Supera

ou vira emo

ou vira emo

Por Dany Darko*

Pediu para conversarmos e me contou que vai casar. Queria saber o que eu sentia.

– Acho ótimo. Que vocês sejam felizes para sempre.

Era mentira minha. Eu não dou a mínima para casamentos. Mas aprendi a não ser mal educada, às vezes.

– Espero que você saiba o que está perdendo. – respondeu.

E, antes que eu fizesse a tréplica, começou a me dar detalhes sobre o noivado e o casório. Que recém compraram um apartamento. E que logo pretendem ter filhos. E os nomes dos filhos. Da vida linda e perfeita deles. Etecetera.

– Fico feliz em saber que você está feliz e que você tenha encontrado alguém com quem possa realizar tudo isso que jamais realizaria comigo. – e dessa vez foi verdade.

Pediu para eu não falar de nós dois como um relacionamento falho. E para relembrarmos os bons momentos, que ele guardava no coração com tanto carinho.

– Lembra onde demos o primeiro beijo?

– Não.

– Lembra quando eu falei que amava você pela primeira vez?

– Não.

– Lembra do que eu escrevi para você naquela carta?

– Qual carta?

Tentei explicar que era inútil todo o revival forçado e sem razão. Mas recebi zero por cento atenção, menos 37% de consideração. Deixou claro que a conversa não era sobre o que eu pensava, mas sobre o que ele sentia. Fez questão de revelar que a noiva é parecida comigo, se veste do mesmo jeito que eu me vestia, age do mesmo jeito que eu agia, tem meu mesmo temperamento.

– E qual é meu temperamento? – perguntei esperando ouvir alguma coisa entre instável, contraditória, sarcástica, fora da casa.

– Calma, serena, tranquila.

Ao ouvir isso, tive vontade de mandá-lo para o lugar que ele merecia, de dizer tudo o que eu achava dele, de como ele me manipulava com seus dramalhões e chororôs, de como eu destestava já naquela época essa coisa de namoro-coleira-pra-casar, do comportamento machista dele que censurava minhas roupas, minhas amizades masculinas, de como ele era insensível, egoísta e, treze anos atrás, não enxergava que tudo o que eu queria ser era só uma adolescente. E que mesmo depois de todo esse tempo, ele continuava batendo na mesma tecla, insistindo em enxergar em mim tudo aquilo que ele queria que eu fosse.

Mas preferi me calar e respondi que ele precisava se focar no futuro, na esposa dele, nos filhos e o que mais ele tivesse planejado para eles. Essa pessoa calma, serena e tranquila não sou eu hoje e não fui eu nem quando eu tinha 17 anos e namorávamos, expliquei.

Insatisfeito com a minha reação, revelou que não gostaria nunca de nos esquecer, porque o que vivemos foi único e ele tinha muito orgulho disso.

– Não estou falando de esquecer, mas de superar. Assim, da próxima vez que tu vieres falar comigo, tu podes me contar sobre a tua noiva, sobre a tua vida de hoje, de agora, e não de uma pessoa que tu namoraste há treze anos e que nunca existiu. Não do jeito que tu imaginaste. Não do jeito que tu querias.

Algo me diz que não serei convidada para este casamento.

* Dany Darko odeia revivals, tem três ex-namorados bloqueados no msn e só vai a casamentos se tiver champanhe. Aqui, com um charmoso atraso, às quartas.

3 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, diálogos com PH, relaçã? sã?, sentimentos phinos

3 Respostas para “Supera

  1. Que coisa!

    E eu que achava que tinha ficado amigo do meu ex-namorado, seis anos depois. Não entendi por que ele nunca mais falou comigo depois que eu perguntei se ele se importava se eu ficasse ou desse em cima de algum amigo dele.

    Francamente…

  2. Julia

    kkk acho que sei quem é a persona kkkk

  3. Di

    Nossa Dany, queria ter essa coragem que tu tem. Arrasou com o bofe!

    hehehehehehe

    Beijão moça

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