Por que a pobreza de espírito vai sequestrar seus filhos e acabar com sua vida

Adriano, campeão brasileiro, não quer ser seu amigo e não vai te convidar pra festinha dele

Adriano, campeão brasileiro, não quer ser seu amigo e não vai te convidar pra festinha dele










Por Sheldon*

Meu reino por uma taça de espumante; veja bem, eu disse espumante, não champanha escrito dessa forma grotesca e horrorosa (que se diga, acho tão bisquete quanto pitssa xampu ou similares de gosto um tanto quanto duvidoso) e feita ali em alguma fabriqueta empoeirada em Viamão.

Não, leitor, não é a mudança climática, não é a corrupção inexorável que assola o sistema político nacional, nem mesmo o marginal subnutrido fritado de crack querendo um trocado. O que vai acabar com nossas vidas é a pobreza de espírito, é a falta de autenticidade, é a breguice, enfim, é o piega bebedor de nova schin que escuta exalta-samba que mora dentro de cada um de nós.

Porque, note bem, eu não sou nem nunca fui possuidor de posses (apesar de tentar manter uma certa nobreza pueril no meu modo de agir, sim, culpado, vossa excelência), mas desde cedo eu sempre me abismei como as pessoas não só aceitam sua pobreza material como algo inerente a suas vidas – é meu filho, deus quis assim – como ainda chafurdam na lama existencial da pobreza de espírito da onde parecem tirar um prazer, posso dizer, quase que pornográfico.

Não tem dinheiro para comprar um relógio de muitos milhares de reais? Não… Por que comprar um relógio de uma marca mais simples, porém bem feito, quando você pode comprar aquele rolex dourado já descascando bem vistoso e bonito do seu amigo camelô do largo da praça XV? Não tem dinheiro para fazer uma festa de casamento bacana? Devo eu me agarrar a minha pouca dignidade e fazer uma viagem para Buenos Aires, cidade perto, barata, porém autentica e charmosa? Não, claro que não !!! Eu vou é fazer uma churrascada para meus MUITOS parentes, para meus MUITOS amigos e vã-mo tomar cerveja e ser feliz!

É, leitor, o problema do século XXI é antes de tudo um problema interior de cada um de nós, e o bom senso é algo que se escassa cada vez mais e que não dá sinal de estar voltando ou mesmo mandando lembranças; confesso que às vezes me pego pensando que sou um alienígena lançado nesse planeta como uma piada de péssimo gosto do deus que eu nem mesmo acredito que exista.

Parece que exaltar a pobreza de espírito é uma forma moderna de se socializar, mais ou menos assim: eu sou pobre de dinheiro, mas, para mostrar que eu nem dou bola, eu sou mais pobre ainda de espírito, você quer ser meu amigo?

Não, não, não! Eu não quero ser seu amigo, eu não quero ouvir seu pagode nem tomar sua cerveja ruim, eu não quero seu churrasco de excesso nem quero seu calor mundano.

Eu quero um vinho de R$ 20, mas feito na Serra Gaúcha com um mínimo de cuidado, eu quero comer fora menos vezes, mas quando eu sair não precisar ser no xis da esquina, eu quero ouvir samba, mas feito por alguém que pelo menos SAIBA o que é samba, eu quero ler um livro comprado no sebo no domingo à tarde ao invés de ver o Faustão, eu quero ser pobre, mas eu quero ser limpinho.

Se existe algo que possamos fazer? Claro que não, na verdade, o ter lido da parte de vocês ou o ter escrito da minha parte esse texto foi uma grande perda de tempo, só o título já resumiria tudo, no-future, no-hope, tudo está perdido e, antes que você imagine, a pobreza de espírito vai sequestrar seus filhos e acabar com sua vida.

*Sheldon está tenso.

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3 Comentários

Arquivado em avisei que era bafona, É o Brasil!, contribuição phina, vergonha alheia, vergonha própria

3 Respostas para “Por que a pobreza de espírito vai sequestrar seus filhos e acabar com sua vida

  1. vini

    pobre de espírito eu não sou mesmo, apesar de a pobreza material me assolar.
    mas eventualmente minha riqueza neste mundo material há de acompanhar a riqueza de minha alma e me dar todos os recursos financeiros para elevar minhas potencialidades ao máximo.
    no meio tempo, eu tento sobreviver phino e digno, embora sem mta pecúnia.

  2. depois dessa vou até suspender o churras na laje, programado pro findi.

    brincadeiras a parte, achei bem interessante a nova aquisição do EBDP

  3. emi

    *possuidor de posses*? mais cuidado.

    concordo plenamente. sabe que recentemente tomei um vinho argentino que, comprado na fronteira, custa menos de dez reais – e a surpresa era ser um vinho bom! nao um vinho festivo, nobre, mas para o cotidiano, um vinho muito bom.

    qualidade. segredo da vida.

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