para rehab emocional

Assim como ele, L'Andreis vai fazer você se comportar

Assim como ele, L'Andreis vai fazer você se comportar

Por L’Andreis*

Foi meu irmão chegar, depois de um ano fora de casa, para Björk, a cachorra assim nomeada por ser branca e fofa como um esquimó, molhar todo o tapete do hall com xixi canino. Não foi maldade, é assim que cachorros carinhosos reagem quando reencontram alguém de quem têm muitas saudades. Meu irmão abraçou ela com toda a força, mesmo mijada. Ele sabia que era um elogio a traquinice da pequena.

Björk chegou aqui com 3 ou 4 meses de idade. Foi tratada sempre como alguém da famiglia. Tem sua cama, mas dorme na de quem quiser (ela prefere dormir comigo porque sou mais quentinha, fazer o quê?). Passeia duas vezes ao dia, banho uma vez por semana, carinho a toda hora, comida também. Conseqüências de viver em um lar de origem italiana. São gritalhões e impulsivos, mas também têm essa coisa com suas crias: massa, polenta e atenção. Abraços, beijos, apertões nas bochechas, sempre acompanham o grostoli. Como a Björk, eu também fui criada assim, mas seguro o xixi (quase sempre).

Fora de casa, descobri que havia outros tipos de famílias. Umas mais rígidas, outras mais loucas, algumas sufocadoras. O pai que largou o filho pelo rock’n roll, a mãe que largou a filha pra passear pela Europa, o casal que deu a filha pra vó porque não tinha saco. A conseqüência disso é um clichê: nunca espere de alguém o que essa pessoa nunca recebeu.

Também de família latina e caliente, Cesar Millan é conhecido como O Encantador de Cães. O mexicano treina a cachorrada toda de Hollywood, tem programa no Animal Planet e até na Veja esteve esses dias. Não concordo com tudo que ele diz, mas sou fã do trabalho dele na reabilitação de cachorros com problemas de convivência social. Ele tem uma fazenda só pra isso, para onde leva animais como Dora, uma Pitt Bull que teve mais de 80% do corpo queimado. Foi quando andava na rua que Dora teve o pêlo coberto de gasolina e queimado. Foi salva por uma ONG, mas não tinha como ficar perto de humanos: agredia, rosnava, mordia, atacava. Cesar Millan levou ela pro seu oásis e hoje ela é um de seus animais favoritos. Ele não quer se desfazer dela por nada no mundo, já que agora, depois de anos vivendo com ele, a possível máquina de matar sabe o que é carinho.

foi assim que mamãe me criou

foi assim que mamãe me criou

Sempre fui mais Björk do que Dora, mas minha maior identificação aqui é com o Cesar Millan mesmo. Não satisfeita em distribuir abraços e beijos, eu ainda queria reabilitar os cachorros e cadelas sarnentas que cresceram levando pedrada por este mundo. Carinho e amor pra dar eu tinha (tenho, terei, sapinhoô); porém, ao contrário dos Sharpeis, Pitt Bulls, Cockers e etc., na fazenda do Millan, a galere que eu queria tratar quase nunca esteve pelo rehab emocional. Daí eu sempre saia (saio, sairei) mordida e arranhada. E pior: sem nem 10% do salário milionário de um treinador.

Claro que, como um bom animal racional, eu aprendi por condicionamento que é furada esperar atitudes boas de quem nem sabe o que é isto. Mas, volta e meia, como um vira-lata hipnotizado por um pastel, esqueço tudo e vou de novo tentar espalhar o amor. Ao contrário do cachorro, eu tenho o dom de me auto-convencer: se fulano receber carinho, vai ver que é legal e ser uma pessoa melhor. Acabo no HPS.

Comovida por minhas próprias tentativas e erros, proponho ao EBDP a compra de uma fazenda para reabilitação emocional de gente escrota. Como aquela van do “Queer Eye for the Straight Guy”, atacaríamos nas ruas carregando essa gente com camisas de força estampadas com bichinhos fofos. Já INTO THE WILD, nem que tenhamos que usar técnicas da Terreira da Tribo e do Oshu e passar 1.000 horas seguidas de Bob Esponja ou o vídeo do Christian, the Lion no repeat, vamos tirar calor daqueles corações. Vão aprender a dar abraço, a serem gentis, a não atacar, morder e arranhar. A não ficar falando mal dos outros levianamente. Vão perder o medo de serem sinceros, profundos, de se apaixonar. E assim o mundo será novamente salvo pelo EBDP.

andreis_avatar*L’Andreis não funcionou com o coração de gelo e tocou-lhe um de manteiga Aviação no lugar.

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8 Comentários

Arquivado em em defesa do phino animal, L’Andreis, lugares com PH

8 Respostas para “Fazenda EBDP para rehab emocional

  1. gostaria de manifestar aqui meu voto COMPLETAMENTE a favor da fazenda do EBDP!

    o mundo tá precisando

  2. Caroline Andreis

    O EBDP aceita doações espontâneas para a compra da fazenda. Investidores, também estamos esperando vocês. =)

  3. Quando eu era criança lá em Cafundó, aprendi com a minha mãe a “não esperar que nasçam laranjas de uma macieira”. Com custo, assimilei a lição. Resultou que não levo muita fé no ser humano e, confesso, gastei pouco do meu tempo para ser sincera, profunda e me apaixonar.
    Ainda bem que existe gente como L’Andreis. Se um dia inventarem a maçãranja, será criação de alguém como ela.

  4. nandaobregon

    Carol, se tua fazenda for cheia de cowboys, tô lá!
    hahaha ❤

  5. SS: vou servir maçanja em tua homenagem na fazendinha.

    Fernanda: cowboy eu garanto, agora o boy é uma coisa muito relativa hoje em dia, tu sabe. Ver Brockenback Mountain. =)

  6. “se fulano receber carinho, vai ver que é legal e ser uma pessoa melhor. Acabo no HPS”

    tudo verdade.

    bjs, linda.

  7. Caroline Andreis

    Rafa já me viu no HPS algumas vezes.

    Em tempo: não é culpa de ninguém ser assim. A culpa é continuar sendo assim, até com as pessoas que te querem bem. Fail.

  8. será q o mundo tem jeito?
    sem ofensas, mas se a igreja u******* e tantas outras conseguem, por que o EBDP não? XDDD
    abraços

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