“A vida é cruel, mas os gays são mais”: boa sorte!

Rosângela, me ajuda, pls, cansei!

Rosângela, me ajuda, pls, cansei!

*Por Vini

Então é isso. Homens do mundo, me despeço, foi bom enquanto durou, mas não dá mais. Não entendo a necessidade de terem que ocupar o pinto todo instante. Dentre as várias cabeças do corpo, a maior e com mais circulação sanguínea (a que tem esse órgão fantástico e misterioso chamado “cerébro”) deveria pensar e tomar todas as decisões.

Porque a lógica da cabeça de baixo (a menos oxigenada) é a seguinte: por que desperdiçar uma oportunidade? Não importa o quão feia a “oportunidade” seja.

É fato biológico. Homens produzem zilhões de espermatozóides a vida inteira. Querem dar cabo deles e colocar pra fora. Se acharem um óvulo para fecundar, melhor, porque estão assegurando a perpetuação da própria genética.

Agora, amigos e amigas, me expliquem o que se passa quando dois supostos machos se encontram. Óvulos não serão fecundados, genética não será perpetuada. Por que a necessidade constante de se colocarem os espermatozóides sempre para fora?

Um amigo meu, que acredita em Deus, me revelou o papel dos gays na criação e evolução: a terra é superpopulada, quando dois seres não podem procriar, eles contribuem de algum modo para o balanço no sistema, dentro de um plano divino.

Eu sou ateu; ele, gay. Lembro-me do momento que ele me disse isso claramente, porque faz sentido. Não é certo, mas é plausível.

Hoje, um amigo meu -bicha também- que lia um romance espírita disse que os gays de hoje são pessoas que estão resgatando algo da vida passada. Foram preconceituosos e hoje de certo modo devem resgatar esse preconceito.

Outra visão. Nem certa, nem errada, porque não existem absolutos.

A questão é que eu ando, sim, magoado com os homens do mundo. E não sou feio, chato, burro ou qualquer coisa. Posso me dar bem, se quiser, obrigado.

Mas é que rola uma hipocrisia, meus amigos. O povo se produz, vai pra balada, querendo arrasar e pegar geral. E, secretamente, odeia ter que entrar no espírito de competição e duelar na pista cheia de glitter por atenção e um pedaço de carne para chamar de seu.

Já disse que, quando vou pra balada, eu quero sair com a panturilha doendo de tanto dançar (Danny gostou disso e me deixou feliz e lisonjeado com o comentário). Eu não sou bom com olhares e todo aquele ritual de acasalamento purpurinado.

E isso gera ansiedade. Quem nunca sentiu ansiedade pré, na ou pós-balada por conta de uma possível cara-metade-de-talvez-uma-noite-só que atire a primeira pedra!

E a regra do jogo parece ser clara: no strings attached.

Acho que os héteros inventaram o conceito de aliança como sinal de demarcação de território. Uma amostra externa e visível de que aquela cabeça de gado tem dono.

O conceito existe no mundo gay. Mas, aqui, ao contrário, o proibido instiga e provoca ao cubo. Comprometidos se sentem superiores ao trair. Quem pega um comprometido pode se sentir poderoso, querendo acabar com a união alheia.

Ninguém fica junto por obrigação. Não tá bom? Cai fora. Querer pegar um novo e manter o velho é egoísmo. Não é legal.

Não, amigos, não sofro do mal de corno. Se já traí mesmo quase comprometido? Sim, várias vezes. Se já me comprometi de verdade? Não, porque não queria ser traído. Hipocrisia de minha parte? Muito provavelmente, obrigado.

Fidelidade deveria ser um simples desdobramento da honestidade. Eu não vou trair porque te prometi que jamais o faria. Do mesmo modo que se promete todo o resto. Quem promete deveria cumprir. Então, não prometa.

Porque é muito difícil, pessoas, querer dizer algo, ouvir algo, e não poder confiar. E ter insegurança e ter medo.

Regras são necessárias. Se assim não o fosse, não teríamos saído da barbarie ou do incesto. Elas vêm com a evolução.

Não creio que tenhamos evoluído a ponto de abdicar delas. Não creio que o mundo aparentemente livre e sem regras gls seja tão livre assim.

É como um amigo me disse: “A vida é cruel, mas os gays são mais”. E são mesmo. A traição e a pegação ocorrem preventivamente. “Vou te machucar, antes que me machuques”.

Eu confesso mais e abro meu coração para os senhores e senhoras. O meu melhor relacionamento foi com uma garota. O que me deixou mais feliz, mais tranquilo. Por que não deu certo? Porque eu tenho medo de compromisso, afinal, sou homem.

Certa feita, um amigo meu me chamou de esquizofrênico. Isso doeu e vai continuar machucando um bocado. Porque eu não quero colocar uma cara blasé, ignorar tudo que sinto, colocar numa caixa e tchau. Digo, porque quero dizer, porque deixar preso faz mal.

Eu penso mais com a cabeça de cima. Quisera eu ser só um pedaço de carne sem maiores questões filosóficas. Seria mais feliz, talvez.

Mas tenho quase certeza de que não sou o único a sentir estas coisas que sinto. Tiro as luvas, dou a cara a tapa e me despeço.

*Vini é um espermatozóide dissidente e nada contra a corrente.

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3 Comentários

Arquivado em contribuição phina, decisão com PH, relaçã? sã?

3 Respostas para ““A vida é cruel, mas os gays são mais”: boa sorte!

  1. pensar com a cabeça de cima é importante… mas ser um pedaço de carne de vez em quando não é de todo mal, tente não se levar tão a sério.

    o foda, pra gente que é phino, é que inteligência é afrodisíaco. e se o cara for gato, inteligente, charmoso, bem-humorado (apesar de todos os defeitos, entre eles não gostar de ti como deveria) … sabe como é: fudeu!

    mas é como diz uma amiga, citando um ex-peguete dele: as coisas são simples, as pessoas é que complicam. então tá.

  2. Jouviã

    sem tirar nem por, só um comentário a fazer: se seu amigo-bicha-espírita estiver certo, minha vida passada deve ter sido muito malvada…

  3. Renata Yamamoto

    Essa “Dra” deve ter um fascínio pelo mundo gay…. e quanto ela fatura em cima desses bitolados?

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