Preguiça de mim – o preço da phinesse

final de semana lindo e phino, mas em preto e branco

final de semana lindo e phino, mas em preto e branco

Por Rafa*

É sexta à noite, e eu tenho que dar uma passada no pub pra me despedir de amiga querida que tá indo embora morar no Rio. Dou ois, sou simpático. Dou beijos e tchaus, afinal, tenho que acordar cedo no outro dia pra minha primeira aula de alemão do ano: pontos na escala da phinesse.

Acordo atrasado, com sono, mas levanto e vou. A esperança é que tenha algum gatinho pra olhar na aula que vai me custar todas as manhãs de sábado do semestre. Só mulher na sala. Depois chego o primeiro homem: amante latino versão murcilha. Daí, meia hora depois, entra um gatinho. Pra meu azar, errou a sala. Tava quase desistindo e então chega o bofe que vai me dar motivos pra acordar cedo no próximo sabadão.

Depois do alemão, mais dignidade: academia. Malhação pesada, pra não precisar voltar no domingo, afinal, sonho que o primeiro dia da semana será ensolarado e poderei correr no parque.

Amigo cancela almoço. No fundo, gosto, preciso ficar quietinho um pouco em casa. Encosto 2009 se manifesta. Quer me ver antes de ir pra nunca mais voltar. Despedida íntima. Sinto preguiça, mas dou trela. Nem eu me aguento nessas horas.

Tento arrumar uma companhia pro cinema. Ninguém pode ou quer. O outro lá não toma uma atitude que alimenta. Assisto ao filme, adoro e volto pra casa a fim de capotar.

O domingo acorda chuvoso. Me meto na exposição brega do Roberto Carlos. Depois uma peça de teatro.

Finzinho do domingo tiro pra estudar um pouco. E quando vejo já é segunda. Aula de inglês, academia no lombo, uns flertes via web na hora do almoço, que ninguém é de ferro. “Você teve um final de semana ótimo, que inveja”, me diz o gatinho que não quis/pode sair/transar comigo no domingão.

Muito trabalho no lombo, fazer tudo rápido pra dar tempo da aula de cinema e discutir expressionismo alemão. Chego em casa, lavo louça, estendo camisas e cuecas no varal, boto mais roupa na máquina. Ah, tem que escrever o phino, me lembra o outro.

E estou aqui. Preguiça da phinesse. Preguiça de ser eu mesmo. Preguiça do preço que se paga. Alguém interessante me chama pra tomar um martíni hoje? Urgente.

*Rafa está naqueles dias que nada faz sentido. Procura um motivo aqui, às segundas, quase sempre. Hoje, na terça. Amanhã, quem sabe?

4 Comentários

Arquivado em avisei que era bafona, Rafa, sentimentos phinos, teoria da dignidade, vergonha própria

4 Respostas para “Preguiça de mim – o preço da phinesse

  1. vini

    realmente, discutir expressionismo alemão exige uma presença de espírito sobrehumana (com hífen ou sem?).

  2. até ouvi Jorge Drexler em solidariedade a ti

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