Ain’t no mountain high enough

minha mãe sempre dizia: se subiu tem que descer

minha mãe sempre dizia: se subiu tem que descer

Dany Darko*

Quando meu grupo de amis começou a organizar uma aventura alpina na fronteira entre a França e a Itália, pensei: “ainda bem que vou estar me contaminando com o H1N1 no sul do Brasil”. Beijos, não irei.

Mas, com o desespero da famiglia diante da vulnerabilidade da sua integrante mais ranhenta, a passagem cancelada e a solidão de final de agosto garantida na França (durante as férias de verão, até os esquilos dos parques somem), meus pensamentos e considerações sobre a trilha nas montanhas mudaram. “Vou passar quatro dias me entupindo de Häagen-Dazs e fazendo maratona dos filmes do James McAvoy”. Em casa, claro.

Poucos dias antes da indiada, numa conversa entre amigos, alguém me disse que, sem ou com Brasil, gripe suína, Häagen-Dazs ou McAvoy, eu não seria mesmo capaz de fazer a tal da randonnée (como eles chamam essa coisa de subir montanha por aqui). E aí, vocês já conhecem essa sequência: molharam o gremlin, feriram o orgulho do Rocky Balboa e aflorou a voz do Batman bravo. Aceitei o desafio.

O plano incluía quatro dias de trekking, entre 12 e 15 quilômetros de caminhada, entre 700 e mil metros de subida, sete a oito horas subindo e descendo montanhas. Por dia, claro. E mais: acampar nas altitudes, tomar banho nos lagos ou rios que encontrássemos (5 graus era festa na sauna), se alimentar exclusivamente de carboidratos al dente e levar, no mínimo, 10 quilos por mochila.

Claro que foi tudo muito pior que isso porque ninguém teve a coragem de me contar a verdade: todas as dificuldades seriam elevadas a vigésima sétima potência. E eu pensei que fosse morrer de insuficiência respiratória nos cinco primeiros minutos de subida. E que eu nunca iria usar a bolsa retrô cor de ameixa da Zara que ganhei de petit-ami como chantagem incentivo à aventura.

Mas, tirando o fato de que eu não tomei banho por três dias, que minha barraca ficou sobre um monte de cocô de cabra, que eu tive dor de barriga e fiz minhas necessidades no pico de uma montanha, que eu fui mordida no fuça por um inseto e que estou virando Gregor Samsa pela narina, e que eu vou mandar amputar as pernas essa semana ainda porque elas simplesmente não existem mais, foi uma baita experiência. Imagens que provam:


E, oi, sobrevivi (i mean, da derrière pra cima), vi lugares lindos, me desentoxiquei da humanidade, meditei e orei muito (por mim, por vocês e pela phinesse).

Tudo o que eu pensava nos momentos de dor e dificuldade é que superação é muito, muito phino. Observar um bando de machos esportistas que esqueceram do protetor labial se lambuzando com o meu gloss e subindo as montanhas com as bocas mais rosa-cintilante dos Alpes é muito mais phino ainda.

dany_avatar*Dany Darko está imobilizada por tempo indeterminado, mas com o coraxaum cheio de lindas paisagens. Independente dos estragos, volta ao EBDP às quartas, mesmo que ao estilo O Escafandro e a Borboleta.

6 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, lugares com PH, malhação com PH

6 Respostas para “Ain’t no mountain high enough

  1. Tudo mentira! Tu tirou essas fotos em São José dos Ausentes que eu sei. muahahahahahah

    (brincadeirinha)

    Lindas fotos Dany!

    Beijos

  2. Comassim tu não reconheceu Cambará do Sul, Rafa? =D

  3. Julia

    Parabens pela superação. com certeza ta toda fudida, mas tem história pra contar pros… er. sobrinhos, primos assobrinhados essas coisas rsrs

  4. Oi Dany, por acaso não era algo perto da cidade de Aosta e saída do vilarejo de Cogne? Porque fiz algo muito parecido com petit-ami e seus amigos. As fotos, ao menos, parecem ser do mesmo lugar. E, sim, também fiquei sem pernas e sem fôlego, mas a minha pele deve ter rejuvenescido uns 10 anos 🙂

  5. A dor passa, a medalha fica.
    (esqueci o autor, mas adotei como lemadivida)

  6. Adriano

    ei muito legal essas fots gostei muito da do lado de varios tons d verde vc pode me flar onde foi
    me add no msn e me fla adriano_1591@hotmail.com
    valew ai ate

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