Masturbação do ego

Por Felipe Valer*

Os homens mentiriam menos se as mulheres não fizessem tantas perguntas?

Não consigo encontrar resposta para essa incógnita. Outro dia, fui ao cinema assistir ao musical “Nine”, com um elenco fabuloso recheado de Bellas Donnas e o formidável Daniel Day-Lewis. Durante a projeção, analisei os conflitos internos do protagonista. Somente entendi o problema do cidadão quando a personagem Saraghina, interpretada pela cantora pop Fergie, começou a cantarolar a música “Be Italian”.

Ela é muito sensual, apesar das gordurinhas adquiridas para o filme. Sem me prender a esse detalhe, comecei a pensar como Guido (Daniel) e comecei a me questionar: o que eu faria se em determinado momento da minha vida todas as minhas ex alguma coisa começassem a me atormentar. Desculpem, mas PQP, que m… seria.

Seja italiano! Alguém quer uma intimação mais direta do que isso? Todo italiano que se preze sabe que isso é praticamente um apelo sexual e sem chance de ser negado para qualquer mulher.

Sem querer inventar desculpas e muito menos querer dar uma de bonzinho, pois todas as mulheres sabem que os homens na sua grande maioria não prestam, mas não nos culpem. Faz parte do nosso currículo ser “do mal”. É muito complicado para um homem sair na rua e perceber que o mundo feminino não se limita apenas à meia dúzia de mulheres, mas a um universo inexplorado de ilimitada beleza. Não somos culpados, pois vocês sabem como enfiar um espeto no meio do nosso núcleo de testosterona.

E devem estar se questionando: onde este mamífero que faz a barba a cada dois dias quer chegar? No útero do problema! Nós (homens!) fomos criados por mulheres, crescemos sob olhares do sexo “Y” e, desde pequenos, prestamos atenção no que elas dizem. Porém, em algum pneu furado no meio do caminho, começamos a nos perder em relação à dignidade que deveríamos ter em relação a elas (depende de quanto bebemos antes de ir para alguma festa ou se ligamos no meio da noite para “amigas” solitárias em seus covis mortíferos).

Sei que é muito blábláblá…, assim peço desculpas pela grande maioria dos homens que não souberam respeitá-las como companheiras, namoradas, amigas ou, em última instência, “ombro amigo”. O detalhe é que muitas vezes fomos iludidos por almas sedentas de segundas intenções malignas que apenas queriam nos usar. Duvido que algum homem negue que algum dia não foi iludido por um lindo par de olhos, cabelos compridos (não faço diferença pois cabelo curto é um charme muito especial) e corpo sensual, para não me adentrar em maiores detalhe obscenos.

Todo homem em algum momento da sua rotineira vida já ficou literalmente de quatro por alguma “deusa” que apenas nos devolveu tudo o que já havíamos aprontado com outras de boa índole. Como minha nonna diz: “Aqui se faz, aqui se paga!”.

É complicado ser homem nos dias de hoje. Em pleno 2010, as velhas cantadas, trovas, bajulações já não fazem tanto sentindo. O pior é que nós estamos caindo feito patos, dia após dia, nas mesmas baboseiras que usamos durante séculos.

Homens, precisamos parar de ser tão convencidos de que fazemos parte do grupo da espécie superior neste planeta. Já estamos afundando há séculos. Damas, por favor, peguem mais leve conosco, pois somos muito ingênuos para acreditar que todas as mulheres são boazinhas. Não quero generalizar, mas destacar que sem bons e “capetas”, quando falamos de relacionamento, estes fazem parte da essência do equilíbrio e sem eles não existe sexo.

Comento isso com vocês quando percebo que cada vez mais é difícil nos “abrirmos” com o lado oposto, quando mal discutimos relacionamento entre “seres” do mesmo sexo. É fudido!

No filme, Guido achou que sendo o bonzão da parada ele seria eternamente desejado e almejado pelas mulheres, mas isso é apenas cinema. Na vida real, o papo é bem diferente.

Vamos acordar e perceber que não vivemos em um filme, pois estamos lidando com sentimentos reais e que suas consequência afetam diretamente os envolvidos. O respeito que antigamente existia por ambas as partes foi se desgastando ao longo do tempo, mas quero acreditar que ainda é possível resgatar a sinceridade que embalou inúmeros livros, contos e histórias que mencionavam “relacionamentos” ao longo da humanidade. Até mesmo Napoleão já amou e foi sacaneado! Quem diz que você não será um dia?

Atenção! Abram bem os olhos, mas não esqueçam: lealdade e verdade ainda são os principais ingredientes para duas pessoas que se querem e desejam construir uma história em comum.

*Felipe Valer não é Daniel Day-Lewis, mas, dizem, dá um bom caldo, meninas. Em crise aqui, hoje; nos outros dias, no twitter @felipevaler.

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7 Comentários

Arquivado em contribuição phina, homem phino, no telão phino, sentimentos phinos

7 Respostas para “Masturbação do ego

  1. Caroline Andreis

    Tudo verdade.
    Mas, sinceramente, eu odeio esse papo de [traumatizado]. Dá a volta por cima e levanta a poeira. Todos os dias milhares de pessoas são sacaneadas, largadas, trocadas e assim é a vida. Relacionamento seguro não existe. Existe relacionamento massa no aqui e agora. Bora aproveitar.

  2. relacionamento amoroso seguro não existe [2]. se fosse seguro, não seria relacionamento. bauman disse algo assim. ou deveria ter dito

  3. ‘peço desculpas pela grande maioria dos homens que não souberam respeitá-las’

    se pedir mais um zilhão de vezes, subindo ajoelhado a escadaria da igreja do bom fim, talvez consiga o perdão.

    ps.: bem vindo!

  4. Só eu achei um saco “Nine”? Achei a Saraghina u-ó. Só gostei da Nicole Kidman, musa eterna e classuda!

  5. vini

    é aí que está o x da questão: a gente nasceu pra ser do mal, mas algumas evoluiram e são “mais” “do mal” que nós.

  6. MR CROWLEY

    Não sei ao certo sobre tudo, mas o que realmente sei é que eu lamberia a Nicole Kidman todinha… depois dela malhar… salgadinha… hummm

  7. Saudações Felipe.

    É bom ler um texto sagaz, eventualmente.
    Creio que me fez entender o contra-ponto (sei que o hífen morreu, mas eu ainda não atualizei minha ortografia) do MEU relacionamento.
    Já fui traído, fui trocado e fui usado.
    Quando achei alguém que passara pelas mesmas indignações e ressentida estava com isso, casei-me.
    Em 16 anos de relacionamento creio ter encontrado um “porto seguro” para minha “nau-masculina-do-mal”.
    Aportei por ali e fujo de experiências fora do casamento como o Frankstein do alho (!) para não desiquilibrar essa frágil harmonia dos opostos.
    E não esqueça: Mais vale um pássaro na mão porque o pior ainda está por vir (algo assim).

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