Sexo verbal?

palavras são erros, e os erros são seus

palavras são erros, e os erros são seus

Por Vini*

Estava eu no MSN. Enquanto conversava rapidamente com nosso phino Rafa, puxei papo com um “caso” meu. Uso este termo porque não somos nada agora, não fomos antes, não sei o que seremos depois. Tudo devidamente entre aspas, porque sou a favor da precisão terminológica.

Disse ao meu Interlocutor, o qual atualmente reside na França, que pensava em me mudar para o Nordeste, mais precisamente, para Recife. Em resposta, ele disse que lá deveria haver muitos “cabras arretados”.

O único comentário plausível que meu cérebro conseguiu processar foi “ ¬¬ ”. Perguntada a razão de meu desprezo, respondi-lhe que tenho preguiça de pensamentos voltados primária e exclusivamente ao sexo. A tréplica veio ligeira. Segundo a concepção daquele radicado no Velho Mundo, pouco sexo deixa as pessoas azedas. A média do garanhão em questão (ele, claro) é uma vez por semana. Deixe-se claro que ele não está envolvido em nenhum relacionamento sério. Mesmo porque, se estivesse, talvez não me contaria.

Desde o relatório Kinsey, pipocam estudos sobre sexo. Qual é a média ideal? Tamanho é documento? Enfim, a ditadura dos números, típica do capitalismo, adentra a cama: quanto mais dígitos, melhor.

Sexo é bom, sexo é vida. Por outro lado, sexo como obrigação deve ser um saco. Imaginem, phinos leitores, o Sr. Interlocutor. Que difícil deve ser achar uma pessoa [diferente (?)] toda semana para trepar! “Ai, Vini, mas você está sendo exigente e puritano”. Puritano, jamais; exigente, sempre.

Se eu tiver que correr atrás de alguém, toda semana, “porque gosto muito de sexo”, como o Sr. Interlocutor, eu não me contentaria com qualquer coisa. Antes só que mal acompanhado também se aplica debaixo dos lençóis. A pseudo-satisfação de um instante pode não corresponder ao arrependimento de depois.

E as pessoas que vão pra balada *exclusivamente* para caçar? A minha única reação possível a este comportamento: “ ¬¬ ”. Okay, flertar é legal, é interessante, mas é o cúmulo a pessoa não se divertir no fim de semana porque não pegou ninguém. Conheço mulheres, phinos amigos, cheias de pudores artificiais, que põem os lábios em qualquer boca só para não ficar solas na pista. NO-JO. Eu quero é sair da pista com a panturilha doendo de tanto dançar.

Claro que sexo é uma coisa, amor é outra. Não vou misturar conceitos, nem achar que o mundo é um conto de fadas, porque não é. Sexo é comunicação. “Nossa, que abstrato, me perdi total ou você viajou, gato”. Calma.

Tento me explicar.

Não direi que sexo é íntimo e que você só deve se entregar à pessoa amada num lençol de cetim com rosas pela cama, música brega ao fundo, vendo os céus na hora do orgasmo e blah-blah-blah. Não, porque isso dá náuseas.

Sexo é algo pessoal. As palavras, por exemplo, são pessoais. Estas linhas que escrevo são pessoais, apesar de eu não conhecer vários de seus possíveis leitores.

Não que eu vá me comunicar literalmente pelo sexo, porque não sou adepto do dirty talk.

Sexo só tem graça quando há atração. Não apenas física, que fique claro. O maior órgão sexual de uma pessoa é o cérebro. Inteligência é afrodisíaco. Sintonia, afinidade, comunhão, ou seja, comunicação em todos os níveis possíveis.

Fazer sexo por sexo pode ser bom, mas ter que fazer por obrigação deve cansar. Ter que saciar o tesão do mesmo modo e pela mesma razão que se sente fome ou sede é uma experiência vazia. Especialmente porque desconfio que a vontade de sexo não seja tão mecânica e fisiológica quanto a fome, como “sábado à noite é dia de trepar loucamente, senão eu morro”.

Pessoas com necessidade de auto-afirmação sexual, seja porque têm o falo pequeno ou qualquer outra razão freudiana, me cansam e me broxam. Se é para ter excitação, quero alguém que me estimule ao máximo, em vários níveis. Sem obrigação, sem hora marcada, sem imposição psicológica ou social.

Sexo verbal faz totalmente meu estilo. Discordo completamente de Renato Russo. E, se eu for morar em Recife, é pelo salário, praias e outras oportunidades, e não pelos “cabras”, porque zoofilia não é comigo.

*Vini é bem dotado, ficou com poucas pessoas esse ano e vai muito bem, obrigado.

5 Comentários

Arquivado em contribuição phina, fica aí a dica, relaçã? sã?, vergonha alheia

5 Respostas para “Sexo verbal?

  1. Acho que a falta de inteligência pode ser compensada com beleza e charme (se o assunto for apenas sexo e beijo na boca). Mas nada supera a inteligência… Pena que os inteligentes que tenho conhecido tem outra característica muito comum: a loucura. Mas enfim. Concordo com quase tudo, mas preciso concordar com o Renato: sexo verbal, definitivamnete, não faz meu estilo. Preguiça.

    Beijos

  2. “O maior órgão sexual de uma pessoa é o cérebro.”
    Vambora exigir homens bem dotados!

  3. Vambora exigir homens bem dotados![2]

  4. “Eu quero é sair da pista com a panturilha doendo de tanto dançar” -> tatuei do lado da “Te avisei que eu era bafona”.

  5. MsRiverside

    Tesão intelectual é o que há!
    Sexo com hora marcada toda semana? Então é profissão…

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