Tô livre, bee

Por L’Andreis*

Foi a primeira vez. E nem vai ser a última. Me sinto como em um segundo dia de regime forçado. Aquele que tu faz não porque tu está se sentindo acima do peso, mas porque uma calça jeans te disse: para de comer, gorducha. Tu ainda não está certa se vale a pena cortar os carboidratos por um jeans que nem é premium e já sente falta até de chocolate.

Eu disse: – não dá mais, assim não, tá me fazendo mal. Sem raiva, mágoa, mas por questão racional. Era uma barra de chocolate aberta que eu não parava de comer. 2 mil calorias, 24 g de gordura. Bem não faz, mas tem como ficar sem? Tem como encerrar algo que tava bom? Sempre fui contra. Achava bonito aceitar as pessoas como elas são. Eu nem sabia o que eu queria mesmo, não podia reclamar de ausência, egoísmo, displicência. Eu também não gosto do contrário disso. Não muito, pelo menos.

Mais aí chegou o momento que eu vi que o que eu entendia como ansiedade demasiada, como defeito meu, era na verdade problema alheio. Eu não estava dizendo “do meu jeito ou de nenhum”, eu estava pedindo sensatez. Ele não precisava ser uma barra de chocolate gordurosa e viciante, podia, sei lá, ser uma boa barrinha de cereal, até aquelas que têm chocolate, nem precisava exagerar. Pra que ser tão prejudicial? Quem aguenta? Por que eu tinha que aguentar?

Nem ideia de como quem faz isso corriqueiramente reage. Pra mim, a sensação é de liberdade, mas aquela liberdade estranha. A mesma que tu tem quando termina a faculdade: não tenho mais e agora? Vou passar na frente e sentir saudades? Querer voltar? Pedir reingresso? Ficar frequentando as festas pra não perder contato?

Como na faculdade, tenho certeza que fiz o melhor, fui excelente, com cinco estrelinhas. A sensação de fracasso não veio junto com isso, mas ficou aquela vontade de comer todos os chocolates da caixa pra ver que gosto tem. Pra ver se, sempre esperançosa, não tinha um brinde ou um desenho lindo no fundo.

*L’Andreis gosta de Lindt de pimenta, mas ele também não aparece sempre que ela quer. Já ela, sim, toda quinta aqui e sempre no twitter @carolandreis.

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3 Comentários

Arquivado em L’Andreis, relaçã? sã?, sentimentos phinos

3 Respostas para “Tô livre, bee

  1. “aquela liberdade estranha”

    detesto! Superior racionalmente; abaixo do cu do cachorro emocionalmente (desculpem a expressão, phinos, mas é assim mesmo).

    bola pra frente amor. tem umas barrinhas novas ótemas. a de cookies da nutry é delicinha. no mercado mais próximo, aproveita!

    bjs

  2. Nutry, trio e agora tem aquelas da Hersheys.

    =*

  3. Adorei o texto. De verdade.

    Vai curtir essa liberdade conquistada.

    Beijos

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