Gelukkig Nieuwjaar

toca Danúbio Azul, dj!

toca Danúbio Azul, dj!

Dany Darko*

Em uma dos últimas madrugadas de dezembro de 2009, nos entediávamos na festa de despedida de um amigo em um pub qualquer. Do lado de fora, centímetros de neve se acumulavam junto a uma ventania gélida que já durava horas. Dentro, pessoas bêbadas jogavam uma versão do jogo “detetive” enquanto eu procurava, desesperadamente, a saída de emergência.

Milagre concedido às minhas preces, a neve e o vento deram trégua, e, devagarinho, as ruas foram se enchendo de gente tão agasalhada que mal podia se mover dentro das vestimentas. Uma amiga apontou pra fora e disse: “vou sem casaco mesmo” e corremos todos para participar das guerras de neve dos pés dos Alpes.

Voltamos molhados e roxos de frio para o pub e só não fomos expulsos do local porque resolvemos prolongar nossa batalha. A boa surpresa foi perceber que a festa estava mesmo fora, no gelo. Por qualquer lugar que passássemos, encontrávamos grupos de amigos reunidos, brincando no frio, rolando na neve, confraternizando um momento coletivo sem motivos. Só por isso ficamos na rua até não sentirmos mais os pés.

E aí eu desejei um Ano-Novo assim, nesse clima leve, apesar das temperaturas negativas; de guerra mas só de neve, de celebrações sem a obrigação da diversão com a data marcada, da espontaneidade das situações, dos bons momentos inesperados, das boas surpresas que vão marcar nossas melhores experiências.

Em Amsterdam, passei por outra dessas situações inusitadas, alguns dias depois desse Réveillon. Vive la Fête tinha acabado de fazer um baita show em um dos melhores clubes electro da cidade. Para sinalizar o final do espetáculo, as luzes rosa se acenderam, ao som de Danúbio Azul. A intenção era mandar as pessoas embora, mas o efeito foi inverso.

Em par, em grupo, ou sozinhos mesmo, o público dançava ao som da valsa e entoava a melodia sem o menor sinal de deixar o local. Afinal, o melhor da festa estava ali, na vontade de não terminar a noite, de prolongar aquela boa sensação de confraternização, de fazer do óbvio o inesperado. E, enquanto centenas de pessoas embalavam Strauss nos vários andares de um clube de música eletrônica, pensei que 2010 podia ser assim também, entre o rosa e o azul.

Na saída do lugar, recebi um sms de uma colega francesa. Além de sucesso, saúde, amor, felicidade, e bla bla blas, ela me desejava, sobretudo, um Ano-Novo cheio de loucuras. Acertou em cheio, porque desde aquele momento já estava sendo. Transfiro os votos de “plein de folies” da minha colega, guerrinha de neve coletiva de madrugada e Danúbio Azul rosa em Amsterdam em dobro para vocês.

* Dany Darko não festejou o Ano-Novo porque estava muito ocupada em alguma soirée de Amsterdam. Moça educada que é, deseja um Gelukkig Nieuwjaar a todos os phinos desse mundo. Em 2010, estará aqui, como sempre, às quartas, direto do além-mar.

6 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, festas phinas, sentimentos phinos

6 Respostas para “Gelukkig Nieuwjaar

  1. Me deseja um show do Vive la Fête, pls!!!!

    • Rafa, essa foi a segunda vez que eu vou num show do Vive la Fête, adoro! A Els Pynoo, cantora, é louca de pedra, consegue pipocar durante duas horas no palco e envolver todo o publico com as peraltices dela.
      Aliás, tu já decidiste quando tu vens me visitar? Besos!

  2. vini

    eu quero um 2010 entre o azul e o rosa =)

  3. Dany, devo estar em Paris entre 10 e 15 de abril.
    miliga!

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