Os 30 são tão Paris

* Por Dany Darko

NY: pelas calçadas do Marais, Paris te despreza

Paris desbancou todas as cidades por onde passei até hoje. Depois de quase três anos morando en France, cheguei a pensar que meu favoritismo se devia ao apego à nova casa. Mas os franceses não-parisienses rechaçam tanto a sua capital que nenhuma influência positiva poderia ter brotado dali.

Foi paixão à primeira vista, e amor cultivado aos poucos – nos finais de semana não-turísticos passados, às vezes por acaso, na capital francesa, e geralmente motivado por alguma banda blasée demais para vir até o pé dos Alpes. Tudo bem, Paris me merece e merece a chegada aos meus 30 anos, muito bem comemorados e que confirmam que Paris está sempre em ebulição – exatamente como a terceira década de vida deve ser.

Ah é, Paris também pode ser clichê, ou as filas pra subir a Tour, os turistas fazendo bundalelê na Trocadero, Champs-Elysées como parque de diversðes dos bregas, o pré-conceito sobre os parisienses e sua vibe antipática. Pode. Basta comprar o mais chinelo dos mapas e seguir todas as indicações. Se você fez isso provavelmente deve ter achado Paris um saco e eu não discordo.

Mas vá se perder pelas ruelas (e vitrines) charmosas do Marais e conhecer suas multi-facetas judia, gay, trash, cult, passear pelas as galerias de arte da Place de Vosges, tomar um café naquele clima bobo (bourgeois-bohème) de Saint Germain de Près, ou o apéro com o pessoal da Sorbonne no Quartier Latin, se jogar nas livrarias lindas de Saint-Martin, desvendar as soirées escondidas no final da Oberkampf. Paris é muito mais que um guia turístico e reserva boas surpresas por todos os cantos.

Por tudo isso, sugiro Paris como o lugar ideal para passar os 30. Tem diversão sem as obviedades do começo da juventude, arte e cultura sem a culpa de exacerbar intelectualidade (já que é inerente ao quotidiano da capital), diversidade sem ostentação, boa comida, bons vinhos, pessoas magras, glamour na medida e simpatia limitada – porque sarcasmo é o combustível de todo filho de Balzac.

Tunda de laço em quem diz que viu tudo de Paris em dois dias. Dizem – palavra de parisiense – que por mais que se nasça e se viva na capital francesa, nunca é possível a conhecer completamente. Nada a ver com mistério, Paris é sedução. É por isso que os seus nativos tem tanta dificuldade de abandoná-la. E que a gente tem tanta facilidade de se apaixonar por seus nativos.

*Dany Darko não escreveu a coluna da semana passada porque estava muito ocupada se jogando na noite parisiense. Leva todos os phinos para passear às quartas, no EBDP.

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