Away we go

Por Dany Darko*

De volta da viagem do Brasil, cheguei à Europa pelo aeroporto de Madrid. Eram seis da manhã de uma quinta-feira e a quantidade de gente já beirava à multidão. Logo na saída do avião, as conversas delatavam as origens e as expectativas dos viajantes. Esperanças, vontades e sonhos, que não eram poucos.

São essas mesmas ideias que compartilho com os colegas estrangeiros e é sob esse mesmo propósito que deixamos familia, amigos, trabalho, pátria pela busca do desconhecido, do diferente, do mais – de si mesmo.

Afinal, viajar é se abrir para um novo mundo, mas também cultivar o universo anterior. Queremos constantemente novos horizontes que nos façam crescer, sonhar, expandir experiências e vivências. Não é à toa que o setor de turismo é o que mais cresce atualmente, em todo o mundo.

Não compramos um bilhete de avião ou uma estadia em um hotel, compramos o sonho que um momento pode nos proporcionar além daquilo que já temos ou sabemos e que possa nos tornar, de alguma forma, mais ou melhor do que somos. Kerouac já dizia, há mais de cinquenta anos, que a estrada era o melhor caminho para chegar a si próprio.

E nada mais humano do que o cultivo de si mesmo e das nossas esperanças, das nossas vontades. Elas podem até mesmo estar interligadas com outros propósitos ou com outras necessidades, mas a partir do momento em que as abraçamos, elas passam a ser também parte do nosso íntimo. Sam Mendes retratou isso direitinho no novo longa “Away We Go”, traduzido para “Distante Nós Vamos” e com estreia prevista para esse final de ano no Brasil.

Nesses dois anos e meio de França pude conhecer todo o tipo de estrangeiro: de viajante de excursão a refugiado, de ilegais a mochileiros, de estudantes a diplomatas, de turista a candidato a casamento branco. Na bagagem de cada um deles, o sonho de que a terra estrangeira teria muito mais a oferecer – o que, sabemos, nem sempre acontece.

O que mais me surpreende é até que ponto a esperança do diferente impulsiona cada uma dessas criaturas que se propõem a partir sem saber mesmo se vão chegar a seu destino ou se poderão permanecer. Até hoje me pergunto o destino que teve uma leitora que estava ilegal na Europa e que me pediu dicas de como burlar a segurança para que ela pudesse continuar viajando sem ser pega pela imigração.

O que sei é que seus sonhos eram bem maiores do que os meus conselhos, os quais provavelmente ela deve ter ignorado. Bem ou mal, só espero que sua experiência tenha valido a pena. E que ela possa ter voltado tranquila para casa ou encontrado o seu lugar, onde quer que ele seja. Afinal, é por isso que estamos todos em busca, também.

* Dany Darko quase cometeu phinocídio na semana passada, mas voltou para cicatrizar a phinesse. Vai tentar continuar renascendo aqui, às quartas, das cinzas.

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3 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, lugares com PH, sentimentos phinos

3 Respostas para “Away we go

  1. Di

    Nada como a nossa casinha, né?

    Mesmo não sendo nossa cidade ou país natal, é o nosso canto!

    Beijão Dany

  2. Dany,

    precisamos nos encontrar de novo por aí… Topa Berlim de novo em 2010?

    Bjs,
    Rafa

  3. Caroline Andreis

    ahazou.
    que bom que tu ficou, gata!

    John Krasinski, amo tanto esse homem!

    bjbj

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