De volta à guerra

ai, que delícia de pistinha

ai, que delícia de pistinha

Por Rafa*

Mais uma vez, entrego os pontos. Desta feita, para o hype. Juro que tentei: festas com gente descolada e bom som. Mas, sem ofensas, nas baladinhas do rock só tem bicha feia e com a aparência de descuidada. Quem disse que não dá pra ser gostoso e gostar de música boa?

Barba onde não precisa, óculos por demais estilosos, roupas bregas (camisa xadrez, até quando?). Cansei, não dá. E quase todos são muito baixinhos… Ou altos demais e muito magros. Por quê? Daí tu acha um com altura compatível, gostos parecidos e um mero detalhe: ele não está a fim de você.

Então, no sábado, resolvi me jogar naquele lugar que é considerado a casa noturna gay mais sensacional da América Latina, para onde as bichas partem do Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre etc nos feriados para desfrutar: a famigerada The Week.

A primeira e única vez que eu havia colocado meus pés lá havia sido em 2005, quando meu único amigo “Barbie” para lá me arrastou. Confesso que, aos 25 anos, fiquei um tanto chocado com os boys sem camisa, se abraçando e se esfregando. Senti nojinho.

A primeira grande dúvida: “com que roupa eu vou”. A primeira dica: ao retornar a um lugar que você julgava não fazer mais parte, tente manter seu estilo. Não corra para a Diesel mais próxima atrás de uma calça justa nem se jogue no Nike shock (é isso?) se isso não faz a tua cabeça. E passe longe da seção de camisas pólo. Elas são tão 2007.

Mantendo o seu estilo, você tem grandes chances de se diferenciar da massa e achar alguém mais adequado ao seu perfil.

Evite com forças tirar a camisa, mesmo que você esteja com o corpo em dia. Quer dizer, sabemos que lá é o lugar pra isso, mas, enfim, não evoluímos tanto pra na primeira noite já sair mostrando os músculos, não é mesmo? Atenção: você é uma “wanna be” barbie. Calma.

O segundo passo: como dançar. Juro que até tentei imitar os gatinhos bombados. A piração do povo é tanta que TODOS os descamisados, eu disse TODOS (assim mesmo, em caixa alta), dançam da mesma forma. Não sei nem como descrever. É uma coisa meio socando os braços no ar, como se tivesse fazendo alguma aula de ginástica, mas, ao mesmo tempo, meio travado, como se os músculos impedissem movimentos mais livres. Após 30 minutos tentando, juro que me achei completamente ridículo e optei por seguir o meu ritmo.

cansei

cansei

O mais difícil, claro, fica pra hora da paquera. A cena: Rafa se interessa por gatinho loiro lindo de morrer e vai atrás. Encara o moço, que está a uns três metros de distância. Ele retribui a mirada e vai além: abre um sorriso. Retribuo. Então, a surpresa: ele tira a camisa e revela o corpo perfeito, todo trabalhado na academia.

Paralisei. Barbies amigas do EBDP, me ajudem, o que se faz numa hora dessas? Se retribui tirando a camisa também? Bom, não foi possível manter o nível de paquera. Final da história: gatinho me abandonou.

Daí que, mais tarde, me interessei por mais um descamisado. Mais acostumado com meus novos amigos, não cheguei a achar a situação estranha. O gatinho me deu bola. Enquanto rolava o clima de paquera e azaração, ele começou a se esfregar no amigo que o acompanhava. Daqui um pouco tava beijando o cara. E me olhava mesmo assim. Daí eu já não entendi mais nada e achei que era melhor desencanar. Muita informação.

Daí aparece a bicha pobrinha (de espírito, no mínimo), ostentando uma camiseta com os dizeres: EXCHANGE ARMANI MILANO. Pelamor, evite. Enquanto eu me chocava com a aberração, meu melhor amigo seduzia o moço e em cinco minutos estaria atracado com o cara no meio da pista. Melhor deixar pra entender mais tarde, na hora da meditação.

Após muito clima de paquera, azaração e jogação na pista, olhei para o relógio: 6h. Hora de começar a preparar o meu espírito para partir. Mesmo saindo da festinha com as mãos abanando, tinha gostado da experiência. E confesso: adorei dançar as músicas de refrão fácil que falavam de amor na pista.

Enquanto aguardava na parede a fila diminuir um pouco para encarar o retorno à minha casa e o fim de toda aquela ilusão, um gatinho parou do meu lado. Após as devidas apresentações, eu comentei sobre o meu retorno à casa. Ele, por consequência, perguntou o que eu estava achando.

“Bom, sou um cara do rock”, eu disse. E abusei de mais um sorrisão. Ele não retribuiu. Se aproximou com seu corpo descamisado, me deu um beijo bom e demorado, emendou um sorriso na sequência e foi-se.

Chegando em casa, resolvi por bem escutar alguma canção pop melancólica. Afinal, tudo tem limite e uma hora tem que acabar, não é mesmo?

*Rafa não mostrou o dorso desnudo na balada, mas gostaria de ter tirado a camisa entre quatro paredes para alguém. Hedonista aqui, às segundas. Espalhando amor por aí, nos outros dias.

3 Comentários

Arquivado em festas phinas, malhação com PH, Rafa, vergonha alheia

3 Respostas para “De volta à guerra

  1. vini

    uma lágrima apareceu no canto do rosto quando eu vi phoenix como vídeo.

    pau no cu das barbies. MESMO.

  2. Di

    hahahahahahaha

    A-DO-REI!

    Confeso que gosto da T.W., mas não é a minha preferida na capital paulista.

    Temos que combinar uma baladinha ai em SP, to devendo essa pra ti! Vamos marcar que agora final do ano to tranquilho nos findis…

    Beijão e boa semana Rafa.

    p.s.: obrigado pela phina visita lá.
    =)

  3. filipe

    não frequento baladas porque a música não me agrada, não dependo delas para ficar com alguém e nas poucas vezes que fui não sabia como reagir diante das paqueras.

    e como assim camisa pólo é 2007? como assim? não pode, eu não aceito!

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