Mamma, i’m comming home

e assim, chegar e partir

e assim, chegar e partir

Por Dany Darko*

Nunca tive problemas para colocar a mochila nas costas. Talvez porque, no começo da adolescência, aterrorizava meus pais com minhas ideias de viagens e intercâmbios. Até que, aos 15 anos, me inscreveram em uma excursão do colégio para a Disney. Surtei. Eu mesma desfiz a inscrição. Só viajaria se fosse para a Suécia, bati o pé em casa. E se fosse para ficar mais de um ano.

Me amedrontava a ideia de passar um mês com minhas colegas de ensino médio comprando bichos de pelúcia. Tanto quanto me fascinava o fato de perder qualquer parâmetro que a minha curta experiência de vida havia descoberto até aquele momento. « Porque quero aprender sueco », foi a justificativa mais coerente que achei para dar aos pais. Parece que não foi suficiente porque não fui nem para a Disney, nem para a Escandinávia, nem para lugar nenhum durante muito tempo. E tive que esperar alguns anos para saciar essa vontade do desconhecido.

Longe da histeria dos pais, não demorou tanto assim para eu carimbar algumas páginas do passaporte. E tenho acumulado vivências e experiências como jamais poderia imaginar. Mas ainda não pisei na Suécia, porque troquei a obsessão pela Islândia – provável destino do próximo verão.

Antes que essa coluna vire propaganda de agência de viagem, com a minha cara estampada num ônibus-lotação « Mudou minha vida. Fui certinha e voltei retardada », aviso que nunca tive tanta dificuldade para arrumar as malas como neste atual momento da conjuntura freak person que vos escreve.

O motivo da contradição é que em menos de uma semana, viajo meio mundo para visitar a famiglia. Faz três meses que tento arrumar a minha mala e me preparar para o reencontro. E dois anos e meio que não vou para o Brasil.

O que mais a atiça minha ansiedade, nesse momento, é o confronto com o novo antigo. Aquela história do tudo diferente, mas tudo igual. O lidar com as mudanças, com as ausências, as novas presenças, mesmo que tudo isso já estivesse do jeito que está desde a última partida. Ainda assim, o igual vai estar completamente diferente ou completamente inadequado.

E aí o problema do conteúdo da mala, do que deve ficar e do que deve ir, quais impressões e sentimentos partilhar, até onde deixar as pessoas perceberem que as viagens aumentam as perspectivas e as experiências de todo mundo, mas não mudam a personalidade de ninguém. Ter que dosar a française antipathique e a Jenny from the block ordinária. Poder ser eu mesma sem o olhar de reprovação do entourage porque eu não mudei nada.

Ou, se eu mudei, não foi necessariamente por conta da expatriação ou das mochilagens pelo mundo afora. Talvez eu sempre tenha sido assim, mudada, como tanta gente por aí. Talvez todo mundo, mochileiro ou não, tenha um tantinho de Meursault dentro de si.

* Dany Darko está sambando (por dentro, vamos deixar bem claro) de tantas saudades do Braziu. Escreve de lá, sob o efeito do jet lag e do guaraná, sobre sua chegada e readaptação na próxima quarta-feira.

3 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, lição de vida, lugares com PH

3 Respostas para “Mamma, i’m comming home

  1. Dany,

    eu te encontrei em Berlim. Atesto: segue a mesma, mas está mais linda e bem vestida!

    Vem me visitar em Sampa?

    Bjs,
    Rafa

  2. Julia

    AIIII BEM QUE VC PODIA PASSAR POR AQUI NÉ HEHEHEHque que vem na mala pra mala kkk roc?

    beijos mil

  3. Di

    PRECISO te ver quando tu chegar ao país do carnaval e futebol!

    ^^

    Beijão

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