O elogio que te leva ao auge

"Nossa, você é tão linda que não caga, lança bombom!"
“Nossa, você é tão linda que não caga, lança bombom!”


Rafa*

Eu adoro um elogio. Mas elogio bem dado, que fique claro. Por favor, não me entenda mal. Não sou contra os galanteios de quinta, como aqueles que os pedreiros fazem quando tu passa gostosinha por eles –na real, eu adoraria receber um desses (suspiros). Mas, vai, no fundo, bem no fundo, tu sabe que não é verdade e que eles só dizem aquilo pra fazer piada com o colega, se enturmar, fazer parte do grupo. Coisa de macho e não vale a pena tentar entender.

Minto. Uma vez eu recebi, digamos, “o elogio do pedreiro”. Eram sete da manhã, e eu fazia a minha corrida matinal, com um calçãozinho curto de corrida, quando uns gatinhos sem camisa passaram por mim de carro e mandaram ver num “fiu-fiu”, seguido de um “huuummmm”. Certeza que só fizeram aquilo porque tavam em bando e não pegaram ninguém na festa. Confesso que me senti um pedaço de carne do churrasco de domingo. E não foi nada mal. Serviu pra eu começar o dia bem.

Entretanto, o que eu quero falar hoje é de como é bacana ser agradado, ter o ego amaciado, principalmente quando se faz por merecer. Foi o que aconteceu numa madrugada dessas quando minha roommate chegou da balada em casa completamente alterada por causa de uns mojitos safados, me pegou na sala só de cueca e disse, sem cerimônias: “Mas Rafa, como tu tá gostoso!”

Fiquei um tanto quanto constrangido também, confesso. Porém, achei justo. É por essas e outras que tenho malhado seis vezes por semana e me esforçado bastante na academia. Já que os gatinhos ainda não perceberam a consistência do material, que ao menos elas percebem. E falem.

Você pode estar aí pensando: “Ai, o Rafa deve se achar horrores, nunca mais elogio quando eu ver ele bem vestido”. Pode parar, gatinha. Eu tive muito problema com isso na infância. Nunca era elogiado. Então eu sei valorizar e tenho consciência que “tudo é coisa de momento, depois passa”, como muito bem nos ensinou Narcisa.

"Você não usa calcinha, você usa porta-jóia"
“Você não usa calcinha, você usa porta-jóia”


Passei anos sem receber um elogiozinho sequer. Minha irmã, estilista em ascensão, sempre acabava comigo quando eu não estava com as roupas corretas antes de sair de casa. Era algo perto da humilhação se eu errasse no modelito. Então, aos poucos, fui aprendendo. E só melhorei: primeiro, foram as roupas boas, depois, os livros corretos. Passei para o bom cinema, os perfumes, os vinhos… E hoje sou o que sou. E valorizo cada palavra bonita que recebo, porque foram conquistadas a duras penas. E me esforço muito para ouvi-las repetidas vezes. Me faz bem. (E retribuo, sempre quando alguém faz por merecer.)

Mas calma aí! Não pensa que é só sair por aí enchendo os ouvidos dos outros com “lindooooooooooooooooooo”, “gatoooooooooo”, “arrasooooooooooooooooooou”. Que fique bem claro: bichice é uma coisa, elogio é outra.

Tem também aquele agrado que na verdade é uma crítica, daquelas tão pesadas que chegam a doer. Exemplo didático 1: por anos, meus amigos disseram, ao me ver na praia só de sunga, que minhas pernas são “lindaaaas”. Verdade. Mas por trás desse suposto elogio estava a verdade verdadeira e o recado perfeitamente dado: o peito poderia ser um pouco musculoso e a barriguinha de cerveja, desaparecer.

Com essas e outras, aos poucos, fui entendendo a arte de receber e, claro, dar elogios. É uma delícia tomar um banho demorado, passar um bom perfume, vestir uma roupa legal e, por consequência, ganhar um cheiro sincero das minhas colegas de trabalho, que deixam meu dia mais bonito e mais feliz. Quem não gosta?

Melhor ainda é quando, após o elogio, de lambuja, tu acaba ganhando uma ação. Exemplo didático 2: ouvir “Rafa, mas que sorriso lindo tu tem” e levar um beijo na boca na sequência. Tem coisa melhor?

Tem, sim, gatinha. E senta pra morrer de inveja tu também, bicha malvada. Aconteceu comigo na última quinta, quando eu saía da academia após uma partida de vôlei com meus colegas héteros.

Após o jogo, sempre volto pra casa com a roupa do treino, calção e camiseta (de qualidade, claro). Mas tava frio, e eu tive que me vestir como sou no dia a dia, ou seja, lindo.

Então passei pelos bofes, que me olharam dos pés à cabeça, e disseram: “Nossa, olha o cara!” E balançaram a cabeça, lentamente, com aquele ar de aprovação e reverência. Desculpem, phinos e phinas. É aquele tipo de elogio para poucos e que não tem preço.

*Rafa adora um bom galanteio, mas há horas não recebe um que renda, digamos, algo mais concreto. Enquanto este dia não chega, faz elogios à phinesse, aqui, às segundas, sempre esperando ser recompensado de alguma forma.

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6 Comentários

Arquivado em lição de vida, Rafa

6 Respostas para “O elogio que te leva ao auge

  1. Acontece que tu tá beeeem gostoso mesmo.

  2. Ge

    nem precisaria de mais elogios, mas repito: tu é poooooodi………….em todos os sentidos. bjs

  3. filipe

    ai eu sei, como é. eu era um NADA na adolescência. uma vez uma garota disse que eu era “bonitinho” mas eu entendi muito bem o que aquilo significava. hoje, quando me elogiam eu não consigo acreditar.

  4. “E hoje sou o que sou”. HAHAHAH. Te amo tanto

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