Das pobrezas do prêt-à-porter

Sou feia e não tô na moda. E daí?

Sou feia e não tô na moda. E daí?












Por Dany Darko*

Semana passada, fui às compras com o único critério de encontrar blusas de lã. Ok, eu sei que vocês estão exibindo seus lindos corpos sarados e bronzeados ao longo do imenso litoral brasileiro e não têm nada a ver com o fato de eu morar enterrada na neve.

Mas talvez vocês possam se identificar com o meu drama quando eu disser que eu voltei pra casa sem uma única opção decente do que eu procurava. E concordamos que não deveria ser missão impossível comprar um pulôver (oi? ainda se diz pulôver nesse mundo?) em pleno inverno europeu.

No mesmo estilo do que acontece no Brasil, a moda daqui de cima dos trópicos também se limita a determinados modelos. E olha que aqui nem tem novela pra todo mundo andar vestido de indiano durante um ano inteiro.

E o inverno desse ano foi destinado a uma única peça de lã: o cardigã. Pode procurar por tudo que todas vitrines se renderam ao charme do atual uniforme modelito das francesas. Como dizem por aí que a moda não anda descalça, elas combinam o cardigã com a bota amazona. E a bota amazona com o jeans slim. Uma pena que não tenha cavalos para vender nas lojas…

Em semanas que eu ando de mal com o prêt-à-porter, ainda me deparo com as novas tendências de penteado. Fazia bem uns dois anos que todo mundo andava desfilando cabeças à Chitãozinho e Xororó com a desculpa de ser new-punk. Assim mesmo, na maior cara de pau, como se o punk fosse um corte de cabelo brega.

Agora, como as madeixas cresceram, alguém levantou de manhã sem tomar banho e se pentear (franceses, não se ofendam, não coloquei a culpa em vocês!), e a nova tendência é o descabelamento com a franja bem escovada. Do tipo, não ligo para o meu visu, desde que a franja esteja um arraso (aka só tive dinheiro para cortar a parte da frente da juba, mas sou indie).

Pra finalizar o look, batom vermelho e Ray-Ban* colorido. Ai, que pobreza!

E, olha, eu não tenho nada com isso se uma bitch resolve sair fantasiada em pleno dezembro de neve. Sempre admirei a vanguarda e aplaudo a coragem. Mas, quando todas as bitchs resolvem fazer isso ao mesmo tempo, isso vira um problema de ordem (inter)nacional e afeta minha liberdade de, por exemplo, vestir pulôveres de lã. Afinal, quando as pessoas vão deixar de pensar que moda é obrigação de espremer suas morcilhas em calças slims? Ou sair de casa pronta pra montaria? Ou com pés para enfrentar hectares de charco?

Longa vida aos invernos dos anos anteriores que é desses que vai viver meu figurino até que o jóquei wannabe se dissipe. Um pouquinho mais de imaginação ou a just little bit of respect para si mesmo e todos nós é o que desejo pra essa quarta-feira de céu cinza e sem pulôveres de lã…

** A Ray-Ban não patrocinou esse post, mas, se quiser, avisamos que estaremos aceitando a partir de agora mesmo.

* Dany Darko se inspira nas vitrines da Burberry e é obrigada a se contentar com a Zara. Joga na Euroloto, pensando num guarda-roupas melhor, e bate ponto no EBDP às quartas, pra não perder o glamour.

3 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, moda versus phinesse, vergonha alheia, vergonha própria

3 Respostas para “Das pobrezas do prêt-à-porter

  1. Danee,

    te joga num cardigã quantinho e era isso, bee.

    Aqui, a moda masculina é usar (a feminina não sei, preguiça de olhar) as novas camisetas pólo da Lacoste e sua nova palheta de cores. Só pra chegar na balada, neam, porque depois as bees ficam sem camisa, tão Londres 2000, quando eu tinha corpo e já era contra essas coisas.

    Bom, menos mal, porque eu não aguento mais indie de camisa xadrez… Tão 1992 quando a gente era grunge, não é mesmo?

  2. vini

    moda é moda. mas eu sou tendência, eu a faço. haha
    #humilde.
    sério, tem coisa que é feita para consumo em massa que não dá. cada sapatinho pseudopopular que lançam pro brasil pras gurias que dá vontade de morrer.
    agora, resolveram que peep-toe é a moda. onde estão os scarpins devidamente fechados, minha gente?
    o problema é aquela coisa cíclica que ninguém sabe de onde vem, justamente pq o círculo não tem começo ou fim: o povo dita a moda ou a indústria fashion? na verdade, um pouco dos dois, mas não se sabe a intensidade.
    eu sei que as pessoas, como tudo nessa vida, deviam ter senso crítico, fazer uma auto avaliação e se indagar se tal acessório/vestimenta é condizente com as peculiaridades de seu ser.

  3. Di

    imagina se a moda pega aqui!

    hahahahahahahaha

    divertido poste Dany, fiquei imaginando-me nesses modelitos todos!

    =P

    Beijão e boa quarta

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