O estrógeno e o dirty pop


Ela ganha

Por Vini*

É muito difícil ser uma diva hoje em dia. O motivo? Existem muitas aspirantes ao posto. Comecemos com o óbvio: Madonna, para muitos, a eterna rainha do pop. Realmente, ninguém está mais na estrada do que ela. Twenty-five and counting. Só que temos alguns problemas com a Sra. Ciccone. Primeiro: ela ficou muito popular. Existe o pop e existe o popular.

Direto, curto e grosso: as bichas suburbanas idolatram porque acham que devem idolatrar e consumir o produto em questão, sem nenhuma preocupação crítica. Segundo: existem fãs que se acham íntimos amigos e profundos conhecedores e não admitem que se fale mal, rivalizando em fanatismo com mulçumanos xiitas. Preguiça eterna. Se Madonna chegou ao seu auge em 2005 com Confessions On a Dance Floor, é bem verdade que ela decaiu de uns tempos para cá. Hard Candy não é um primor e tem erros gravíssimos. Alguém me explica Spanish Lesson, por favor.

Já o figurino da Sticky’n’Sweet é cheio de peças de mau gosto. Por que ela achou legal usar uma armadura dos Cavaleiros do Zodíaco? E se Celebration é uma ótima faixa, o clipe ficou bem pobre. Pobre mesmo é a letra de pedreiro de Revolver: “My sex is a killer, do you wanna die happy?” Conselho pra Tia: saia do morro e do gueto, largue Jesus Luz, pare de adotar crianças e vá se concentrar em puro e bom pop.

Britney. Ninguém lembra que a Christina Aguilera beijou a Madonna! Todo mundo só falou da Britney. Hoje em dia, ninguém fala mais. Agora ela canta, apelando para o mènage à trois de Paul, Mary e um terceiro fulano em 3. E sempre faz os clipes com aquela língua gigante para fora, com saliva a rodo no monitor, e a mesma cara pseudosexy. Um breakdown ofuscou seu melhor álbum, Blackout. Lançou um álbum remendado chamado Circus. Fez a palhaça. Agora vamos ver se ela recupera o posto, porque tem gente querendo…

E quem quer? Lady Gaga. É a queridinha das pistas, das paradas e do público GLBT. Ela aprendeu bem a lição de Madonna. Chocar? Sempre e mais, muito mais. Freud ficaria chocado ao saber que Lady Gaga não tem superego, porque a moça não conhece limites. E, diferentemente, de Britney, ela escreve, dança e canta. Mas vejamos por quanto tempo o pessoal aguenta as suas bizarrices.

Beyoncé é a outra bola da vez, que rivaliza com Lady Gaga em vendas e glamour. Aquela mistura de raça, fierce, muito remelexo e, pasmem, fé em Deus. Ela também produz, escreve, atua e dança. Merece muito mais respeito e tem muito mais dignidade do que uma Britney da vida.

E existe até competição entre as divas afro-descedentes. Cuidado, B-girl, porque Rihanna tá na roleta russa também. Rihanna é a prova de que não há como entender certas mulhers. Ela deve hits cósmicos com Umbrella (a.k.a. lavagem cerebral) e Disturbia e, mesmo depois disso, apanha do Chris Brown e QUER ficar com ele. QUER FICAR COM UM HOMEM QUE BATE! Jesus Luz, me chicoteia, porque não entendo isso. Acho que ela só o largou de tanto que o mundo disse o quão ridículo isso seria. A própria Rihanna chamou seu álbum novo de clássico, sendo que é uma bela porcaria.

Do outro lado do Atlântico, a diva do Europop que nasceu na Austrália, Kylie Minogue. Ela venceu um câncer e está aí. Muito digno. O problema de Kylie: álbuns apressados e com músicas toscas. Os shows são um primor e vários são superiores ao das demais divas tranquilamente. Ela é fofa e tem presença de palco. Além de tudo é humilde e reconhece músicas ruins que fez, não se envergonha e bola pra frente.

E temos uma série de divas decadentes. Mariah Carey fez Glitter, levou um pé da gravadora, mas deu a volta por cima e fez mega hits como We Belong Together. Mas ninguém nega que ela é uma louca de se jogar pedra.

Janet Jackson, tadinha, foi crucificada pelo Nipplegate e nunca mais lançou um single de sucesso. J-Lo? O namoro com o Ben Affleck sepultou sua carreira musical e não há Louboutin que a levante.

E Whitney Houston? Drugs, drugs, drugs, drugs.

Mas falemos da diva da vez, em minha não-humilde opinião, Shakira.

“Oi?”, vocês dirão.

E eu digo “Shakira, sim, senhores”. A fase em espanhol é dolorosa. Não ouvia nos anos 1990. Aquele cabelo ruim e rebelde que nunca viu uma escova na vida. Mas ela estourou no fechadíssimo mercado norte-americano em 2001 e em 2006 conseguiu ter uma das músicas mais populares do milênio com Hips Don’t Lie. É bem verdade que She-Wolf, o último álbum da moça, não vende muito bem, o que é uma injustiça. Ela veio da Colômbia! Eu não imagino o que é a Colômbia.

Saiu de lá, conquistou um continente e depois o mundo. Hoje, além de Madonna, é a única diva que tem um contrato com a Live Nation. Escreve, dança e produz. E sem contar que está muito mais phina hoje. Cabelos perfeitos, vÍdeos divinos. Ela não é a melhor, nem a minha favorita. Mas é legal ver a evolução da guria na escala da dignidade, sem tropeços vergonhosos. Além disso, Shakira pega Rafael Nadal em Gypsy. Jesus Luz, Chris Brown, Jay-Z? O tenista é mais muito mais digno.

Mulheres são cruéis, não se enganem. Elas não confiam umas nas outras e se unem por necessidade e conveniência. Já vimos team-ups de Madonna com Britney, Gaga com Beyoncé, Beyoncé com Shakira, tudo ao sabor das ondas da Billboard. O público sádico se diverte com essa batalha, mas, sem dúvida, elas sofrem.

No meio tempo, a gente espera mais um supermegahit da última semana, com uma dança supermegaelaborada, que vai agarrar na nossa cabeça como chiclete até que o próximo hit chegue.

*Vini acha que há ainda pop digno de ser ouvido, mas critica abertamente este gênero e outras coisas mais, aqui, toda terça-feira.

3 Comentários

Arquivado em fica aí a dica, tendência, vergonha alheia, Vini

3 Respostas para “O estrógeno e o dirty pop

  1. Ai, ai, momento confesso: amooooo o piriguetismo roots da Mariah!!! Ela arrasa em Precious. Sou fã.

  2. Gente, e o que é o Nadal? Meu dedo mindinho pra tá no lugar da Shakira nesse clipe. (suspiros)

  3. Belo post,Vini! Baita retrospectiva e descriçao das divas pop, bravo!
    “Aquele cabelo ruim e rebelde que nunca viu uma escova na vida” -> trabalhei demais meu abdomen
    Beijo!

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