Namorada em fuga

somebody save me

somebody save me

Por Dany Darko*

Nos primeiros momentos da visita aos pais do namorado, o pai de petit-ami tenta me apresentar para uma amiga da família:

– Essa é Dany, parceira do meu filho. Não, noiva do meu filho. Quer dizer, amiga do meu filho.

– Namorada – eu esclareço para a pessoa que já estava com caimbra no braço estendido à espera da definição do meu estado civil.

Momentos depois, ele me puxa num canto e diz em tom de sigilo:

– Vocês podem dormir no quarto de hóspedes enquanto estiverem aqui em casa. Tu sabes, a cama do quarto do meu filho é de solteiro.

– É de solteiro, mas somos magros. – escapo por pouco

Na hora do jantar, a mãe de petit-ami me conta sobre a filha de uma amiga que teve uma esquemia cerebral.

– Qual a causa?

– Ela tomava anticoncepcional.

– Ah, entendi.

O pai de petit-ami quebra o gelo. Me oferece um presente, um dvd, adivinhem qual: Juno. Só para manter o clima.

Depois da etapa casa dos pais, preciso passar pela casa dos avôs, onde encontrarei não só os progenitores dos sogros, mas também tios, tias, primas, gato, cachorro e coelho (assado).

Na ida, dentro do carro, o pai me interpela novamente:

– Vocês sabem, quando quiserem fazer uma festa…

– Festa?

– De casamento.

– Casamento. Não. Obrigada.

– Nada muito tradicional, só para reunirmos os amigos e comemorarmos.

– (silêncio)

Na casa dos avôs, passo por um interrogatório sobre vida em comum, projeções para o futuro, filhos. Uma tia me avalia de cima à baixo. Certamente a combinação coturno+meia roxa não a agrada. Mas a avó apoia:

– Também quero pintar meus cabelos de vermelho.

Eu aproveito para comentar que não tenho vocação para cuidar dos seres vivos e de frisar que nem minhas plantas sobrevivem mais que um mês.

– Você fala isso agora, mas quando chegam os bebês…

– Sim, quero mais champagne – desconverso discretamente.

Na volta à casa dos pais, o sogro me mostra fotos de casamento do filho mais velho, do casamento da vizinha, do casamento do amigo do amigo do amigo. A sogra nos leva a uma casa da família nas redondezas que eles pretendem alugar. « Se vocês morassem aqui, ela seria automaticamente sua ». Eu suo.

Surpreso com as investidas da família, petit-ami diz não entender a atitude coletiva da campanha pró-casamento. « Vai ver eles pensam que tu és um bom partido ».

Mas nem eu acredito nessa possibilidade.

– Tu estás gravido? – pergunto e recebo uma aliviante resposta negativa de volta.

Independente disso, chegamos ao consenso que está mais do que na hora, que precisamos tomar uma decisão e resolver essa situação sufocante. A família pede, o universo conspira, eu sugiro, ele concorda. “Tens certeza? Não quero eu ser a responsável por essa grande mudança, nem por esse pedido”, previno petit-ami. Ele responde que nunca quis tanto algo na vida. E me propõe. Sinto orgulho e digo que sim.

Transferimos a data das passagens de volta para casa para bem antes do esperado e fugimos para bem longe, sem avisar ninguém, levando apenas uma garrafa de vinho para celebrar tão sábia decisão.

* Dany Darko não foi feita pra casar, nem tem vocação pra maternidade. Foge de casamentos há quase 30 anos e aparece no EBDP às quartas para brindar a solteirice.

15 Comentários

Arquivado em correspondente internacional, Dany Darko, decisão com PH, diálogos com PH, sentimentos phinos

15 Respostas para “Namorada em fuga

  1. hahahaha

    adoro quando as pessoas insistem em casar pessoas casadas. mas sabe, dany, tu bem poderia casar só pra eu ter motivo pra ir até a França de novo. (como se não tivessem outros motivos…)

  2. Julia

    kkk casa vai, com todas as facilidades ofertadas, até eu casava kkkops eu ja casei né, e nem era tão facil assim hihih

  3. vini

    eu, no auge do meu cansaço mental, cheguei a entender que ele te propôs em casamento.
    porque, sabe-se lá por qual razão, em inglês eles usam propose como intransitivo, sem necessidade de falar que se pediu em casamento. levei um susto por alguns segundos.
    depois que percebi qual foi a sábia decisão.
    =)
    momentos favoritos:
    anticoncepcional como causa de esquimia e mais champagne.
    e eu fico imaginando os diálogos em francês, o que de fato ocorreu, e deixa mais phina e inusitada a situação.

  4. A vantagem dos diálogos em francês é que quando eles não me favorecem, eu posso fazer uma cara de boba (mais do que a que eu já tenho) e lançar um: “je comprends pas”. Quase sempre dá certo (;
    Beijo, Vini!

  5. sophia

    eu tb pensei como o vini, aí vim ler os comentários pra ver se entendia…

  6. Caroline Andreis

    A-do-rei!

    Lembrei daquele quebra-pau que deu lá em casa pq eu falei que casar era brega, lembra? hahaha.

    Mas não me entendam mal. Casamento de gente brega que é brega.

    Bjs!

    • Carol, so vi teu comentario agora!
      Estou dando muita risada aqui sozinha (meu momento Baby Jane Hudson do dia). Capaz que a briga toda começou por isso. Eu jurava que tinha sido por conta do Di Caprio + Bündchen. E no final, nem eles se casaram! (:

      • Caroline Andreis

        Sim!
        Começou por alguma notícia de casamento que eu disse [brega] e daí foi pra Gi e Di e daí pro orgulho gaúcho.
        MORRO.

        haha

        =*

  7. peraí, num tô intendendo.
    morar junto não é ser casado?
    tipo assim, se eu tiver que vestir branco (não fico bem), fazer festa e trocar aliança mas continuar sem coabitar nem procriar, tô nessa

  8. Di

    ri litros aqui no Sul!

    hahahahahahaha

    para que mudar o que está bom né Danny?

    Beijãoo

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