O teste do marshmallow

*Por L’Andreis

O termo gratificação imediata é familiar para a maioria de vocês, phinos extremamente bens de vida, sem nenhum problema mental ou físico, trauma, carência e nada pra se preocupar. É o que acontece quando se quer alguma coisa e se tem ela rapidamente. Para alguns, nem há o quando: sempre se tem o que se quer. Já.

Adepta do querer é poder oriundo da nossa minoria social e da antigamente conhecida como pós-modernidade (isso ainda vai virar um símbolo, tipo o Prince), sou uma péssima candidata ao Teste do Marshmallow, criação do Dr. Walter Mischel da Stanford University, ou Stand For – trad.: esperar por – University. (Desculpem, virei publicitária em 2008.)

Neste teste, aparentemente docinho e macio, crianças em idade pré-escolar são convidadas a uma sala onde ganham um prato com um marshmallow. A pedagoga avisa a gurizada: pode comer gostoso, mas, se esperar , ganha mais um. O tempo de espera é 20 minutos, o que, para uma criança com quatro anos de vida, é 9,5% de sua existência. Proporcionalmente mais demorado do que a fila de espera pro The Palace of the Lost City na África do Sul.

O teste é repetido por aí e, dizem os especialistas, as crianças que esperam pelo segundo marshmallow, além de consumirem o dobro de calorias, tornam-se adultos melhores, mais confiantes, que enfrentam melhor a vida e não reclamam de esperar o ônibus. Também há indícios que 95% dos compradores de ingressos para o POA em Cena no primeiro dia não comeriam o marshmallow.

Teste do Marshmallow tudo bem, mas e se for Teste do Kit Kat?

Teste do Marshmallow tudo bem, mas e se for Teste do Kit Kat?

Acabei de voltar de viagem estrangeira e trouxe uma caixa de Kit Kat que durou cinco dias. Muito menos do que 9,5% da minha vida (não muito menos, ok). Além de ter que ir em uma moca secretíssima em SP se quiser mais do chocolate, acumulei calorias demais para um dia, obrigando-me a caminhar muito mais que 20 minutos todos os dias na Encol nossa de cada dia. O que ganhei com isso foi a tal gratificação imediata, o que, para mim pode se traduzida também pelo famoso nãodánada: é só comprar e correr mais.

Infelizmente, para crianças como eu, nem tudo está à venda em uma padaria em São Paulo e, para muitos excessos, exercícios fiscos não resolvem. Assim, inspirada pela lição que a vida e a meninada paciente me deram, acredito agora no tempo. Sempre achei qualquer tipo dessas artificialidades humanas ridículas. E por artificialidade, eu quero dizer minutos e horas. Segundos são coisa bonita, coisa nossa, algo que dá pra agüentar. Como diria Caetano, sempre quis quantidade e intensidade, mas que viesse logo, e, se por acaso demorasse, por favor, uma casquinha de brinde.

Emoções dos outros são dessas coisas que só esperar o doce resolve. E-mails geniais, twitts de aviso, stumbles construtivos, flores, bombons, meia arrastão: nada disso traz muito amor e paixão no momento djá. Claro que, como as crianças no estudo, dá pra inventar alternativas: lamber o doce, sentir o cheiro, comer os farelos, batucar, ir no teatro, no cinema, flertar na moral. E confiar que a vida, essa pedagoga instável, nos traga o dobro de bonança porque, se ela não der, vou ali na Sweet Sweet Way e compro QUILOS de marshmallow, que podem não ser AQUELE, mas satisfazem. Nem que seja momentaneamente.

andreis_avatar*L´Andreis está aí, na luta, esperando o segundo marshmallow que, se acontecer de não chegar, pelo menos não engorda e faz a pessoa mais madura. Você pode acompanhar esse crescimento pessoal aqui toda quinta e, caso não saiba esperar, diariamente no twitter: @carolandreis.

12 Comentários

Arquivado em L’Andreis, lição de vida

12 Respostas para “O teste do marshmallow

  1. nandaobregon

    “E confiar que a vida, essa pedagoga instável, nos traga o dobro de bonança porque, se ela não der, vou ali na Sweet Sweet Way e compro QUILOS de marshmallow, que podem não ser AQUELE, mas satisfazem. Nem que seja momentaneamente.”

    Gênia.

  2. Ah se a vida fosse tão simples quanto este teste…

    Mas o que eu mais amo no vídeo é aquela que devora o marshmallow pelas beiradas e deixa o doce todo cagado ali, ju-ran-do que vai enganar a pedagoga. Morro!

    Melhor ainda é a guria que nem ouve a pedagoga falar e já se atraca no marshmallow -minha ídala.

    Mas a vida não é um doce. E, atenção, phinos: existe uma terceira possibilidade. Ainda não ten comprovação da Stanford University, mas eu garanto. Já deixei de comer o primeiro marshmallow, esperei muito, inclusive, e foram lá e não deram o segundo. Pior: me tomaram o primeiro. Por isso que não espero mais.

    Ótima coluna!

    Beijos

  3. Caroline Andreis

    Fernanda: deixa disso, é você. ( barulho de seda rasgando)

    Rafa: faz assim da próxima, vai lá, come e empurra com coca-cola, quero ver te tirarem do intestino!
    Mas acho que a manha da aranha é comer o primeiro e fazer cara fofinha pra pedagoga. Duvido que ela vai resistir de dar o segundo se tu pedir com jeitinho. (método sou brasileiro e não desisto nunca no teste do marshmallow).

  4. “E confiar que a vida, essa pedagoga instável, nos traga o dobro de bonança porque, se ela não der, vou ali na Sweet Sweet Way e compro QUILOS de marshmallow, que podem não ser AQUELE, mas satisfazem. Nem que seja momentaneamente.”

    Gênia.
    [2]

  5. Caroline Andreis

    Rafa, nem precisa me pagar esse mês. Só deixa o bônus aquele. Meu salário são esses comentários.
    =)

  6. SS

    Identifiquei no início o guri que ia conseguir aguentar: a cara de desejo, muito desejo, e sofrimento, muito sofrimento.
    Vou treinar em casa pra aprender a fazer aqueles olhinhos.

  7. Não sei se perdi alguma piada interna ali, mas saiu um SE CASO.

    “que viesse logo, e, se caso demorasse, por favor, viesse com uma casquinha de brinde.”

  8. Caroline Andreis

    que gentil.
    obrigada.
    foi erro mesmo.

    um abraço,

  9. Lindo, lindo post. Aplausos!

    “Stand For – trad.: esperar por”. Atorei!

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