A Farsa do Hype da Cerveja

Homer Simpson não é George Clooney. Reflita

*Por L’Andreis

Só um hype tão desacreditado pode ser citado quando já está no mainstream pela segunda vez. Era final dos 1990 quando abriram as primeiras microcervejarias que passavam para os adolescentes a ideia de que existia o que não há nem nunca vai haver: uma cerveja boa. Qualquer terceiranista de segundo grau podia experimentar a cerveja do momento, que tinha sabores e cores diversas. Dava pra escolher, experimentar, ousar. Pfff.

A favor do destilado e contra a barriga sobressalente, nunca caí nessa história. Apesar de não ter sido sempre do ramo, sabia desde o princípio que tudo não passava de uma estratégia de marketing para fazer a cerveja cair no gosto das classes A e B, que nunca representaram nem 10% das vendas. Bebida que precisa se esforçar pra sair do gosto popular não pode ser boa coisa. Não é a mais bonita nem a mais cheirosa? Não é phina.

Eu também sigo neste discurso porque nunca simpatizei com o gosto das tais [loras geladas].  Sempre achei amarga demais pro meu paladar acostumado aos sabores frutados e ácidos e, talvez por isso, já quase concordei que era misoginia escolher a cerveja como agregadora social. Mulheres não são as maiores fãs do amargo, é biológico, e, além disso, convidar uma mulher pra [tomar uma ceva] é algo tão deselegante que só pode terminar em um jantar romântico no xis da esquina.

Cerveja e peitão: muita profundidade pro meu happy hour.

Como se não bastasse, não consigo ver uma garrafa sem lembrar das propagandas [galera, praia, mulherada] de loiras peitudas, da exaltação do bromance e do arroto como felicidade. Até um comercial de Campari tem mais classe e enredo.

Anote a dica: gastar dez reais em um litro de cerveja não torna ninguém um connosseur das artes dionísicas. Além disso, tomar a cerveja DEUS (R$ 80) não evita a consequência da pança. É incrível que, mesmo depois de o mundo ter enjoado das microcervejarias-danceterias e anos depois das primeiras importadas chegarem aos bares da Cidade Baixa, pessoas de bom gosto continuem atrás da cerveja perfeita como se fosse um Chateau La Tour de safra consagrada.

Admita: vinhos, champanhe e uísque continuam mais cheirosos e saborosos, vêm em garrafas mais bonitas, têm mais estilo, aura de romance, adequação ao contemporâneo e ao urbano. Não, não me chamem [pra uma ceva] como se eu ganhasse mesada e bebesse até álcool de cozinha para ter momentos agradáveis. E, por favor, evitem falar de cerveja salivando e com os olhos brilhando. 90% dos consumidores desta bebida não podem estar errados: cerveja é pra pagode e baile funk.

*L’Andreis teme represália da indústria da cerveja pelo texto, mas precisava externar esta farsa da classe média em parecer sofisticada. Exala Moussant Tord-Boyau aqui [toda a quinta] e [sempre] no twitter (@carolandreis).

25 Comentários

Arquivado em dica culinária, fica aí a dica, L’Andreis, tendência, vergonha alheia

25 Respostas para “A Farsa do Hype da Cerveja

  1. vini

    haha. mais que vero.
    mano, em viçosa, típica cidadezinha universitária do interior, festa com itaipava liberada tem quase toda semana. e quando não tem, a indignação é total.
    e olha, depois de sete anos morando lá, apenas no ÚLTIMO ano eu me arrisquei a beber heineken, apenas pq: 01. a garrafa verde é linda, 02. a estrela vermelha tem estilo, 03. o gosto é bom, ao contrário das demais. ok, confesso que não sei diferenciar o pq do gosto rs.
    só sei que certa vez, num bar, querendo fazer minhas amigas irem embora, resolvi virar o último copo de cerveja delas. resultado: fiquei empazinado por horas e aquilo quase voltou na mesma hora que entrou. sad, but true.
    na dúvida, sempre temos uma boa coca-cola, que tudo resolve, amém.

  2. Caroline Andreis

    Amém, Vini. =)

  3. emi

    I like my women bitter as I like my beer.

    E, se nao me engano, a primeira vez que ficamos eu tinha te convidado pra tomar uma ceva!

    em tempo, a barriga resulta do aipim e da polenta, e da falta de exercicios, antes das calorias da cerveja que, se consumida em moderacao (senao bebe kaiser mesmo), nao eh tao relevante (um copo tem aproximadamente 80 calorias)

  4. Caroline Andreis

    te enganou. nem te conheço. =) =*

  5. Toda vez que eu bebo uma cerveja (ai, saudades das alemãs) eu peço perdão para os futuros bofes que terão que conviver com a minha barriguinha (bem “inha” mesmo, galere). Queria não gostar, mas gosto. Queria não beber, mas bebo. E vivo nesse dilema eterno.

    emi, dá barriga sim. Ninguém bebe cerveja com moderação (só os chatos que pagam R$ 80 por uma garrafa). E o consumo exagerado estraga toda a dieta no outro dia. A começar pelo ataque da geladeira na madrugada. É um horror, já se acorda inchado, não dá nem pra correr no parque sem camisa.

    Mas sabe o que me cansa mesmo? É essa onde de cervejas prime. Ai que preguiça. Cervaj boa é em garrafa de 600 ml.

    Daí, se os enólogos já perderam o seu glamour, eles inventam os especialistas em cevada, os baristas…

    Ai, como cansa. Sou autêntico, não vou abrir mão da minha cervejinha. Pena que que ela vem acompanhada de murcilha. Bom, preciso ir pra academia. (teoria da dignidade)

    Bj, me liga.

  6. Caroline Andreis

    Autenticidade sempre. Lord da cerveja cara jamais!

    te ligo =*

  7. Jouviã

    tenho a mesma origem universitária que o vini, e realmente é o império da cerveja barata, confesso já ter me entregado as tais, mas confesso que gosto de bohemia escura. Mas também partilho do gosto pelos destilados, exceto vinho _se eu me esquecer de acompanhar com água a dor de cabeça é instantânea. Convivo bem com os cervejeiros e com os ‘absoluteiros’, não bebo por hype e sim porque gosto. Falando nisso preciso urgente de um porre…

  8. Caroline Andreis

    Bom porre, Jouviã! Amanhã é sexta.

  9. emi

    estou bebendo nesse momento minha old engine oil, 330ml para os quais paguei 18.80.

    se divirtam bebendo kaiser e ganhando a mesma barriga.

    ou nao bebendo ceva e me aguentando bebado!

    • emi,

      é isso que nós chamamos de teoria da dignidade. Tu compensa o mal da barriga bebendo teoricamente uma cerveja boa -tipo, tu não perde tanto ponto assim, saca?

      eu ainda prefiro as alemãs, berliner, paulaner… mas daí o problema é outro, que não vem ao caso. na real prefiro os caras de barriga tanquinho, mas daí já é outra história mesmo…

      (l’andreis, até que o moço é espertinho, gostei da petulância pública dele.)

  10. Caroline Andreis

    vamos levar ele na champanharia próxima vez que tu vier.
    =)

  11. Bruno

    Carol, peraí. Pede um pint e espera a espuma se formar enquanto repensa a tua opinião sobre cerveja. Não é vinho, mas ainda tem diferença entre te esbaldar nas loiras geladas, quando o critério fica no bolso e é contado cada vez que se pede “ô, amigão, vê mais uma aí”, e escolher por causa do gosto, que pode ser bom, sim. Especialmente quando é uma morena ou ruiva, geralmente não tão geladas quanto a loira.
    Depois, exemplifica a tua aversão (justificada, admito) aos comerciais com um que seja de verdade e não tenha sido feito por um estudante de publicidade pra colocar no portfolio.
    Antes de tu levar o emi na champanharia, vou te levar no Shamrock tomar uma Guinness.
    Cheers!

  12. Concordei tanto que bebi 2 cálices de vinho ontem de noite antes de me deitar.
    Fiquei lembrando de todos os amigos “só-tomo-cerveja”. Não tenho dúvida que a bebida faz o homem. A pança do homem, mais precisamente.

  13. Di

    Caroooool,

    ADOREEEEEI!

    Temos que combinar algo pelos bares da Lima e Silva…

    😉

    Beijão e bom findi

  14. Di

    COLETIVO PHINO,

    Obrigado pela ajuda lá no meu blog…

    AMOR?

    Saiu o resultado da bagunça lá.

    beijosmeliguem

  15. Caroline Andreis

    Bruno: talvez seja a falta de gene alemão, mas no Shamrock eu gosto mesmo daquela que vem com groselha junto #menininha.

    SS: saudades de você por aqui. =)

    Di: miliga!

  16. Caroline Andreis

    Ah, Bruno. Sobre os comerciais: intervalo do teu futebol favorito, vai.

  17. Caroline Andreis

    Mas é desses comerciais que estou falando.
    No mais, no torrent não aparecem os outros. #bitolada

    =)

  18. Nina

    Tô contigo e não abro.
    Cerveja é pra TIGRADA, manou!!

  19. Ge

    Não poderia concordar mais contigo. Obrigado amiga.

  20. ah… eu bebo sim, e tô vivendo…

  21. Adriano

    Acredito que a diferença entre um bom vinho e uma boa cerveja é mesma que há entre chocolate ao leite e chocolate amargo. Há quem goste de um e outro, há quem goste dos dois e há quem não goste de nenhum. Acho que os sabores estão ai para serem degustados, a resposta está no paladar. Eu particularmente adoro vinhos e cervejas e já não sou muito alheio a outras bebidas. Acho que um bom vinho em um lugar quente não é tão bom companheiro quanto não o é a cerveja em um lugar frio. Já sobre o teu questionamento acerca das propagandas de cerveja, com certeza existe a apelação sexual extremada , que não se compara com a sutileza das propagandas de vinho ou Campari. Mas na TV de hoje em dia o que não é apelação sexual? E realmente tenho que concordar com o amigo que diz que contra a barriga, exercícios físicos. Afinal a grande maioria dos pinguços só bebem e não fazem nenhum tipo de exercício. Mas existem aqueles que praticam esportes, tem um corpo invejável e no entanto sempre tomam a sua cervejinha. Pra mim cerveja, vinho e qualquer outra bebida da barriga, depende de quem a consome, isso sem entrar nos pormenores fisiológicos, genéticos e etc.
    Vai falar que nunca viram um enólogo gordo? 😉

  22. ALLAN DIAS

    cerveja e povao , eo povo que move o mundo! pagode funk , forro , samba sao manifestacoes populares brasileiras que tem adimiradores de todas classes ! desculpa mas achei o texto meio preconceituoso .

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